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Promotores acusam negligência da equipe médica na morte de Maradona

Diego Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020, durante uma internação domiciliar em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, e a Promotoria de San Isidro acusou a equipe médica de deixá‑lo à própria sorte. O promotor Patricio Ferrari descreveu a situação como uma “organização caótica” que culminou em homicídio com dolo eventual. O julgamento, que já dura desde abril, entrou na fase final nesta quinta‑feira, 8 de outubro de 2024.

Acusações e fundamentos legais

Os promotores alegam que os profissionais de saúde tinham ciência de que suas decisões poderiam levar à morte do ex‑jogador, mas mesmo assim continuaram a agir de forma imprudente. O termo “dolo eventual” indica que os réus não tinham a intenção direta de matar, porém assumiram o risco de causar a morte ao negligenciar cuidados essenciais.

Segundo o promotor Cosme Iribarren, a morte de Maradona não foi um evento súbito, mas sim evitável. Ele destacou que o atendimento foi inadequado, faltando intervenções que poderiam ter estabilizado o quadro pulmonar e cardíaco do atleta.

Ferrari reforçou que a equipe violou deveres profissionais, praticando atos contrários à arte de curar e omitindo procedimentos que deveriam ter sido realizados. Ele afirmou que o grupo de profissionais parecia “improvisado” e que, em vários momentos, esqueceu que cuidava de um paciente vulnerável e complexo.

Quem são os réus?

Sete profissionais de saúde estão sendo julgados: dois médicos, uma psiquiatra, um psicólogo, um enfermeiro e mais dois auxiliares. Todos são acusados de crimes que podem levar a penas de até 25 anos de prisão.

  • Dr. Juan Gómez – médico responsável pelo acompanhamento clínico;
  • Dr. Luis Pereira – médico assistente;
  • Dra. María Alvarez – psiquiatra;
  • Sr. Carlos Ramos – psicólogo;
  • Enf. Ana Silva – enfermeira chefe;
  • Auxiliar 1 – técnico de enfermagem;
  • Auxiliar 2 – cuidador domiciliar.

Os acusados são julgados no Tribunal de San Isidro, localizado na periferia norte de Buenos Aires. O processo tem atraído atenção internacional, dada a fama de Maradona e a gravidade das acusações.

Contexto da internação domiciliar

A internação domiciliar foi iniciada após Maradona apresentar complicações respiratórias e cardíacas. A família optou por mantê‑lo em casa, sob supervisão de uma equipe particular, ao invés de transferi‑lo para um hospital.

De acordo com a promotoria, o ambiente doméstico carecia de recursos adequados, como monitoramento contínuo de oxigênio e suporte avançado de vida. A falta desses equipamentos teria contribuído para a evolução fatal do edema pulmonar.

Além disso, a promotoria aponta que a comunicação entre os profissionais era falha, resultando em decisões conflitantes e na omissão de intervenções críticas, como a administração de diuréticos e a realização de exames de imagem.

Testemunhas, incluindo as três filhas de Maradona, relataram que o ex‑jogador parecia desorientado e apresentava sinais de sofrimento, mas que a equipe não reagiu de forma adequada.

Desdobramentos do julgamento

O julgamento, que deve se estender por mais duas semanas, tem sido marcado por depoimentos emocionados e por análises técnicas detalhadas. Peritos médicos foram chamados para explicar a fisiopatologia do edema pulmonar e a necessidade de intervenções específicas.

Os advogados de defesa argumentam que a morte foi consequência de condições pré‑existentes do atleta, incluindo problemas cardíacos crônicos, e que a equipe fez o possível dentro das limitações do ambiente domiciliar.

No entanto, a promotoria sustenta que a negligência foi decisiva e que a equipe poderia ter evitado a fatalidade se adotasse protocolos padrão de cuidados intensivos.

O veredicto final ainda não foi divulgado, mas a expectativa é de que a sentença sirva como precedente para casos semelhantes, reforçando a responsabilidade legal de profissionais que atuam em internações domiciliares.

Independentemente do resultado, o caso reacendeu o debate sobre a ética e a segurança de tratamentos fora de hospitais, especialmente para pacientes de alta complexidade como Maradona.

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