No domingo, 4 de outubro de 2026, os eleitores de São Paulo escolheram duas figuras marcantes para a Assembleia Legislativa: Luiza Erundina, de 91 anos, e Eduarda Campopiano, de 23. Ambas assumirão seus mandatos na próxima legislatura, representando extremos de idade e de experiência política.
Luiza Erundina: a veterana que retorna ao estado
Luiza Erundina, filiada ao PSOL, já tem uma história que atravessa quatro décadas da política brasileira. Eleita prefeita de São Paulo em 1988, tornou‑se a primeira mulher a ocupar o cargo na capital.
Depois de dois mandatos como deputada federal, ela decidiu concorrer novamente à Assembleia Legislativa, onde já atuou como deputada estadual nos anos 1990. Na eleição de 2026, recebeu 169.567 votos, suficiente para garantir a vaga mais velha da Casa.
A trajetória de Erundina começou em Uiraúna, no sertão da Paraíba, onde nasceu e se formou em Serviço Social pela UFPB. Seu mestrado em Ciências Sociais, concluído em São Paulo, abriu caminho para a carreira acadêmica, que foi interrompida pela militância camponesa.
Durante a ditadura militar, sua candidatura a professor foi barrada, forçando sua mudança para a capital paulista. Lá, construiu uma carreira política sólida, passando por vereança, deputado estadual, prefeitura e, finalmente, pelo Congresso Nacional.
Hoje, Erundina traz para a Alesp a experiência de quem já participou de todas as esferas do poder. Seu discurso continua focado em direitos sociais, igualdade de gênero e combate à desigualdade.
Além da bancada do PSOL, que conquistou nove cadeiras, Erundina contará com o apoio de outras forças progressistas na Casa, como o PT, que tem a segunda maior bancada.
Seu retorno à legislatura estadual após 40 anos reforça a ideia de que a experiência pode ser um ativo valioso em tempos de polarização política.
Eduarda Campopiano: a jovem que conquistou o eleitorado conservador
Eduarda Campopiano, representante do PL, nasceu em Campinas em 22 de julho de 2003 e se destacou rapidamente como influenciadora digital. Em 2024, foi eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos, tornando‑se a mais jovem da história da Câmara Municipal.
Na disputa de 2026, sua campanha foi totalmente baseada na comunicação digital, usando vídeos curtos, lives e posts direcionados ao eleitorado conservador. Defendeu a família tradicional, a vida desde a concepção e a presença de princípios cristãos na política.
Com 1.956.238 votos, Campopiano foi a candidata mais votada da história da Alesp, ficando atrás apenas de Janaína Paschoal, que recebeu cerca de 2 milhões de votos em 2018.
Seu discurso se opôs firmemente ao feminismo contemporâneo, à chamada “cultura woke” e a políticas progressistas, alinhando‑se ao bolsonarismo e ao governo de Tarcísio de Freitas.
Além da vitória pessoal, o PL foi o partido que mais ganhou cadeiras na Assembleia, elegendo 28 deputados, quase um terço da Casa.
- Partido Liberal (PL): 28 deputados
- PSD: 12 deputados
- União Brasil: 9 deputados
- Podemos: 5 deputados
- PP: 4 deputados
A força do PL, impulsionada pela votação recorde de Campopiano, consolidou a base do governador reeleito Tarcísio de Freitas, garantindo maior estabilidade para a agenda governamental.
Apesar da juventude, Campopiano demonstra conhecimento de estratégias eleitorais modernas, mostrando como a presença digital pode transformar campanhas tradicionais.
Seu futuro na Alesp será observado de perto, principalmente nas discussões sobre educação, família e valores religiosos.
O panorama da nova Assembleia Legislativa de São Paulo
A eleição de 2026 contou com 23,2 milhões de votos válidos, além de 3 milhões de votos brancos e nulos. O índice de abstenção atingiu recorde histórico, com 7,6 milhões de eleitores (22,5% do eleitorado) deixando as urnas vazias.
Além do PL, a maioria da bancada governista foi formada por alianças entre PSD, União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e MDB, totalizando 63 dos 94 deputados.
O PT, por sua vez, manteve a segunda maior bancada, com 15 deputados, embora tenha perdido duas cadeiras em relação à legislatura anterior.
O PSOL, que ampliou sua presença, garantiu nove assentos, reforçando a diversidade ideológica dentro da Casa.
Com essa composição, o governo de Tarcísio de Freitas possui uma base confortável para aprovar projetos de infraestrutura, segurança pública e reformas fiscais nos próximos quatro anos.
Entretanto, a expressiva presença da oposição, sobretudo do PT e do PSOL, garante debates intensos sobre temas como direitos humanos, meio ambiente e políticas sociais.
Os analistas apontam que a presença de Erundina e Campopiano simboliza o contraste entre gerações e ideologias, podendo gerar tanto confrontos quanto oportunidades de diálogo intergeracional.
Para a sociedade civil, a nova Alesp representa um laboratório de experimentação política, onde estratégias digitais e experiência institucional coexistem.
Observadores internacionais destacam que a eleição demonstra a crescente importância das redes sociais na formação de lideranças políticas, sobretudo entre os jovens.
O futuro da Assembleia será, portanto, marcado por negociações entre blocos conservadores, progressistas e centristas, com a expectativa de que questões como educação, saúde e segurança ocupem o centro do debate.








