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Mortalidade cardiovascular no Brasil pode subir 10,8% até 2030, alerta Sociedade Brasileira de Cardiologia

Uma pessoa morre a cada 72 segundos no Brasil devido a doenças cardiovasculares, segundo dados divulgados nesta quinta‑feira (8) pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O levantamento aponta que, em 2024, foram registrados 417.550 óbitos e projeta um aumento de 10,8% até 2030, totalizando 462.573 mortes. A informação foi apresentada no 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro.

Panorama atual da mortalidade cardiovascular

Os números recentes revelam que, em média, 1.194 brasileiros perdem a vida por problemas cardíacos ou vasculares a cada dia, o que equivale a cerca de 50 mortes por hora. Embora a taxa de mortalidade padronizada por idade tenha caído 36% nas duas últimas décadas, o volume absoluto de óbitos continua crescendo. Essa contradição evidencia que os avanços no diagnóstico e tratamento ainda não são suficientes para conter o total de fatalidades.

Os especialistas atribuem a queda da taxa à detecção precoce de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC) nas unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais. O tratamento imediato reduz complicações e aumenta as chances de sobrevivência, mas a prevenção ainda apresenta lacunas significativas. O cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, do Instituto do Coração (InCor), destaca que o controle dos fatores de risco permanece abaixo do ideal.

Fatores de risco que impulsionam as mortes

Entre as principais causas que alimentam a epidemia cardiovascular, destacam‑se condições que podem ser monitoradas e tratadas. A hipertensão arterial, o diabetes, o colesterol elevado, o tabagismo, a obesidade e o estresse são apontados como os maiores vilões. Cada um desses fatores aumenta a probabilidade de eventos graves, como infarto e AVC, especialmente quando não recebem acompanhamento adequado.

  • Hipertensão arterial: pressão alta não controlada danifica vasos e coração.
  • Diabetes: eleva o risco de aterosclerose e compromete a circulação.
  • Colesterol elevado: favorece a formação de placas nas artérias.
  • Tabagismo: reduz a oxigenação do sangue e promove inflamação vascular.
  • Obesidade: sobrecarrega o coração e está ligada a outras doenças crônicas.
  • Estresse crônico: desencadeia respostas hormonais que prejudicam o sistema cardiovascular.

O controle desses fatores exige ações conjuntas entre pacientes, profissionais de saúde e políticas públicas. Estratégias como a ampliação de programas de rastreamento, a oferta de medicamentos gratuitos e campanhas de educação são essenciais para reverter a tendência de alta mortalidade.

Projeções e possibilidades de mudança

As projeções da SBC indicam que, se as tendências dos últimos vinte anos permanecerem, o número de mortes por doenças cardiovasculares pode alcançar 462.573 até 2030. Contudo, esses cenários são baseados em modelos que consideram a continuidade dos atuais padrões de risco e acesso ao tratamento. Alterações positivas nos hábitos da população e na oferta de serviços de saúde podem mudar esse panorama.

Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma de dados da SBC, enfatiza que as estimativas não são inevitáveis. “A previsão pode ser modificada se houver avanços significativos na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”, afirma. Ele ainda aponta que melhorias na qualidade dos registros de óbitos podem influenciar as projeções, reduzindo possíveis distorções.

Para transformar o futuro, especialistas recomendam investimentos em três áreas-chave: ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, garantir tratamento adequado e implementar políticas de prevenção eficazes. Programas de rastreamento em escolas, postos de saúde e locais de trabalho podem identificar indivíduos em risco antes que a doença se consolide.

O papel da sociedade e das políticas públicas

A população tem um papel ativo na redução das mortes cardiovasculares ao adotar hábitos saudáveis e buscar acompanhamento médico regular. A prática regular de atividade física, uma alimentação balanceada e a cessação do tabagismo são medidas comprovadamente eficazes. Além disso, a adesão ao tratamento prescrito para hipertensão, diabetes e colesterol é fundamental para evitar complicações.

Do lado das autoridades, políticas que facilitem o acesso a medicamentos essenciais, como anti-hipertensivos e estatinas, são cruciais. Investimentos em infraestrutura de saúde, especialmente em regiões vulneráveis, garantem que o diagnóstico precoce seja uma realidade nacional. Campanhas de conscientização massiva, com apoio de mídias digitais e tradicionais, ajudam a disseminar informações sobre prevenção.

Em síntese, embora o Brasil tenha avançado na redução da taxa de mortalidade cardiovascular, o volume absoluto de mortes ainda representa um desafio de saúde pública. A combinação de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento efetivo pode mudar a trajetória projetada para 2030, salvando milhares de vidas.

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