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Enchentes devastadoras no Nepal e Tibete deixam mais de 1.300 mortos e milhares desaparecidos

Na última sexta-feira, as enchentes repentinas que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território autônomo da China, ultrapassaram a marca de 1.300 óbitos. O desastre ocorreu após o colapso de uma geleira que desencadeou um tsunami de lama, destruindo casas, estradas, pontes e usinas hidrelétricas. As autoridades continuam a buscar sobreviventes enquanto dezenas de milhares permanecem desaparecidos.

Causas e desencadeamento da catástrofe

Especialistas apontam que o aquecimento global acelerou o derretimento da camada de gelo que cobria o topo da montanha. Esse processo enfraqueceu a rocha matriz que sustentava a encosta, tornando-a vulnerável a rupturas.

Quando a rocha cedeu, liberou cerca de 200 milhões de metros cúbicos de gelo e detritos, volume suficiente para encher cem estádios de futebol. A massa deslizou em alta velocidade, transformando‑se num tsunami de água, lama e pedras que varreu tudo em seu caminho.

O New York Times, em análise visual, confirmou que o deslizamento foi provocado pela combinação de derretimento glacial e instabilidade geológica, fenômenos intensificados pelas atividades humanas que aumentam as emissões de gases de efeito estufa.

Impacto humano e número de vítimas

Os números oficiais apontam para 1.308 fatalidades, sendo 1.287 no Nepal e 21 na China. A maioria das vítimas foi encontrada em áreas de baixa altitude, onde as águas da enchente avançaram rapidamente.

Além dos mortos, mais de 5.620 pessoas ainda são consideradas desaparecidas. Dentre elas, mais de 800 estrangeiros de mais de 30 nacionalidades, incluindo turistas de trilha e peregrinos hindus que se dirigiam ao Monte Kailash.

  • 583 desaparecidos no Nepal
  • 261 desaparecidos na China
  • aproximadamente 900 trabalhadores de usinas hidrelétricas
  • cerca de 500 possivelmente presos em túneis subterrâneos

Os necrotérios locais estão lotados, o que levou as autoridades a autorizar sepultamentos sem identificação formal, baseados em exames de DNA, para evitar riscos sanitários.

Operações de resgate e respostas das autoridades

Equipes de emergência conseguiram salvar dois trabalhadores de um túnel da usina Trishuli 3A, a aproximadamente 170 metros de profundidade. O resgate foi registrado em imagens do Exército nepalês, que mostraram o trabalhador emergindo coberto de lama e perguntando: “Que dia é hoje?”.

As buscas foram interrompidas na tarde da sexta‑feira após os socorristas não detectarem novos sinais de vida. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, declarou que ainda mantém esperança de que alguns desaparecidos possam estar vivos, enfatizando que “milagres acontecem”.

Os governos dos dois países ativaram planos de contingência, mobilizando forças armadas, equipes de busca e organizações não governamentais. Também foram distribuídas mantas, alimentos e suprimentos médicos para as comunidades mais afetadas.

Perspectivas e lições para o futuro

O desastre evidencia a vulnerabilidade das regiões de alta montanha a eventos climáticos extremos. Autoridades locais já planejam reforçar a vigilância de glaciares e instalar sensores de movimento para detectar deslocamentos de massa.

Especialistas recomendam a criação de corredores de evacuação e a construção de barragens de retenção que possam conter fluxos de lama em caso de novos colapsos. Investimentos em infraestrutura resiliente são vistos como essenciais para reduzir perdas humanas.

Organizações internacionais têm alertado para a necessidade de reduzir as emissões de carbono, pois a frequência e a intensidade de eventos como este tendem a crescer. A comunidade científica reforça que a adaptação às mudanças climáticas deve ser prioridade nas políticas públicas.

Enquanto as famílias das vítimas aguardam notícias, a solidariedade global se manifesta por meio de campanhas de arrecadação de fundos e doações de equipamentos de resgate. A esperança de encontrar sobreviventes ainda alimenta o esforço contínuo das equipes de busca.

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