Um amplo estudo realizado em São Paulo revelou a efetividade da vacina Qdenga contra a dengue, analisando mais de 166 mil adolescentes entre 2024 e 2025. A pesquisa, publicada na revista eClinicalMedicine, mostrou resultados consistentes em meio à pior epidemia da história do país. Os dados confirmam que a imunização pode ser a ferramenta que faltava para reduzir mortes e internações.
Contexto da epidemia e a necessidade de novas estratégias
Desde a década de 1990, o Brasil tem investido em mutirões, fumacê e campanhas de eliminação de criadouros do Aedes aegypti. Apesar desses esforços, em 2024 o país registrou mais de 6 mil óbitos, o maior número já contabilizado.
Ao longo de 25 anos, quase 18 milhões de casos de dengue foram notificados, com cerca de 17 mil mortes. Esse cenário evidenciou que o controle do mosquito, isolado, não é suficiente para conter a doença.
Com a aprovação da Anvisa em março de 2023, a vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, passou a ser disponibilizada no SUS e no setor privado, trazendo esperança para a população.
Detalhes metodológicos e principais achados do estudo
O estudo observacional acompanhou adolescentes de 10 a 15 anos, divididos em grupos que receberam uma ou duas doses da vacina. Foram avaliados indicadores de dengue sintomática, internações e evolução da proteção ao longo de 12 meses.
Os resultados mostraram que uma única dose reduziu o risco de dengue sintomática em 59%, enquanto duas doses elevaram essa proteção para 73%.
Em relação aos casos graves que exigem hospitalização, a proteção foi de 75% com uma dose e quase 88% com o esquema completo.
Um ponto relevante foi a estabilidade da eficácia de uma dose ao longo de um ano, sem sinais de declínio, embora o esquema recomendado continue sendo o de duas doses para garantir a máxima proteção.
Implicações para a política de saúde e recomendações práticas
No Brasil, a Qdenga está autorizada para pessoas de 4 a 60 anos, mas o Programa Nacional de Imunizações prioriza a faixa de 10 a 14 anos nas áreas com maior transmissão. A campanha recomenda duas doses com intervalo de três meses.
Profissionais de saúde devem esclarecer a diferença entre a Qdenga e a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, cuja aplicação foi suspensa temporariamente em junho de 2026 por precaução.
É fundamental que pais e responsáveis verifiquem a disponibilidade da vacina nas unidades de saúde locais e garantam a vacinação de seus filhos dentro da faixa etária indicada.
Além da imunização, as medidas de controle ambiental continuam essenciais; a combinação de vacina e combate ao mosquito oferece a estratégia mais completa para enfrentar a dengue.
O que esperar do futuro da vacinação contra a dengue no Brasil
Com a comprovação de alta eficácia em condições reais, a Qdenga pode ser incorporada de forma mais ampla nas estratégias de prevenção, inclusive em outras faixas etárias, conforme novas autorizações.
Pesquisadores apontam a necessidade de estudos comparativos que avaliem o impacto conjunto da vacina e das intervenções de controle do vetor, a fim de otimizar recursos e resultados.
A comunidade científica reforça que a vacinação não substitui, mas complementa, as ações de educação sanitária e eliminação de criadouros.
Em síntese, a evidência robusta do estudo brasileiro oferece um caminho claro: ampliar a cobertura vacinal, manter o foco no controle do Aedes aegypti e promover a conscientização da população.
- Vacina Qdenga aprovada para 4 a 60 anos.
- Campanha prioritária para adolescentes de 10 a 14 anos.
- Proteção de até 88% contra internações.
- Efetividade mantida por 12 meses com dose única.
- Combinação com medidas de controle ambiental recomendada.








