Em 10 de julho de 2024, o jornalista norte‑americano Glenn Greenwald respondeu às críticas de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tentam pintar a revista VEJA como antilulista e favorável a Jair Bolsonaro. A declaração foi feita em sua conta no X, onde ele analisou o histórico da publicação e a parceria na divulgação da Vaza‑Jato.
Contexto das acusações
Aliados de Lula alegaram que a VEJA teria usado a divulgação de gravações de Daniel Vorcaro – empresário acusado de pagar propina ao Instituto Lula e ao filme sobre o presidente – para atacar o governo. Segundo esses críticos, a revista teria adotado uma postura abertamente anti‑Lula e pró‑Bolsonaro.
Greenwald contestou essa narrativa, apontando que a tentativa de rotular a VEJA dessa forma seria “uma piada completa”, desmentida pelos próprios fatos e pela atuação da publicação ao longo dos últimos anos.
A parceria na divulgação da Vaza‑Jato
O jornalista lembrou que, durante a cobertura da Vaza‑Jato – o conjunto de mensagens trocadas entre o ex‑juiz Sergio Moro e a força‑tarefa da Lava‑Jato – o The Intercept Brasil compartilhou o arquivo com dois veículos: a Folha de S.Paulo e a própria VEJA.
Ambos os meios foram “extremamente contundentes ao denunciar Sergio Moro e sua conduta”, mas a VEJA se destacou por atacar o processo que resultou na condenação de Lula.
- VEJA publicou ao menos duas capas que criticavam Moro por sua atuação nos casos envolvendo Lula e outros processos da Lava‑Jato.
- Na seção “Carta ao leitor”, a revista reconheceu ter sido “excessivamente favorável a Moro, sem o devido espírito crítico”.
- Essas publicações demonstram que a VEJA já se posicionou contra a narrativa que favorecia o ex‑juiz.
Críticas de Greenwald à narrativa antilulista
Para Greenwald, os ataques de apoiadores de Lula à VEJA são previsíveis, mas caem em “caracterização simplesmente risível”. Ele enfatiza que a revista tem um histórico de questionar tanto o governo quanto figuras do espectro político.
O jornalista também destacou que, embora tenha críticas duras à VEJA, ele não está tentando mudar a opinião de ninguém sobre a Vaza‑Jato, que continua sendo um tema controverso.
Ele afirmou ainda que a tentativa de rotular a VEJA como “antilulista e pró‑Bolsonaro” ignora o fato de que a publicação já criticou duramente decisões que beneficiaram o ex‑presidente e que, ao longo dos anos, tem mantido uma postura editorial independente.
Conclusões de Greenwald sobre o papel da VEJA
Greenwald concluiu que a acusação de parcialidade contra a VEJA não se sustenta quando analisamos sua trajetória. A revista demonstrou, em diversas ocasiões, disposição para criticar tanto o governo Lula quanto figuras como Sergio Moro.
Ele reforçou que a Vaza‑Jato permanece um assunto polarizador, mas que a VEJA tem contribuído para o debate público ao trazer à tona informações relevantes, ainda que de forma agressiva em alguns momentos.
Ao final, o jornalista ressaltou que a tentativa de transformar a VEJA em símbolo de uma agenda política específica é “uma completa piada”, desmentida pelos próprios fatos e pela atuação da publicação ao longo de muitos anos.








