O Estado de São Paulo confirmou, na manhã de 28 de fevereiro de 2026, a ocorrência de 40 casos de sarampo, doença viral altamente contagiosa que tem voltado a ameaçar a saúde pública. As notificações foram feitas pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE‑SP) e todos os pacientes são residentes da capital e de municípios da região metropolitana. O aumento dos casos está associado, sobretudo, a pessoas que não completaram o esquema vacinal ou que nunca foram vacinadas.
Distribuição dos casos e perfil epidemiológico
Dos quarenta pacientes confirmados, trinta apresentavam ausência total de registro vacinal ou tinham o esquema interrompido antes da segunda dose. Três das novas infecções foram detalhadas pelo CVE‑SP: um homem de 21 anos, uma bebê de apenas oito meses que recebeu somente a primeira dose e um jovem de 18 anos sem nenhum registro de imunização.
A maioria dos casos – trinta e seis – ocorreu na própria capital, enquanto duas ocorrências foram registradas em São Bernardo do Campo, uma em Guarulhos e outra em Santo André. Nas áreas urbanas da capital, os focos se concentraram em regiões densamente povoadas e com intenso fluxo migratório, o que facilita a disseminação do vírus.
Um ponto alarmante é que cerca de sessenta por cento dos pacientes são crianças menores de dois anos, faixa etária que ainda não completou o calendário básico de vacinação contra o sarampo. Esse dado reforça a necessidade da chamada “dose zero” em municípios que adotam a estratégia de imunização precoce.
Cadeias de transmissão e medidas de controle
As autoridades de saúde identificaram quatro cadeias de transmissão ao longo do ano. A primeira, detectada entre março e abril, envolvia dois casos importados e foi declarada encerrada após doze semanas sem novos relatos ligados a ela.
As demais cadeias surgiram nos meses de junho, julho e agosto e ainda permanecem sob vigilância ativa das equipes municipais e estaduais. Para considerar uma cadeia interrompida, o critério oficial exige um intervalo de 90 dias – ou doze semanas – sem a aparição de novos casos relacionados, contados a partir do início das manchas cutâneas do último paciente confirmado.
Mesmo durante esse período de observação, a investigação de suspeitas e a busca ativa de casos continuam ininterruptas. A confirmação laboratorial dos três casos recentes ocorreu dentro do contexto de monitoramento já em curso, demonstrando a eficácia do sistema de vigilância.
Esquema de vacinação contra o sarampo no estado
A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde dos seiscentos e quarenta‑e‑cinco municípios paulistas. O esquema oficial recomenda duas doses, aplicadas em momentos diferentes da infância, e pode ser complementado por uma dose única de reforço em situações de risco ou surtos.
- Primeira dose: administrada entre 12 e 15 meses de idade.
- Segunda dose: aplicada entre 4 e 6 anos de idade, antes da entrada no ensino fundamental.
- Dose de reforço: indicada para adolescentes e adultos que não completaram o esquema ou que vivem em áreas de alta circulação viral.
Além da vacinação, as autoridades recomendam a manutenção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e a cobertura da boca ao tossir ou espirrar, especialmente em ambientes com grande concentração de crianças.
O governo estadual reforça que a tendência atual aponta para uma redução gradual da transmissão, mas alerta que a interrupção completa só será possível com a adesão plena da população ao calendário vacinal. Em cidades como Guarulhos e São Bernardo do Campo, as equipes de vigilância continuam monitorando a possibilidade de encerrar as cadeias ainda ativas.








