Em 2024, a Netflix lançou o drama jurídico brasileiro “Habeas Corpus”, protagonizado por Marjorie Estiano e Any Gabrielly, que traz à tona as fragilidades do sistema de justiça do país. As duas atrizes concederam entrevistas ao G1, explicando como a preparação para os papéis as fez vivenciar, de perto, as contradições e os erros que podem transformar vidas. O foco da série está na revisão criminal, mas o título faz referência ao habeas corpus, instrumento constitucional que protege a liberdade de locomoção.
Preparação das atrizes e imersão no sistema judicial
Marjorie Estiano mergulhou em documentos de processos, participou de visitas a fóruns e conversou diariamente com advogados especializados em defesa criminal. Any Gabrielly, ainda adolescente, acompanhou a atriz em pesquisas de casos reais e em encontros com membros da ONG Innocence Project Brasil, que luta por condenações injustas.
O trabalho de campo resultou em um aprendizado que ultrapassou o roteiro. Ambas relataram que a experiência mudou a percepção sobre o papel do Estado na garantia dos direitos fundamentais.
- Visita a tribunais de primeira instância;
- Entrevistas com defensores públicos e promotores;
- Estudo de processos de revisão criminal que tiveram sucesso;
- Participação em workshops sobre direitos humanos.
Essas atividades permitiram que as personagens da série fossem construídas com base em fatos reais, conferindo credibilidade ao drama.
A trama de “Habeas Corpus” e a revisão criminal
Na série, Marjorie interpreta a professora e advogada criminalista Inez Franco, que lidera um grupo de estudantes de Direito em busca de provas que possam anular condenações definitivas. Any Gabrielly dá vida a Marina, uma aluna bolsista que se une ao grupo motivada por questões pessoais e pela vontade de combater injustiças.
O caso central gira em torno de Jonathan, interpretado por Hipólyto, um jovem de 19 anos condenado a 47 anos de prisão por homicídio, embora novas evidências apontem para sua inocência. A revisão criminal, prevista no Código de Processo Penal, permite reabrir processos quando surgem provas que não foram consideradas na fase original.
Ao contrário do que muitos espectadores podem imaginar, o habeas corpus não é o mecanismo utilizado para libertar Jonathan. O título da série funciona como um chamariz, enquanto a revisão criminal se apresenta como a verdadeira ferramenta de esperança para os injustiçados.
Impacto esperado no público e reflexões sobre a justiça
Marjorie Estiano destacou que a série tem o potencial de mudar a forma como a população enxerga o Judiciário. “Quando a justiça falha, o Estado deixa de cumprir seu papel de garantir cidadania”, afirmou a atriz, ressaltando a importância de um sistema eficaz.
Any Gabrielly acrescentou que a narrativa pode despertar empatia e incentivar o debate sobre a necessidade de reformas. “As falhas que descobri são desumanas e cruéis; elas podem destruir uma vida inteira”, disse a jovem artista.
Os criadores da série esperam que o público questione ideias pré-concebidas sobre crime, punição e a suposta infalibilidade das decisões judiciais. A intenção é gerar discussões nas redes sociais, em salas de aula de Direito e até mesmo em ambientes corporativos, onde a responsabilidade social está em pauta.
Além do entretenimento, “Habeas Corpus” serve como ferramenta educativa, apresentando, de maneira acessível, conceitos como contraditório, ampla defesa e o peso das provas. Ao final, a série convida o espectador a refletir sobre a importância de mecanismos que permitam corrigir erros judiciais, evitando que pessoas inocentes permaneçam presas.
Com uma narrativa que combina drama pessoal e análise jurídica, a produção reforça a necessidade de um sistema judicial mais transparente, ágil e comprometido com a verdade. O sucesso da série pode abrir caminho para outras produções que abordem temas sociais críticos, ampliando o debate nacional sobre justiça e direitos humanos.








