Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, declarou nesta sexta‑feira, 4 de setembro, que pretende indicar quatro mulheres ao Supremo Tribunal Federal caso vença as urnas. A promessa foi feita durante entrevista concedida à revista VEJA, em Brasília, e reflete a estratégia do ex‑governador de Goiás de ampliar a presença feminina nos mais altos cargos do Judiciário.
Motivação e contexto da proposta
Caiado explicou que a decisão surgiu após analisar a experiência de sua própria administração em Goiás, onde mulheres ocuparam cargos de destaque em secretarias e órgãos estratégicos. Ele acredita que a presença feminina pode gerar um “choque de realidade” no STF, trazendo sensibilidade e responsabilidade nas decisões da Corte.
Para o candidato, a indicação de mulheres não é apenas simbólica, mas visa transformar a dinâmica institucional. “Precisamos de uma atuação diferente, que reflita a pluralidade da sociedade”, afirmou, ressaltando a importância de equilibrar a representatividade de gênero nos tribunais superiores.
Critérios de seleção
Embora não tenha divulgado nomes, Caiado assegurou que a escolha será baseada em três pilares: trajetória profissional reconhecida, experiência em cargos de relevância e reputação ilibada. Ele destacou que, durante seu governo, buscou sempre nomear mulheres para áreas consideradas estratégicas, como educação e meio ambiente.
Os critérios ainda não foram detalhados em termos jurídicos ou institucionais, mas o candidato enfatizou que a avaliação considerará o desempenho e a contribuição das candidatas ao desenvolvimento do estado.
- Experiência comprovada: atuação em cargos de direção ou assessoramento em órgãos públicos ou privados.
- Reconhecimento profissional: prêmios, publicações ou reconhecimentos relevantes na área de atuação.
- Compromisso com a ética: histórico livre de controvérsias que possam comprometer a imagem da Corte.
Impacto esperado na Corte
Caiado acredita que a inserção de quatro mulheres no STF pode reduzir disputas internas e ampliar a responsabilidade dos ministros. Segundo ele, a diversidade de gênero pode favorecer decisões mais equilibradas e atentas às consequências sociais.
Ele também vinculou a proposta ao debate atual sobre a atuação do Supremo, citando casos recentes que geraram críticas à conduta de alguns ministros. “É fundamental que os integrantes do STF respondam por suas ações”, afirmou.
A expectativa é que as indicações ocorram à medida que as vagas sejam abertas, seja por aposentadoria compulsória, voluntária ou outros motivos previstos na Constituição. Caiado já sinalizou que pretende encaminhar o primeiro nome ao Congresso Nacional já no início de um eventual governo, possivelmente em 5 de janeiro.
Reação política e perspectivas
A promessa gerou diferentes reações no cenário político. Enquanto alguns partidos elogiaram a iniciativa como um avanço na igualdade de gênero, outros questionaram a viabilidade prática da proposta, apontando para a necessidade de aprovação pelo Senado.
Especialistas em direito constitucional ressaltam que a indicação de ministros ao STF é prerrogativa do presidente, mas depende da maioria absoluta do Senado. Nesse sentido, a estratégia de Caiado pode exigir articulação política para garantir a aprovação das candidatas.
Além disso, a proposta de Caiado entra em um contexto de intensas discussões sobre a composição do STF, que tem sido alvo de críticas por falta de representatividade e por decisões controversas envolvendo figuras como Alexandre de Moraes.
O candidato também aproveitou a entrevista para defender o afastamento de Alexandre de Moraes, citando revelações envolvendo o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Essa posição reforça a agenda de reforma institucional que Caiado pretende conduzir.
Em síntese, a indicação de quatro mulheres ao Supremo representa um dos pilares da campanha presidencial de Ronaldo Caiado, que busca se diferenciar dos demais concorrentes ao enfatizar a diversidade de gênero como elemento de mudança institucional.








