O senador Cleitinho Azevedo, eleito governador de Minas Gerais para assumir em 2027, respondeu à acusação de ser esquerdista ao defender o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração ocorreu em entrevista concedida ao jornal O Estado de Minas na última semana, após a vitória nas urnas no domingo, 4 de outubro.
Motivações pessoais para a proposta de mudança
Cleitinho conta que sua postura vem de vivência direta no comércio informal, onde trabalhou de segunda a segunda, cumprindo jornadas de 7×7. Ele relata que, ao conseguir um salário melhor, tentou proporcionar descanso ao pai, que acabou falecendo antes de ter esse alívio.
Essa experiência pessoal o fez enxergar a jornada 6×1 como injusta e insustentável para trabalhadores que dependem de múltiplas fontes de renda. Ele afirma que conhece o peso de um dia sem pausa, e que a política deve refletir essa realidade.
Além da história familiar, o senador destaca que a proposta também busca reduzir acidentes de trabalho e melhorar a saúde mental dos empregados. Ele cita estudos que relacionam jornadas extensas a maior índice de doenças ocupacionais.
- Redução de fadiga e estresse;
- Melhoria da produtividade a longo prazo;
- Contribuição para a diminuição de afastamentos médicos;
- Alinhamento com normas internacionais de trabalho.
Esses pontos, segundo ele, são argumentos sólidos que vão além de rótulos ideológicos e se baseiam em dados concretos.
Crítica ao discurso dos políticos conservadores
Durante a entrevista, Cleitinho criticou políticos que se opõem ao fim da jornada 6×1 enquanto desfrutam de benefícios como plano de saúde vitalício, apartamento funcional, carro oficial e salários superiores a 40 mil reais.
Ele questiona a moralidade de quem defende políticas que favorecem apenas a elite política, afirmando que o verdadeiro patrão é o povo. “Político tem que servir ao povo”, declarou, reforçando a ideia de que a gestão pública deve priorizar o bem‑estar coletivo.
O governador eleito ainda ressaltou que sua própria rotina no Senado segue uma escala de 2×5, com trabalho concentrado em terças e quartas‑feiras, o que demonstra que ele conhece a necessidade de equilibrar carga horária e eficiência.
Ele argumenta que a resistência ao fim da 6×1 vem de uma visão estreita de poder, que não considera as necessidades reais da classe trabalhadora. Segundo Cleitinho, a solução está em políticas que unam justiça social e desenvolvimento econômico.
Reação nas redes sociais e posicionamento futuro
Nas redes sociais, internautas rapidamente rotularam o senador como “esquerdista” por defender a mudança. Uma comentarista escreveu que estava ansiosa para ver Cleitinho descobrir que sua posição era de esquerda.
Em resposta, o político rejeitou a dicotomia direita‑esquerda, afirmando que busca ser justo para todos os cidadãos. “Não agrado apenas um lado; busco ser justo”, declarou, pedindo que se reconheça a existência de um só povo.
Ele reforçou que seu governo terá como prioridade a criação de políticas inclusivas, independentemente de rótulos partidários. O governador eleito prometeu que, ao assumir em 2027, vai trabalhar para que a legislação estadual reflita a necessidade de jornadas mais humanas.
Além da questão da jornada, Cleitinho destacou que pretende investir em infraestrutura rural, melhorar a educação básica e ampliar o acesso à saúde nas regiões mais vulneráveis de Minas Gerais.
O senador também anunciou que pretende criar um grupo de trabalho com representantes de sindicatos, empresas e especialistas em saúde ocupacional para estudar a melhor forma de implementar o fim da 6×1 sem prejudicar a competitividade das empresas.
Essa iniciativa visa garantir que a transição seja feita de maneira gradual, oferecendo incentivos fiscais às empresas que adotarem a nova jornada antes do prazo legal.
Nos comentários do próprio jornal, Cleitinho enfatizou que a mudança não é um “corte de direitos”, mas sim uma atualização das normas trabalhistas para o século XXI.
Ele ainda citou exemplos de estados e países que já adotaram jornadas reduzidas e observaram aumento da produtividade e satisfação dos trabalhadores.
Para o governador eleito, a questão central é equilibrar o desenvolvimento econômico com a dignidade humana, evitando que o modelo de exploração persista nas relações de trabalho.
Ao final da entrevista, Cleitinho reafirmou seu compromisso de governar para todos, sem distinção de ideologia, classe social ou região do estado.
Ele concluiu dizendo que a vitória nas urnas, com 6.321.590 votos — 55,40% do total — demonstra que a população confia em sua capacidade de conduzir mudanças estruturais.
Com a vitória expressiva sobre o deputado Patrus Ananias, Cleitinho Azevedo tem agora a tarefa de transformar promessas em políticas concretas, mantendo o foco na justiça social e no desenvolvimento sustentável de Minas Gerais.








