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Mini‑jupette: nova solução para a climatúria que afeta até 30% dos pacientes pós‑prostatectomia

Uma nova técnica cirúrgica para tratar a climatúria, condição que provoca perda de urina durante o orgasmo, foi apresentada no V UroRecon, realizado em São Paulo, na quinta‑feira, 2 de julho. O procedimento, denominado “mini‑jupette”, combina implante de prótese peniana inflável com uma fita de compressão uretral. O evento destacou ainda a importância de abordar essa sequela, que pode atingir entre 20% e 30% dos homens operados por câncer de próstata.

Entendendo a climatúria pós‑prostatectomia

A climatúria ocorre quando a musculatura dos esfíncteres interno e externo da pelve perde a capacidade de manter a continência durante a excitação ou o clímax. O sintoma pode variar de algumas gotas a um fluxo mais significativo, gerando desconforto e constrangimento. Estudos apontam que entre 20% e 30% dos pacientes submetidos à prostatectomia radical desenvolvem esse problema.

Além da perda urinária, a climatúria costuma estar associada à disfunção erétil, outra consequência frequente da cirurgia de remoção da próstata. A disfunção erétil pode afetar de 25% a 70% dos pacientes, dependendo da técnica cirúrgica e do estado de saúde pré‑existente. Quando ambas as condições coexistem, a qualidade de vida sexual pode ser drasticamente reduzida.

O impacto psicológico não pode ser subestimado: muitos homens evitam relações íntimas por medo de embaraço, o que pode levar ao isolamento e à deterioração de relacionamentos afetivos. Por isso, a comunidade médica tem buscado soluções que tratem simultaneamente a incontinência e a impotência.

A técnica mini‑jupette: como funciona

O procedimento, ainda pouco difundido no Brasil, consiste em implantar uma prótese peniana inflável e, simultaneamente, posicionar uma fita de material biocompatível ao redor da uretra. Quando o paciente infla os cilindros da prótese para obter ereção, a fita é tensionada, comprimindo a uretra e evitando a saída de urina.

Segundo o urologista Rafael Ambar, responsável pelo ambulatório de andrologia do Iamspe, a técnica oferece controle da perda urinária sem comprometer a rigidez peniana. Ele explicou que a compressão ocorre de forma gradual, permitindo que o paciente ajuste a pressão de acordo com o conforto.

Em um estudo preliminar com 29 pacientes, a taxa de sucesso da mini‑jupette chegou a 90%, com relatos de satisfação total em relação à climatúria. Os participantes foram liberados para usar a prótese duas semanas após a cirurgia, indicando um período de recuperação relativamente curto.

A prótese inflável já é reconhecida mundialmente como tratamento eficaz para a disfunção erétil, mas no Brasil ainda enfrenta barreiras de cobertura pelos planos de saúde, já que não consta no rol da ANS. Essa limitação pode impedir que muitos pacientes tenham acesso ao benefício completo da técnica.

Além da mini‑jupette, outras abordagens cirúrgicas para a incontinência masculina incluem o sling masculino e o esfíncter urinário artificial. O sling coloca uma faixa de suporte que eleva a uretra, reduzindo o vazamento, enquanto o esfíncter artificial substitui a função muscular por um dispositivo mecânico, porém com maior complexidade e risco de complicações.

Perspectivas e recomendações para pacientes

O tratamento da climatúria ainda engloba medidas não invasivas, como mudanças comportamentais e fisioterapia do assoalho pélvico. Entre as recomendações comportamentais, destaca‑se a prática de urinar antes da relação sexual e o uso de preservativo para absorver eventuais perdas.

  • Fisioterapia do assoalho pélvico: exercícios que fortalecem os músculos responsáveis pela continência.
  • Uso de dispositivos de compressão uretral temporária durante o ato sexual.
  • Consulta regular com urologista para avaliação de possíveis intervenções cirúrgicas.

Para pacientes que já apresentam disfunção erétil associada, a combinação de prótese inflável com a fita mini‑jupette pode representar a solução mais completa. O médico ressalta a importância de uma avaliação individualizada, considerando fatores como idade, estado de saúde geral e expectativas de vida sexual.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata no triênio 2026‑2028, o que indica que a demanda por soluções pós‑cirúrgicas continuará a crescer. Investir em pesquisas e em capacitação de profissionais para técnicas como a mini‑jupette pode melhorar significativamente a qualidade de vida desses pacientes.

Em resumo, a climatúria deixa de ser um tabu quando abordada por meio de estratégias multidisciplinares que unem urologia, fisioterapia e inovação cirúrgica. A apresentação ao vivo da mini‑jupette no V UroRecon abre caminho para que mais centros de referência adotem a técnica, ampliando o acesso a um tratamento que já demonstra alta taxa de sucesso.

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