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Entenda o linfoma não Hodgkin que tirou a vida de Netinho e como reconhecer os sinais de alerta

O cantor Netinho, de 60 anos, faleceu nesta terça‑feira, 13, em Salvador, devido a complicações de um linfoma não Hodgkin tipo B, um câncer que atinge o sistema linfático. O diagnóstico foi confirmado em 2025 e, apesar de uma fase de melhora com quimioterapia, o paciente sofreu uma recidiva neste ano.

Para esclarecer como a doença se desenvolve, quais são os sinais de alerta e as opções terapêuticas disponíveis, o cirurgião vascular Herik Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, compartilha seu conhecimento na coluna GENTE.

O que é o linfoma não Hodgkin?

O linfoma surge quando os linfócitos – glóbulos brancos responsáveis pela defesa contra infecções – apresentam mutações genéticas que provocam sua multiplicação descontrolada. Essa proliferação forma massas de tecido linfoide que podem comprometer o funcionamento normal do organismo.

Existem duas categorias principais de linfoma: o de Hodgkin, reconhecido por células anormais específicas e que costuma ter altas taxas de cura, e o não Hodgkin, que engloba diversos subtipos com diferentes graus de agressividade.

Segundo o especialista, o linfoma não Hodgkin é o mais frequente entre os linfomas e pode variar amplamente em termos de velocidade de crescimento e de resposta ao tratamento.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Os primeiros indícios costumam aparecer como inchaços indolores nos linfonodos, popularmente chamados de ínguas. Esses nódulos aumentados são mais comuns no pescoço, nas axilas e na região da virilha.

Ao contrário de inchaços associados a infecções, as ínguas do linfoma tendem a ser firmes e não dolorosas. Quando observadas, devem ser avaliadas por um médico.

Além dos linfonodos, outros sintomas podem surgir de forma sutil, mas que merecem atenção:

  • Febre persistente sem causa aparente
  • Suor noturno excessivo
  • Perda de peso inexplicada
  • Cansaço intenso que não melhora com repouso
  • Coceira generalizada sem lesões visíveis

Quando o linfoma acomete linfonodos torácicos, podem aparecer falta de ar, tosse e dor no peito. Já o comprometimento dos linfonodos abdominais pode gerar desconforto ou dor na região do abdômen.

Como a doença pode se espalhar e afetar outros órgãos

Em alguns casos, o câncer ultrapassa o sistema linfático e invade tecidos fora dele – um fenômeno conhecido como acometimento extranodal. Órgãos como fígado, pulmões, estômago, intestinos, ossos e até o sistema nervoso central podem ser atingidos.

Quando a medula óssea é afetada, a produção de células sanguíneas diminui, provocando anemia, baixa contagem de plaquetas e maior risco de infecções.

A extensão e a localização das lesões influenciam diretamente o prognóstico e a escolha do tratamento, já que cada subtipo de linfoma apresenta comportamento próprio.

Opções de tratamento e avanços recentes

O plano terapêutico varia conforme o tipo de linfoma, seu grau de agressividade e o estágio em que é diagnosticado. As abordagens mais comuns incluem:

  • Quimioterapia: uso de medicamentos que impedem a divisão das células cancerígenas.
  • Radioterapia: aplicação de radiação focalizada para destruir tumores localizados.
  • Imunoterapia: estímulo do sistema imunológico para reconhecer e atacar as células malignas.
  • Terapia-alvo: fármacos que bloqueiam vias moleculares específicas das células tumorais.

Em situações de recidiva ou quando a doença não responde às terapias iniciais, pode ser considerado o transplante de células‑tronco hematopoéticas, popularmente chamado de transplante de medula óssea.

Outra inovação é a terapia com células CAR‑T, que modifica geneticamente linfócitos do próprio paciente para que reconheçam e eliminem as células cancerosas. Essa técnica ainda é restrita a subtipos específicos de linfoma não Hodgkin.

Além das opções citadas, ensaios clínicos continuam a investigar novos compostos e combinações, ampliando as possibilidades de cura e de controle da doença.

É fundamental que pacientes e familiares estejam atentos aos sinais de alerta e procurem avaliação médica ao menor indício suspeito. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso terapêutico.

O caso de Netinho evidencia a importância de monitorar a saúde de forma contínua, especialmente quando há histórico de diagnóstico de linfoma. A recidiva, apesar de tratável em muitos casos, pode ser mais agressiva e requer acompanhamento rigoroso.

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