A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou nesta segunda‑feira, 12 de junho, um conjunto de normas que proíbem maquiagem, cabelos tingidos e unhas pintadas nas escolas públicas. As medidas foram divulgadas durante visita a uma unidade escolar em Lima e visam, segundo o governo, restaurar a ordem nas salas de aula.
Novas diretrizes anunciadas
Durante a visita, Fujimori afirmou que a disciplina deve ser reforçada tanto nas ruas quanto nos ambientes educacionais. Ela destacou que as regras buscam garantir um ambiente neutro, livre de distrações relacionadas à aparência dos estudantes. A proposta ainda inclui a restrição ao uso de celulares, salvo autorização expressa dos professores.
O governo pretende aplicar as normas ao ensino fundamental e médio das escolas públicas, enquanto as instituições privadas manterão autonomia para definir seus próprios códigos de vestimenta. A medida ainda passará por consulta pública antes de sua efetivação, que ocorrerá após a publicação oficial no Diário Oficial.
Detalhes das restrições de aparência
As novas regras estabelecem limites claros para a apresentação pessoal dos alunos. Entre as proibições estão:
- Uso de maquiagem em qualquer quantidade;
- Cabelos tingidos, inclusive com mechas ou reflexos;
- Unhas pintadas ou decoradas;
- Para os meninos, exigência de cabelos curtos, sem franjas ou estilos extravagantes;
- Comprimento máximo das saias, definido de acordo com o uniforme oficial da escola.
Além dessas restrições, a proposta prevê a retomada das notas de conduta, que poderão influenciar a avaliação final dos estudantes. Em casos graves de violência, assédio ou bullying, a expulsão será considerada como medida disciplinar.
Reações da sociedade e organismos de direitos
Organizações feministas e de direitos humanos criticaram rapidamente a iniciativa, alegando que as normas reforçam estereótipos de gênero e limitam a liberdade de expressão dos jovens. Elas argumentam que a proibição de maquiagem e cabelos coloridos não tem relação direta com a redução da violência escolar.
Vários grupos apontaram que a medida pode gerar um clima de vigilância excessiva, desviando a atenção de problemas estruturais como falta de recursos, formação docente inadequada e ambientes de aprendizagem inseguros. Para esses críticos, a solução passa por políticas de inclusão e apoio psicológico, e não por controle estético.
Por outro lado, representantes do governo defendem que a padronização visual facilita a identificação de comportamentos inadequados e reduz as distrações que podem comprometer o foco nos estudos. Eles ressaltam que a proposta será acompanhada de campanhas de conscientização nas escolas.
Próximos passos e impactos esperados
Com a fase de consulta pública em andamento, o governo coleta sugestões da comunidade escolar, pais, estudantes e especialistas. O prazo para envio de comentários foi estabelecido em 30 dias, e o Ministério da Educação avaliará as contribuições antes de firmar o texto final.
Especialistas em educação preveem que, caso as normas sejam implementadas, as escolas precisarão adaptar seus regulamentos internos, treinar professores para aplicar as regras de forma justa e criar mecanismos de monitoramento. A expectativa é que haja um período de adaptação de seis a doze meses.
Além do impacto imediato nas rotinas diárias dos alunos, a medida pode gerar debates mais amplos sobre a relação entre disciplina, liberdade individual e igualdade de gênero no contexto educacional latino‑americano. Observadores internacionais acompanharão o caso como um indicativo de como governos da região lidam com questões de controle social nas instituições de ensino.
Enquanto o debate se intensifica nas redes sociais e na imprensa, a população peruana aguarda a definição final das regras e seu efeito prático nas salas de aula. O futuro da política de aparência nas escolas públicas do Peru ainda está em construção, mas já demonstra a complexidade de equilibrar ordem, direitos individuais e qualidade educacional.








