Na manhã de 16 de outubro de 2024, a filha de 18 anos de Halle Berry, Nahla Aubry, compareceu ao Tribunal Superior de Los Angeles para prestar depoimento em defesa da mãe. O objetivo foi contestar as acusações de agressão física apresentadas pelo ex‑marido da atriz, o ator francês Olivier Martinez, e influenciar a decisão sobre a guarda do filho adolescente, Maceo, de 13 anos.
Contexto da disputa de guarda
A controvérsia começou quando Martinez solicitou uma ordem de restrição temporária e pediu a modificação emergencial da guarda compartilhada. Ele alegou que, no final de setembro, Berry teria agredido e sufocado Maceo com um “mata‑leão” durante uma discussão.
Essas alegações desencadearam uma batalha judicial intensa, que inclui documentos extensos, testemunhos e avaliações de profissionais de saúde mental. O caso ganhou grande repercussão na mídia, devido ao envolvimento de celebridades e ao delicado tema da parentalidade de um filho neurodivergente.
Além das acusações de violência, o processo também aborda a necessidade de intervenções médicas e terapêuticas para Maceo, que apresenta necessidades especiais. A defesa argumenta que o pai tem dificultado o acesso a esses cuidados, criando um cenário de tensão constante entre os genitores.
Depoimento de Nahla Aubry
No depoimento, Nahla descreveu a mãe como “uma mulher dedicada e amorosa”, afirmando nunca ter presenciado comportamentos violentos por parte de Berry. “Em todos os meus anos vivendo com minha mãe, nunca a vi agir de forma violenta com ninguém”, declarou a adolescente.
Ela enfatizou que, ao observar a relação entre Berry e Maceo, nunca viu golpes de estrangulamento ou tapas. “Minha mãe é uma mulher dedicada e amorosa. As alegações são completamente incompatíveis com a pessoa que conheço”, acrescentou Nahla, reforçando a credibilidade do seu testemunho.
A jovem ainda explicou que a suposta “brincadeira” mencionada por Martinez seria, na verdade, uma dinâmica habitual entre mãe e filho. Maceo, por ser neurodivergente, costuma iniciar jogos que envolvem esforço físico, o que pode ter sido interpretado de forma equivocada.
Segundo Nahla, a situação descrita por Martinez ocorreu quando Berry tentava recuperar seu telefone, que havia sido deslocado durante a brincadeira. Ela afirmou que a atriz nunca teve a intenção de machucar o filho, apenas reagiu a um momento inesperado.
Reação da defesa de Halle Berry
A defesa de Halle Berry apresentou uma petição de quase 200 páginas ao tribunal, contestando veementemente as acusações. O documento classifica as alegações como infundadas e destaca que o caso não se trata de violência doméstica, mas sim de uma disputa sobre cuidados médicos e terapêuticos.
Entre os argumentos centrais da defesa, estão os seguintes pontos:
- As supostas agressões são interpretações equivocadas de brincadeiras habituais entre mãe e filho.
- Maceo possui necessidades neurodivergentes que exigem intervenções específicas, as quais a mãe tem buscado garantir.
- O ex‑marido tem dificultado o acesso a tratamentos médicos, criando um ambiente de conflito que pode ser confundido com violência.
- Testemunhos de familiares e profissionais corroboram a imagem de Berry como cuidadora dedicada.
Além disso, a petição destaca que a ordem de restrição solicitada por Martinez foi concedida sem a devida análise aprofundada das circunstâncias, o que poderia prejudicar a estabilidade emocional de Maceo.
A defesa também apresentou relatórios de psicólogos que atestam a boa relação entre Berry e seu filho, bem como a ausência de histórico de violência no lar. Esses documentos reforçam a tese de que as alegações são parte de uma estratégia de controle da guarda.
O tribunal, por sua vez, marcou uma nova audiência para o dia 16 de outubro, data em que serão avaliadas as medidas de proteção e o futuro da guarda de Maceo. A decisão poderá definir se a guarda continuará compartilhada ou se haverá alterações significativas.
Enquanto isso, a mídia e o público acompanham o desenrolar do caso, que levanta questões importantes sobre a proteção de crianças neurodivergentes em contextos de disputa parental. A situação também evidencia a necessidade de procedimentos judiciais mais claros ao lidar com alegações de abuso que podem ser mal interpretadas.
Especialistas em direito de família ressaltam que, em casos como este, a prioridade deve ser sempre o bem‑estar da criança, considerando tanto a saúde física quanto a emocional. Eles recomendam avaliações independentes e a participação de assistentes sociais para garantir decisões equilibradas.
Para Halle Berry, o processo representa mais um desafio pessoal e profissional. A atriz, conhecida por sua carreira premiada, tem buscado equilibrar a vida pública com a responsabilidade de mãe de um filho que requer atenção especial.
Em entrevista recente, Berry enfatizou que seu foco permanece no filho e na garantia de que ele receba o apoio necessário. “Minha prioridade é a saúde e a felicidade de Maceo. Não deixarei que acusações infundadas interfiram no seu desenvolvimento”, afirmou.
O caso ainda não chegou a uma conclusão, mas a participação de Nahla Aubry como testemunha pode influenciar significativamente a percepção do juiz. Seu depoimento, ao reforçar a imagem de mãe amorosa e dedicada, adiciona um elemento humano à disputa jurídica.
Observadores apontam que o testemunho de uma filha adulta, que convive diariamente com a mãe, tem peso considerável em processos de custódia, especialmente quando há divergências sobre a interpretação de comportamentos cotidianos.
À medida que o julgamento se aproxima, ambas as partes continuam a reunir evidências, depoimentos e relatórios médicos. A expectativa é que o tribunal leve em conta não apenas as alegações de abuso, mas também a necessidade de um ambiente estável e de apoio para Maceo.
Em síntese, o caso de Halle Berry e Olivier Martinez ilustra como questões familiares podem se transformar em disputas judiciais complexas, envolvendo acusações graves, direitos de guarda e a proteção de menores com necessidades especiais.








