Em 2024, o mercado brasileiro de smartphones dobráveis recebeu uma nova onda de dispositivos que adotam o formato passaporte, prometendo melhorar a experiência do usuário. A mudança foi impulsionada por fabricantes como Samsung, Motorola e Google, que lançaram modelos com telas externas curtas e largas e internas retangulares.
Formato passaporte: a solução para a usabilidade
O formato passaporte surge como resposta direta ao problema conhecido como “ginástica de dedos”, que afligia os primeiros dobráveis. Quando dobrados, esses aparelhos exibiam telas externas estreitas que exigiam que o usuário abrisse o dispositivo para digitar mensagens simples.
Ao adotar uma tela externa mais curta e larga, o design passa a lembrar um smartphone tradicional, facilitando o alcance de todos os cantos com o polegar. Desdobrado, o interior ganha proporções retangulares, permitindo que dois aplicativos sejam exibidos lado a lado sem comprometer a legibilidade.
Essa nova proporção também reduz as barras pretas que apareciam em vídeos widescreen, melhorando a imersão audiovisual. Para quem lê, a diagramação lembra a de um livro de papel, tornando a leitura mais confortável.
- Teclado mais espaçado e menos erros de digitação;
- Multitarefa fluida com duas janelas simultâneas;
- Experiência de vídeo sem bordas pretas;
- Leitura semelhante a um livro físico.
Principais lançamentos e a resposta do mercado
A Samsung liderou a transição ao dividir a família Galaxy Z Fold8 em duas variantes. O modelo padrão adotou o formato passaporte, com tela externa de 5,5 polegadas e interna de 7,6 polegadas, pesando apenas 201 gramas. Já o Z Fold8 Ultra manteve o design alongado tradicional.
Pesquisas de intenção de compra mostraram que 59% dos consumidores preferem a versão passaporte, enquanto apenas 26% optam pela Ultra. O diferencial apontado foi a praticidade no uso diário, e não a estética retro.
Motorola entrou na disputa com o Razr Fold, que combina tela externa de 6,6 polegadas e interna de 8,1 polegadas, além de bateria de silício‑carbono e sistema triplo de câmeras. O aparelho já está à venda no país e tem sido elogiado pela autonomia e pela largura da tela externa.
O Google, pioneiro do formato passaporte com o Pixel Fold de 2023, retornou ao conceito com o ainda não lançado Pixel 11 Pro Fold. Embora ainda não esteja disponível no Brasil, a expectativa é que ele continue a reforçar a tendência.
Impactos econômicos e projeções futuras
Enquanto o segmento tradicional de smartphones enfrenta estagnação, os dobráveis emergem como um nicho de alta rentabilidade. O mercado global de telas flexíveis foi avaliado em US$ 36,43 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 115,86 bilhões até 2034.
Os preços dos modelos ainda são elevados, variando entre R$ 9.199 e quase R$ 17.000, mas a aceitação crescente indica que a categoria está deixando a fase experimental. Consumidores dispostos a pagar mais por funcionalidade avançada podem impulsionar a adoção em massa nos próximos anos.
Analistas apontam que, se o formato passaporte continuar a evoluir em termos de durabilidade e custo de produção, ele pode se tornar o padrão de fato para dispositivos dobráveis. Isso abriria espaço para novos players e estimularia ainda mais a pesquisa em materiais flexíveis.
Em resumo, a convergência para o formato passaporte representa um marco importante na história dos smartphones dobráveis. A combinação de usabilidade aprimorada, design familiar e potencial de mercado robusto indica que a categoria está pronta para crescer de forma sustentável no Brasil e no mundo.








