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Os principais gargalos do agronegócio que o próximo presidente precisará enfrentar

O agronegócio brasileiro chega ao primeiro trimestre de 2026 com crescimento expressivo no PIB, mas carrega uma série de desafios que exigirão atenção imediata do novo mandatário. Especialistas apontam que questões como financiamento rural caro, seguro agrícola insuficiente, dependência de fertilizantes importados e defasagem de infraestrutura ainda não foram resolvidas. O cenário se desenha como um teste de capacidade de gestão em apenas quatro anos de mandato.

Financiamento e seguro rural: custos que freiam investimentos

O custo elevado do crédito rural se destaca como o principal obstáculo para produtores que desejam expandir suas operações. Juros altos, combinados com o aumento de pedidos de recuperação judicial, fazem os bancos adotarem critérios mais rigorosos na concessão de empréstimos. Essa seletividade cria um efeito em cadeia, reduzindo o volume de investimentos antes mesmo da fase produtiva.

Segundo Felippe Serigati, da Fundação Getulio Vargas (FGV), apenas 3% da produção agropecuária está coberta por seguro, um número que evidencia a vulnerabilidade dos produtores frente a eventos climáticos extremos. O pesquisador destaca que a falta de cobertura impede a recuperação rápida após perdas, afetando a confiança dos investidores.

Para reverter esse quadro, a nova Lei 15.526/2026, publicada no Diário Oficial em 30 de março, estabelece um marco regulatório que torna obrigatória a subvenção ao prêmio do seguro rural. A medida visa blindar o orçamento contra cortes e garantir que o Fundo de Catástrofe esteja sempre disponível para compensar prejuízos climáticos.

  • Redução dos juros mediante linhas de crédito com taxa diferenciada;
  • Ampliação da cobertura de seguro para pelo menos 20% da produção;
  • Incentivo à criação de produtos de seguro adaptados a riscos regionais.

Riscos climáticos e a legislação de seguro

Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, têm se tornado mais frequentes nos últimos anos, pressionando ainda mais o sistema de seguros. A lei recém-aprovada inclui a regulamentação do Fundo de Catástrofe, que será alimentado por recursos obrigatórios, reduzindo a dependência de decisões orçamentárias anuais.

Além da obrigatoriedade da subvenção, a norma cria mecanismos de monitoramento de riscos, permitindo que seguradoras ajustem prêmios de forma mais ágil e transparente. Essa previsibilidade beneficia tanto produtores quanto instituições financeiras, que passam a contar com dados mais confiáveis para avaliação de risco.

Especialistas apontam que, para que a lei tenha efeito pleno, é fundamental que os credores e tomadores de crédito alinhem suas expectativas. Produtores precisam organizar suas contas e demonstrar capacidade de pagamento, enquanto bancos devem revisar suas carteiras para incorporar novos parâmetros de risco.

Dependência de fertilizantes importados: vulnerabilidade estratégica

O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes químicos que utiliza, o que expõe o agronegócio a instabilidades geopolíticas. Conflitos em regiões produtoras, como o Estreito de Ormuz, podem interromper rotas marítimas e elevar os preços internacionais, impactando diretamente os custos de produção.

O Plano Nacional de Fertilizantes, criado para reduzir essa dependência, ainda está em fase de implementação e traz resultados de longo prazo. Enquanto as plantas de produção nacional não atingem capacidade plena, a diversificação de fornecedores permanece como estratégia imediata.

Serigati recomenda que o governo incentive a produção de potássio, fósforo e nitrogênio no território nacional, além de apoiar pesquisas que aumentem a eficiência do uso de insumos. A adoção de tecnologias de agricultura de precisão também pode reduzir a quantidade necessária de fertilizantes, mitigando a pressão sobre o mercado externo.

  • Investimento em plantas de produção de fertilizantes estratégicos;
  • Parcerias público‑privadas para desenvolvimento de fertilizantes de baixo custo;
  • Programas de treinamento para uso racional de insumos.

Infraestrutura e abertura de mercados: pilares para a competitividade

A deficiência de infraestrutura logística – estradas, ferrovias e portos – encarece o escoamento da produção agropecuária. Custos de transporte elevados reduzem a margem de lucro dos produtores e tornam os produtos brasileiros menos competitivos no exterior.

Especialistas sugerem que o próximo governo priorize a modernização de corredores logísticos, especialmente aqueles que conectam regiões produtoras ao porto de Santos e ao complexo portuário de Paranaguá. A ampliação de terminais intermodais pode otimizar o fluxo de grãos e reduzir perdas pós-colheita.

Paralelamente, a abertura de novos mercados exige acordos comerciais que garantam condições favoráveis para exportação de commodities agrícolas. A diversificação de destinos, especialmente para mercados da Ásia e da África, pode compensar eventuais barreiras tarifárias impostas por parceiros tradicionais.

Em síntese, a combinação de políticas de longo prazo, investimentos públicos e engajamento da iniciativa privada será decisiva para transformar os gargalos atuais em oportunidades de crescimento sustentável.

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