Na primeira semana do segundo turno da eleição presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram a disputa digital, gravando vídeos, lançando canais de WhatsApp e convocando apoiadores. O confronto ocorreu entre os dias 7 e 9 de outubro, nas capitais de Brasília e São Paulo, e se estendeu para todo o país.
Estratégia de Lula nas redes
Lula passou a produzir vídeos em formato selfie, buscando um tom mais próximo e informal para atrair eleitores jovens. Ele também reuniu um grupo de influenciadores digitais eleitos, criando uma força‑tarefa que atua diretamente nas plataformas sociais.
O encontro aconteceu na sede da campanha em Brasília, onde foram definidos planos de ação para ampliar o alcance das mensagens. A equipe destacou que a vitória no primeiro turno mudou a estratégia, exigindo uma presença mais agressiva online.
Entre as ações previstas, estão:
- Publicação diária de vídeos curtos com mensagens de campanha.
- Compartilhamento de infográficos explicando propostas como tarifa zero e geração de empregos.
- Mobilização de seguidores para comentar e curtir publicações oficiais.
A deputada Ana Elisa (PT‑MG) reforçou a necessidade de uma atuação mais intensa da esquerda nas redes, apontando que a direita ganhou força a partir de 2018. Ela acredita que a presença digital pode virar a maré nas urnas.
Outra parlamentar, Luna Zarattini (PT‑SP), descreveu o encontro como o início de uma “primeira ação digital” coordenada, focada nos eleitores que ainda não decidiram no primeiro turno.
O deputado Jones Manoel (PSOL‑PE) acrescentou que a equipe vai direcionar mensagens para públicos específicos: baixa renda, mulheres e jovens, destacando propostas como redução do custo de vida.
A resposta de Flávio Bolsonaro
Do lado de Flávio Bolsonaro, aliados criaram o canal “Tropa do Flávio” no WhatsApp, incentivando apoiadores a replicar conteúdos favoráveis ao candidato. O senador Gustavo Gayer (PL‑GO) divulgou o canal em vídeo, acusando Lula de montar uma “milícia digital”.
Nikolas Ferreira (PL), eleito com mais de 3 milhões de votos, lançou um vídeo contestando ponto a ponto as declarações de Lula, usando sua base de mais de 22 milhões de seguidores no Instagram.
Essas ações foram acompanhadas por uma série de publicações que chamam atenção para supostas fake news e tentam descredibilizar a narrativa do petista.
Além dos vídeos, a equipe de Flávio organizou:
- Grupos de apoio no Telegram para coordenar respostas rápidas.
- Listas de transmissão no WhatsApp para difundir mensagens de ataque.
- Campanhas de “share” nas redes sociais, incentivando o uso de hashtags específicas.
O objetivo, segundo os estrategistas, é criar um efeito de bola de neve que amplifique o alcance das mensagens em tempo real.
Canais de WhatsApp e a guerra de compartilhamento
Ambas as campanhas utilizam o WhatsApp como ferramenta central. O “Exército do Lula”, comandado pelo deputado André Janones (Rede‑MG), foi criado em abril e funciona como um hub de orientação para apoiadores.
Os participantes recebem metas de compartilhamento, instruções de como usar legendas persuasivas e sugestões de imagens para aumentar o engajamento. O canal também divulga documentos oficiais e respostas a ataques.
Do outro lado, a “Tropa do Flávio” segue a mesma lógica, mas com foco em contra‑ataques e na divulgação de conteúdo que questiona a integridade da campanha de Lula.
Especialistas em comunicação política afirmam que a competição por atenção nas redes sociais tem se tornado tão decisiva quanto o debate tradicional na TV. Eles apontam que o número de mensagens enviadas diariamente pelos dois grupos supera milhões.
Para ilustrar a magnitude da disputa, segue um resumo dos números divulgados por ambas as equipes:
- Exército do Lula: mais de 150 mil participantes ativos.
- Tropa do Flávio: cerca de 120 mil participantes registrados.
- Vídeos de Lula: mais de 2 milhões de visualizações em 48 horas.
- Vídeos de Flávio: mais de 1,8 milhão de visualizações no mesmo período.
Os resultados mostram que a batalha digital ainda está em fase de expansão, e que cada clique pode influenciar a decisão de milhares de eleitores indecisos.
Ao final da semana, Flávio Bolsonaro comemorou quase 56 milhões de visualizações combinadas em seus canais, enquanto Lula registrou um aumento de 30% no engajamento das publicações oficiais.
Analistas preveem que a disputa continuará nos próximos dias, com novos formatos de conteúdo, como lives conjuntas, podcasts e desafios virais, que prometem manter o público conectado até o dia da votação.








