A reta final da eleição presidencial de 2026 coloca Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em uma disputa apertada, com resultados divergentes nos três maiores colégios eleitorais do país. As pesquisas divulgadas no programa VEJA em Foco, exibido na última semana de campanha, apontam variações significativas entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O cientista político Leo Barreto destaca que ainda há um contingente de eleitores indecisos que pode influenciar o resultado no domingo de votação.
Panorama das pesquisas nos principais estados
O levantamento do Datafolha mostrou que, considerando apenas os votos válidos, Flávio Bolsonaro lidera em São Paulo com 39% de intenção de voto, enquanto Lula registra 38%. Em uma simulação de segundo turno no estado, os números se invertem: Flávio chega a 48% contra 45% de Lula.
Em Minas Gerais, a situação se inverte. Lula aparece com 42% no primeiro turno, superando os 36% de Flávio. Na hipótese de segundo turno, o petista amplia a vantagem, alcançando 48% contra 44% do candidato de Brasília.
No Rio de Janeiro, Flávio volta a liderar, obtendo 45% de apoio, enquanto Lula registra 38%. Em um cenário de segunda fase, o governador atinge 51% contra 42% do concorrente.
- São Paulo: 39% (Flávio) x 38% (Lula) – 2ª volta 48% x 45%
- Minas Gerais: 42% (Lula) x 36% (Flávio) – 2ª volta 48% x 44%
- Rio de Janeiro: 45% (Flávio) x 38% (Lula) – 2ª volta 51% x 42%
O papel dos eleitores indecisos
Barreto alerta que a última semana de campanha tem sido marcada por movimentações intensas nas pesquisas, indicando que parte do eleitorado ainda está consolidando sua escolha. “Esse é o momento em que os eleitores estão tomando posição, estão fazendo ali a sua colinha”, afirmou o especialista.
Segundo o cientista político, entre 10% e 15% do eleitorado ainda não está plenamente alinhado a nenhum dos candidatos. Embora esse grupo seja pequeno, ele pode exercer um impacto desproporcional no resultado final, especialmente nos estados onde a disputa está mais equilibrada.
Ele acrescentou que esses eleitores podem decidir até o próprio domingo da eleição, o que aumenta a importância de eventos de última hora, como debates e entrevistas.
Impacto da ausência de debate
O cancelamento do debate da Globo, previsto para a reta final da campanha, foi citado como um fator que pode prejudicar os indecisos. Debates nesse estágio costumam oferecer aos candidatos a oportunidade de se apresentar diretamente ao eleitor que ainda não se identificou com nenhum dos polos.
Barreto ressalta que, sem esse momento de confronto direto, os candidatos dependem mais de campanhas de mídia, visitas a comícios e estratégias digitais para convencer o eleitor ainda em dúvida.
Ele também destacou que, nos estados onde a vantagem está mais estreita – como São Paulo e Rio de Janeiro – a falta de debate pode favorecer o candidato que já possui maior visibilidade na mídia tradicional.
Conclusões e perspectivas para o domingo
Os números divulgados pelo Datafolha reforçam que Lula e Flávio chegam à reta final com desempenhos distintos nos três maiores colégios eleitorais. Enquanto o governador de Rio de Janeiro lidera em São Paulo e no próprio Rio, o petista mantém vantagem em Minas Gerais.
Barreto enfatiza que, mais do que oferecer uma previsão definitiva, as pesquisas ajudam a mapear a dinâmica da eleição nos últimos dias antes da votação. “Os indecisos vão esperar até domingo para isso”, afirmou.
Em um cenário marcado por diferenças regionais e variações recentes nos levantamentos, a reta final deixa de ser apenas o encerramento formal da campanha e passa a concentrar uma parcela relevante da decisão eleitoral.
Assim, a estratégia dos candidatos nas próximas 48 horas – seja através de visitas a bairros, anúncios segmentados ou mobilização de bases partidárias – pode ser decisiva para converter os eleitores ainda em dúvida e garantir a vitória no pleito presidencial de 2026.








