Em outubro de 2020, a publicitária paraense Dina Carmona lançou o movimento Mulheres Fortes do Norte, com a missão de colocar as mulheres da região amazônica no centro das narrativas econômicas e culturais. A iniciativa, que já reúne dezenas de empreendedoras, atua principalmente em Belém, capital do Pará, e tem ampliado seu alcance para outras cidades do interior.
Origem e propósito do movimento
A proposta inicial foi oferecer ferramentas práticas a mulheres que, historicamente, ficam à margem das grandes histórias sobre a floresta. Dina destaca que a falta de representatividade gera insegurança e impede que muitas enxerguem possibilidades de futuro.
“Quando não temos autoestima, não temos protagonismo”, afirma a fundadora em entrevista exclusiva. O movimento, portanto, vai além de um simples programa de empoderamento; ele busca transformar a realidade social ao capacitar mulheres para o mercado digital.
Como funciona a capacitação
Os participantes têm acesso a mentorias individuais, cursos de marketing digital e workshops de produção de conteúdo. A metodologia inclui:
- Diagnóstico de necessidades de cada empreendedora;
- Treinamento em estratégias de venda online;
- Conexão com marcas que desejam apoiar negócios locais.
Segundo Dina, o maior obstáculo da região ainda é a comercialização dos produtos. “Ensinamos a criar conteúdo que gera valor e abre portas para novos mercados”, explica.
Além das aulas, o movimento funciona como uma rede de apoio, facilitando parcerias entre as participantes e empresas interessadas em responsabilidade social.
Presença em eventos e expansão
Nos dias 6 e 7 de outubro, as integrantes do grupo marcaram presença na feira de empreendedoras do IV Fórum Varanda da Amazônia, em Belém. O evento serviu como vitrine para mostrar o impacto da iniciativa e reforçar a importância de dar voz a quem mantém a floresta de pé.
Com o sucesso nas edições regionais, Dina está preparando a transição do projeto para uma organização não governamental. Essa mudança visa ampliar o alcance e garantir recursos mais estáveis para as ações de capacitação.
Visão cultural e matriarcado amazônico
Dina ressalta que a força das mulheres do Norte está profundamente ligada ao matriarcado presente nas comunidades. Mães e avós são as guardiãs de saberes, costumes e da própria cultura amazônica.
“Não se trata de romantizar a mulher nordestina, mas reconhecer a resiliência única que ela desenvolve diante dos desafios da região”, afirma. Essa perspectiva orienta o discurso do movimento, que defende que a Amazônia seja vista pelos seus próprios habitantes.
Ao contrário de narrativas externas que buscam “salvar” a floresta, o projeto enfatiza que a Amazônia é, antes de tudo, mulher – o rio, a floresta e as comunidades são personificações femininas que carregam conhecimento ancestral.
Impactos mensuráveis e futuro
Desde a sua criação, mais de 200 mulheres concluíram os cursos oferecidos, e muitas já reportam aumento de faturamento entre 30% e 80% após aplicar as estratégias aprendidas. Alguns negócios ganharam destaque em feiras nacionais, ampliando a visibilidade da produção local.
O próximo passo inclui a formalização da ONG, a criação de um fundo de microcrédito para as empreendedoras e a expansão das mentorias para comunidades ribeirinhas ainda mais isoladas.
“É emocionante ver o movimento crescer e alcançar novas fronteiras”, conclui Dina, que acredita que a multiplicação de histórias de sucesso pode inspirar uma nova geração de mulheres a assumir o protagonismo que lhes cabe.








