Uma pesquisa recente da Datafolha revelou os principais fatores que impediram eleitores de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo, 8 de outubro, em todo o território nacional. O levantamento, divulgado na sexta-feira, 9 de outubro, identificou viagem, problemas de saúde, desinteresse e compromissos de trabalho como as razões predominantes.
Motivos da abstência no primeiro turno
Os dados apontam que a taxa de abstenção atingiu um recorde histórico, chegando a 21% do total de eleitores aptos, o que representa mais de 33 milhões de brasileiros que deixaram de votar. Esse número supera a média das últimas eleições e evidencia um cenário de desengajamento que preocupa analistas políticos.
- Viagem ao exterior ou a outras cidades no dia da votação;
- Problemas de saúde ou necessidade de cuidados médicos;
- Falta de interesse ou percepção de que a eleição não trará mudanças;
- Compromissos de trabalho que impediram a ida à seção eleitoral.
Além dos quatro fatores acima, a pesquisa revelou que alguns eleitores citaram ainda a dificuldade de acesso ao local de votação e a falta de informação sobre o horário como obstáculos adicionais. No entanto, esses motivos apareceram com menor frequência quando comparados aos quatro principais citados.
A metodologia empregada incluiu entrevistas telefônicas com 2.520 pessoas com idade a partir de 16 anos, realizadas nos dias 6 e 7 de outubro. O estudo foi contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, e a margem de erro foi de dois pontos percentuais para mais ou para menos, conforme registro sob o código BR-02949/2026 no TSE.
Percepções sobre os candidatos no segundo turno
Quando questionados sobre o impacto que a vitória de cada candidato poderia ter em suas vidas, 43% dos eleitores afirmaram que esperam que nada mude caso o candidato do Partido dos Trabalhadores seja eleito. Essa parcela indica uma expectativa de manutenção do status quo entre uma parte considerável do eleitorado.
Por outro lado, 36% dos entrevistados acreditam que a vida melhoraria se o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, vencer, enquanto 35% temem que a situação pioraria sob sua gestão. Essa divisão quase equilibrada demonstra a polarização que ainda marca o cenário político brasileiro.
Os números mostram ainda que a percepção de melhoria ou piora está associada a fatores como políticas econômicas, segurança pública e programas sociais, embora a pesquisa não tenha aprofundado esses aspectos em detalhes. O resultado evidencia que a decisão dos eleitores no segundo turno ainda está em aberto e pode ser influenciada por campanhas e debates.
Importância dos debates e o papel da mídia
Quanto à relevância dos debates presidenciais, 78% dos participantes consideraram muito importante a presença dos dois principais candidatos nos encontros ao vivo. Esse alto índice reflete a demanda por transparência e oportunidade de confronto direto entre as propostas.
Um percentual menor, 11%, avaliou como pouco importante, enquanto 10% considerou irrelevante a participação dos candidatos nos debates. Apenas 2% dos entrevistados não souberam responder, indicando que a grande maioria tem opinião formada sobre o assunto.
Especialistas apontam que a cobertura da mídia, especialmente em plataformas digitais, tem potencial para amplificar ou minimizar o impacto dos debates, dependendo da linha editorial adotada. Assim, a forma como as discussões são apresentadas ao público pode influenciar a decisão final dos eleitores.
Em síntese, a pesquisa Datafolha traz um panorama complexo: alta taxa de abstenção motivada por questões práticas e pessoais, percepções divididas sobre os candidatos e forte demanda por debates transparentes. Esses elementos deverão ser monitorados nas próximas semanas, à medida que a campanha para o segundo turno se intensifica.








