Kassandra Bacon, de 44 anos, tornou‑se mãe ao dar à luz seu primeiro filho, Landon, em setembro de 2026, no Reino Unido. A história começou quando ela recebeu um diagnóstico de linfoma de Hodgkin aos 17 anos. O relato mostra como a ciência de preservação da fertilidade evoluiu nos últimos vinte‑e‑cinco anos.
A batalha contra o linfoma na adolescência
Em 2002, Kassandra foi informada de que tinha linfoma de Hodgkin, um tipo raro que afeta o sistema linfático. O tratamento inicial consistiu em um ciclo de quimioterapia que, na época, parecia suficiente para controlar a doença. Porém, um ano depois, o câncer recidivou de forma mais agressiva, exigindo um regime intensivo de quimioterapia e um transplante de medula óssea.
Para uma estudante que enfrentava provas finais e aulas de direção, a notícia foi devastadora. Ela descreveu o momento como “difícil de viver” e admitiu que a perspectiva de perder a fertilidade aumentava ainda mais o medo. Mesmo jovem, Kassandra já pensava no futuro e na possibilidade de ser mãe.
Os médicos explicaram que o tratamento agressivo causaria danos irreversíveis aos ovários, levando a uma menopausa precoce. Assim, a adolescente precisou tomar decisões rápidas sobre a preservação da fertilidade, mesmo sem ter completado seu ciclo menstrual, condição normalmente exigida para o congelamento de óvulos.
Congelamento de tecido ovariano: uma técnica pioneira
Sem tempo para o protocolo tradicional de criopreservação de óvulos, Kassandra optou por uma alternativa ainda experimental: o congelamento de tecido ovariano. O procedimento exigia a remoção cirúrgica de fragmentos de tecido dos ovários antes do início da quimioterapia.
Para realizar a cirurgia, ela encontrou a Dra. Sara Matthews, uma das poucas cirurgiãs no Reino Unido habilitadas para a técnica. A operação foi feita antes que o Reino Unido regulamentasse oficialmente o método, o que impediu a emissão de documentação padrão para o futuro reimplante.
O tecido foi imediatamente encaminhado a um laboratório especializado, onde foi congelado em nitrogênio líquido. A seguir, apresentamos os passos principais do processo:
- Remoção cirúrgica de pequenos fragmentos de tecido ovariano.
- Lavagem e preparação em ambiente estéril.
- Congelamento controlado em nitrogênio líquido a -196°C.
- Armazenamento em tanques de longo prazo, com monitoramento constante.
Durante os anos seguintes, Kassandra enfrentou a menopausa precoce aos 33 anos, mas manteve a esperança de que o tecido preservado pudesse ser usado no futuro. Em 2023, ela começou a buscar clínicas capazes de reimplantar o material congelado.
O conflito entre Hamas e Israel, iniciado em outubro de 2023, atrasou o acesso à clínica escolhida, o Centro Médico Sheba, em Ramat Gan. O cessar‑fogo temporário de maio de 2024 permitiu a viagem, mas o retorno ao Reino Unido coincidiu com o fim do acordo, criando um clima de incerteza.
O caminho até a maternidade aos 44 anos
Em maio de 2024, Kassandra chegou ao Centro Médico Sheba, onde uma equipe multidisciplinar realizou o reimplante do tecido ovariano. O procedimento, semelhante a um enxerto de pele, consistiu em posicionar os fragmentos descongelados sobre os ovários remanescentes.
Nas semanas seguintes, foram monitorados hormônios como estradiol e FSH para avaliar a retomada da função ovariana. Em poucos meses, Kassandra começou a ovular novamente, permitindo a fertilização natural.
Em setembro de 2026, aos 44 anos, ela deu à luz Landon, um menino saudável, ao lado da mãe, que acompanhou todo o processo. A celebração foi marcada por emoções intensas, pois a jornada incluiu mais de duas décadas de esperança, ciência e resiliência.
Hoje, Kassandra compartilha sua experiência em entrevistas ao Serviço Mundial da BBC e em eventos de apoio a pacientes oncológicos. Ela enfatiza que a decisão de congelar o tecido ovariano, mesmo sem garantias, foi a chave para transformar um futuro incerto em realidade.
Especialistas apontam que casos como o de Kassandra impulsionam a pesquisa e a regulamentação da criopreservação de tecido ovariano. Nos últimos anos, hospitais no Reino Unido, Estados Unidos e Israel têm desenvolvido protocolos padronizados, ampliando o acesso a mulheres que enfrentam tratamentos oncológicos.
Para quem considera a técnica, os médicos recomendam avaliar fatores como idade, tipo de câncer, urgência do tratamento e disponibilidade de centros especializados. A decisão deve ser tomada em conjunto com oncologistas, endocrinologistas e especialistas em fertilidade.
O relato de Kassandra também destaca a importância do apoio psicológico durante todo o processo. A ansiedade de enfrentar um câncer na adolescência, combinada com a preocupação sobre a fertilidade, pode gerar estresse significativo, que deve ser acompanhado por profissionais de saúde mental.
Em resumo, a história de Kassandra Bacon demonstra que a combinação de medicina avançada, coragem pessoal e suporte adequado pode transformar desafios médicos em conquistas de vida. Seu filho, Landon, simboliza não apenas a vitória de uma mãe, mas também o potencial de tecnologias emergentes para mudar o futuro de milhares de mulheres.








