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Novas diretrizes da SBC prometem melhorar controle da insuficiência cardíaca no Brasil

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgou, em 2024, novas diretrizes para o tratamento da insuficiência cardíaca, durante o Congresso Mundial de Cardiologia realizado no Rio de Janeiro. As recomendações visam otimizar o manejo clínico de milhões de pacientes brasileiros que convivem com a doença, reduzindo internações e mortalidade. O documento traz mudanças importantes na prescrição de medicamentos e na incorporação de hábitos saudáveis.

O panorama da insuficiência cardíaca no Brasil

Estima‑se que entre 2 e 4 milhões de brasileiros vivam com insuficiência cardíaca, um número que pode ser subestimado devido ao envelhecimento da população e à alta prevalência de hipertensão, diabetes e obesidade. A doença é responsável por cerca de 250 mil internações hospitalares por ano no país, superando até mesmo a taxa de mortalidade de alguns tipos de câncer. O impacto no cotidiano dos pacientes é profundo, limitando atividades simples como caminhar, subir escadas ou fazer tarefas domésticas.

O caso de Mara Martins, representante comercial de São Paulo, ilustra bem esse quadro. Aos 55 anos, ela começou a sentir cansaço excessivo, palpitações constantes e falta de ar, sinais clássicos de insuficiência cardíaca que foram ignorados por muito tempo. Após múltiplas consultas, exames e cirurgias corretivas nas válvulas cardíacas, Mara recebeu o diagnóstico e iniciou tratamento no Instituto Dante Pazza­nese de Cardiologia, onde viu sua qualidade de vida melhorar gradativamente.

A nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Apresentada a mais de 15 mil profissionais de saúde no Rio, a nova diretriz da SBC traz um enfoque agressivo na introdução precoce de fármacos comprovados. Segundo o cardiologista Marcus Vinicius Simões, presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca, “antigamente os medicamentos eram introduzidos aos poucos, com longos intervalos; hoje sabemos que o benefício é maior quando iniciados o quanto antes”.

A recomendação principal para pacientes com fração de ejeção reduzida (coração fraco) é a combinação de quatro classes de fármacos, todas disponíveis no SUS: inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), betabloqueadores, antagonistas dos receptores de mineralocorticoides e inibidores da neprilisina. Para a forma com fração de ejeção preservada, a diretriz destaca o uso de moduladores de SGLT2, além de controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia.

Outra mudança relevante envolve a abordagem não farmacológica. A SBC recomenda a inclusão de programas de reabilitação cardíaca, com exercícios supervisionados, educação nutricional e acompanhamento psicológico. A meta é reduzir a sensação de fadiga, melhorar a capacidade funcional e prevenir hospitalizações evitáveis.

Impactos esperados e recomendações práticas

Com a adoção dessas orientações, especialistas projetam uma queda de até 20% nas internações por insuficiência cardíaca nos próximos cinco anos. A estratégia também pode diminuir a mortalidade, alinhando o Brasil aos padrões internacionais de tratamento. Para que isso aconteça, é fundamental que médicos de atenção primária estejam capacitados a identificar sinais precoces, como edema nos tornozelos, dispneia ao esforço e aumento de peso súbito.

Os pacientes, por sua vez, devem estar atentos a alguns cuidados essenciais:

  • Monitorar diariamente o peso corporal e relatar aumentos acima de 2 kg em 24 horas ao médico.
  • Manter a adesão ao esquema de medicação, evitando interrupções sem orientação profissional.
  • Praticar atividade física aeróbica moderada, como caminhada de 30 minutos, cinco vezes por semana, conforme tolerância.
  • Controlar fatores de risco: pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, glicemia dentro dos limites recomendados e cessar o tabagismo.
  • Participar de programas de educação em saúde, que reforçam a importância da dieta com baixo teor de sódio e rica em fibras.

Além disso, a SBC enfatiza a necessidade de integração entre cardiologistas, clínicos gerais e enfermeiros, criando equipes multidisciplinares capazes de acompanhar o paciente ao longo de todo o processo terapêutico. O uso de telemonitoramento, com dispositivos que enviam dados de pressão e frequência cardíaca em tempo real, também foi apontado como ferramenta promissora para detectar descompensações antes que evoluam para crises graves.

Em síntese, as novas diretrizes representam um marco na luta contra a insuficiência cardíaca no Brasil. Elas combinam evidências científicas recentes, acesso a medicamentos pelo SUS e estratégias de estilo de vida, oferecendo uma abordagem mais completa e eficaz. O sucesso dependerá da implementação coerente nas unidades de saúde, da educação continuada dos profissionais e do engajamento dos pacientes em seu próprio cuidado.

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