Home / Entretenimento / Documentário revela os bastidores emocionais de Ney Matogrosso no Carnaval 2026

Documentário revela os bastidores emocionais de Ney Matogrosso no Carnaval 2026

Ney Matogrosso foi o centro das atenções na noite de 3 de outubro de 2026, quando o documentário ‘Ney por trás das máscaras’ foi exibido como hors concours da mostra Première Brasil, no Festival do Rio. O filme, dirigido por Esmir Filho em co‑direção com Thais Guisasola, mergulha nos bastidores da preparação da escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o desfile do Carnaval 2026. A obra revela momentos íntimos do cantor, mas também destaca uma persistente trava emocional que ainda o acompanha.

O filme e sua proposta

Com uma abordagem que combina crônica pessoal e registro de processo criativo, o documentário propõe uma visão desnudada do artista, sem filtros de glamour. Esmir Filho, conhecido por seu blockbuster “Homem com H” (2025), traz para a tela a mesma sensibilidade de revelar o homem por trás da figura pública. A co‑direção de Thais Guisasola acrescenta um olhar mais sensível às nuances psicológicas de Ney.

O roteiro, escrito por Esmir Filho, João Maia e Thais Guisasola, alterna cenas de preparação carnavalesca com momentos do cotidiano do cantor. Essa alternância cria um ritmo que aproxima o espectador da dualidade entre o espetáculo e a intimidade. O resultado é uma narrativa que, embora rica em imagens, ainda luta para romper a barreira emocional que o próprio Ney admite.

Entre as sequências mais marcantes, o filme destaca:

  • O banho matinal de Ney, filmado em plano fechado, onde o artista se mostra vulnerável.
  • A visita à fazenda de 140 hectares em Sampaio Correia, onde ele solta uma jiboia na mata atlântica.
  • Os ensaios nos barracões da Imperatriz Leopoldinense, com costureiras e mestres de bateria.
  • O momento no camarim do Nubank Parque, antes da apresentação da turnê “Bloco na rua”.

Essas cenas são intercaladas por depoimentos curtos, onde Ney fala sobre sua relação com a mãe, Beita de Souza Pereira, que faleceu aos 103 anos em março de 2026. A menção à mãe traz um tom melancólico que reforça a ideia de que, apesar das máscaras, o artista carrega memórias profundas.

Os bastidores do Carnaval e da fazenda

A Imperatriz Leopoldinense preparou o enredo “Camaleônico” como homenagem ao cantor, e o documentário captura o caos criativo dos preparativos. Costureiras trabalham madrugada adentro, enquanto músicos afinam instrumentos que ainda não tocarão. Ney aparece interagindo com esses profissionais, sem traços de afetação, demonstrando respeito pelo trabalho coletivo.

Além do samba, o filme leva o público à fazenda de Ney, localizada na Região dos Lagos. Ali, o artista costuma libertar animais silvestres, prática que tem autorização do Ibama. A cena da jiboia deslizando entre as folhas simboliza, para alguns críticos, a busca de Ney por liberdade interior.

Entretanto, a presença constante da câmera também evidencia a dificuldade do artista em se desfazer de certas defesas. Mesmo quando está nu, ao secar o corpo após o banho, a expressão facial revela um homem ainda guardando reservas. Essa tensão cria um contraste marcante entre o corpo exposto e a alma protegida.

Emoções e limites do artista

Ao longo do filme, Ney repete a frase “Eu sou travado nessa questão emocional”, reforçando a ideia de que a vulnerabilidade ainda é um território incômodo. Essa declaração, feita quase ao final da obra, funciona como um ponto de ancoragem para o espectador compreender a complexidade do personagem.

Comparações são inevitáveis com o documentário “Olho nu” (2014), de Joel Pizzini, que já havia explorado a dualidade entre o palco e a natureza. Enquanto Pizzini usou cortes abruptos para sugerir liberdade, Esmir opta por longas tomadas que, paradoxalmente, aumentam a sensação de aprisionamento.

O público que acompanha Ney desde a década de 70 reconhece a ousadia estética do artista, mas também percebe que a coragem externa pode não se traduzir em liberdade interna. O documentário, ao mostrar o cantor em contato com costureiras, músicos e sua própria família, revela que o verdadeiro desafio está em aceitar a própria fragilidade.

Ao final, o desfile da Imperatriz Leopoldinense, com o tema “Camaleônico”, se apresenta como metáfora visual da identidade mutável de Ney. No entanto, a câmera não captura um momento de completa libertação; ao contrário, a última cena mostra o artista observando a multidão, ainda distante de se soltar completamente diante das lentes.

Em síntese, “Ney por trás das máscaras” oferece um panorama rico de bastidores, mas deixa o espectador com a sensação de que a verdadeira apoteose emocional ainda está por vir. O filme cumpre seu papel de registrar um capítulo importante da cultura carioca, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de Ney confrontar suas próprias barreiras internas.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
3:29 am, out 4, 2026
temperature icon 17°C
Céu limpo
1013 mb
Hora
4:00 am
temperature icon
17°/17°°C 0 mm 19% 10 Km/h 91% 1014 mb 0 cm
7:00 am
temperature icon
19°/23°°C 0 mm 8% 16 Km/h 77% 1015 mb 0 cm
10:00 am
temperature icon
26°/28°°C 0 mm 3% 25 Km/h 52% 1014 mb 0 cm
1:00 pm
temperature icon
26°/29°°C 0 mm 9% 24 Km/h 50% 1012 mb 0 cm
4:00 pm
temperature icon
25°/26°°C 0.37 mm 27% 17 Km/h 59% 1011 mb 0 cm
7:00 pm
temperature icon
19°/21°°C 2.75 mm 68% 17 Km/h 88% 1016 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
19°/20°°C 0 mm 31% 6 Km/h 92% 1015 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
19°/20°°C 0 mm 31% 6 Km/h 92% 1015 mb 0 cm