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Negociação entre BRB e Banco Master: detalhes da reunião na Suíça e implicações políticas

Em janeiro de 2025, representantes do Banco de Brasília (BRB), do Banco Master e do governo do Distrito Federal se encontraram em Zurique, na Suíça, para discutir a possível aquisição do Master pelo BRB. A reunião contou com a presença do então governador Ibaneis Rocha, do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O encontro foi identificado pela Polícia Federal em documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

Contexto da negociação

As tratativas começaram a ser preparadas ainda em outubro de 2024, quando o BRB lançou uma operação de captação de recursos que visava arrecadar até um bilhão de reais para ampliar seu capital social. Essa estratégia foi apresentada como parte de um plano maior de consolidação no setor bancário regional, mas, segundo a investigação, tinha como objetivo final a compra do Banco Master.

O relatório da Polícia Federal indica que a decisão de levar a negociação para fora do país foi tomada para evitar o escrutínio imediato das autoridades brasileiras e para garantir a confidencialidade dos acordos preliminares. Zurique, reconhecida como um centro financeiro internacional, oferecia um ambiente propício para discussões discretas entre os executivos.

Durante a reunião, foram abordados aspectos técnicos da operação, como a avaliação de ativos, a estrutura de capital a ser utilizada e os mecanismos de financiamento. Os participantes também discutiram a necessidade de criar veículos de investimento que mascarassem a identidade dos beneficiários finais.

Um ponto central foi a proposta de adquirir carteiras de crédito do Banco Master, que já havia sido iniciada em outubro de 2024. O BRB teria comprado, inicialmente, R$ 9,52 bilhões em créditos, com a expectativa de que esse volume alcançasse R$ 16,7 bilhões ao final de 2025.

Para facilitar a transação, foram criados fundos de investimento com nomes neutros, como Borneo, Verbier e Delta. Esses fundos foram estruturados especificamente para ocultar a participação efetiva do BRB e do governador nas operações.

  • Borneo – fundo de capital fechado com investidores estrangeiros.
  • Verbier – veículo de investimento criado em paraíso fiscal.
  • Delta – fundo de participação que canalizava recursos para a compra de ativos do Master.

O uso desses instrumentos financeiros foi apontado como tentativa de evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada, prática que a Polícia Federal classificou como fraude.

Detalhes das transações e suspeitas

De acordo com mensagens extraídas dos celulares de Paulo Henrique Costa e de Daniel Vorcaro, a negociação avançou rapidamente após a reunião suíça. Costa informou a Vorcaro que Ibaneis havia solicitado a marcação de um novo encontro para alinhar as decisões estratégicas antes de qualquer deliberação formal nos órgãos de governança do BRB.

Os investigadores ressaltam que, durante esse período, o governador teria exercido influência direta em quatro frentes distintas, interferindo nas decisões que normalmente seriam tomadas pelos conselhos de administração e auditoria. Essa centralização de poder é descrita como “interferência política direta na condução da instituição financeira pública”.

Além da compra de carteiras de crédito, o relatório aponta que o BRB utilizou recursos de fundos de investimento para adquirir participações indiretas no Banco Master, integrando-o à sua estrutura acionária sem a necessidade de uma compra acionária tradicional.

A prática de adquirir carteiras de crédito antes da compra efetiva do banco é conhecida como “pré-aquisição de ativos”. Essa estratégia permite ao comprador assumir parte dos riscos e dos lucros do banco alvo antes da formalização da operação.

Segundo a PF, o volume de crédito adquirido pelo BRB entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 totalizou R$ 9,52 bilhões, número que poderia chegar a R$ 16,7 bilhões em um ano, conforme projeções internas dos executivos envolvidos.

Os documentos também revelam que, após a reunião em Zurique, foram trocados e‑mails que detalhavam a necessidade de “esconder a trilha” dos recursos, indicando que a operação tinha consciência de sua potencial irregularidade.

Em resposta às acusações, o advogado de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que ainda está analisando o relatório antes de se manifestar publicamente. A defesa de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa ainda não se pronunciou.

Repercussões políticas e legais

A divulgação dos documentos pela Polícia Federal provocou um intenso debate sobre a separação entre poderes e a responsabilidade dos agentes públicos ao intervir em negócios privados. Analistas políticos apontam que o caso pode representar um marco na jurisprudência sobre a atuação de governadores em operações financeiras de grande porte.

O Supremo Tribunal Federal recebeu o relatório da PF e ainda não se pronunciou sobre a admissibilidade de possíveis medidas cautelares contra os envolvidos. Enquanto isso, o BRB tem mantido sua postura de que todas as operações foram realizadas dentro da legalidade.

Especialistas em direito bancário destacam que a utilização de fundos offshore para mascarar beneficiários pode configurar crime de lavagem de dinheiro, além de violar normas de transparência exigidas pelo Banco Central.

Se as investigações confirmarem a existência de um esquema de ocultação de beneficiários, os responsáveis poderão enfrentar processos criminais por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de recursos públicos.

O caso também reacendeu a discussão sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de controle interno nas instituições financeiras públicas. Muitos sugerem a criação de auditorias independentes e a ampliação da participação da sociedade civil na fiscalização de grandes operações bancárias.

Para a população do Distrito Federal, a notícia trouxe preocupação quanto à destinação de recursos públicos e à transparência das decisões tomadas pelos seus representantes. Organizações de combate à corrupção já se mobilizaram para exigir maior clareza nos processos de aquisição de ativos por bancos públicos.

Em meio ao cenário de tensão, o governador Ibaneis Rocha continua exercendo seu mandato, mas a pressão política pode influenciar sua agenda e a percepção da população sobre sua gestão.

O caso ainda está em desenvolvimento, e novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento, tanto no âmbito judicial quanto no político. Acompanhe as atualizações para entender como essa trama pode mudar o panorama financeiro do Distrito Federal.

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