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Violência nas escolas francesas: protestos estudantis resultam em incêndios e agressão a diretora

Na manhã de 1º de outubro de 2024, manifestações estudantis se espalharam por várias cidades da França, culminando em ataques a escolas e ferimentos a uma diretora em Marselha. Os episódios ocorreram em meio a uma onda de greves que já mobiliza centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Incêndios e confrontos nas escolas

Em Marselha, a diretora da escola secundária Victor Hugo foi atingida por gasolina lançada por manifestantes, ficando ferida e precisando de atendimento médico. Enquanto isso, o caminhão dos bombeiros enviado para apagar as chamas foi cercado por jovens, forçado a recuar e, posteriormente, incendiado.

Na mesma cidade, o colégio Saint‑Exupéry sofreu um incêndio provocado por manifestantes que bloquearam o acesso dos socorristas. O fogo foi controlado pelos bombeiros, mas o prédio ficou gravemente danificado, obrigando a evacuação de todos os estudantes.

Em Nantes, no oeste da França, a escola secundária Nelson Mandela também foi alvo de um incêndio. O fogo foi rapidamente contido, não resultando em feridos, porém as aulas foram suspensas e os alunos foram enviados para casa.

Em Saint‑Denis, nos arredores de Paris, a polícia foi confrontada por estudantes que acusaram as forças de segurança de usar gás lacrimogêneo de forma excessiva. O confronto terminou com a retirada dos agentes e a prisão de alguns manifestantes.

Reivindicações e contexto da mobilização

Os estudantes iniciaram as manifestações na semana passada, exigindo melhorias estruturais nas escolas e maior investimento em recursos humanos. Entre as principais demandas estão a contratação de mais professores, a ampliação de salas de aula e a adequação dos ambientes ao calor intenso que afeta o aprendizado.

Além das questões educacionais, a mobilização se conecta a protestos de servidores públicos que reivindicam reajustes salariais e a revogação do congelamento do índice de cálculo de salários, que não foi ajustado desde 2017.

Os manifestantes apontam que, apesar de dois reajustes ocorridos em 2022 e 2023, a inflação acumulada deve alcançar 24,17% até o final de 2026, segundo o instituto nacional de estatísticas (Insee). Essa disparidade alimenta a percepção de injustiça entre os trabalhadores do setor público.

  • Contratação de novos professores
  • Ampliação de salas e melhoria da ventilação
  • Reajuste salarial compatível com a inflação
  • Revisão do índice de cálculo de salários

Os protestos estudantis também denunciam a superlotação das salas, que impede a aplicação de metodologias pedagógicas mais eficazes. Em algumas regiões, as escolas chegam a ter até 40 alunos por bancada, dificultando a atenção individualizada.

Repercussões políticas e respostas do governo

O primeiro‑ministro francês, Sébastien Lecornu, enfrenta forte pressão ao tentar avançar com um plano de austeridade que prevê cortes de 54 bilhões de euros no orçamento até 2027. As medidas são vistas como um risco para a manutenção de salários e serviços públicos.

Em reunião de emergência realizada na mesma quinta‑feira, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou que grupos organizados estavam se deslocando de escola em escola para incitar atos de violência. O chefe da pasta de Educação, Édouard Geffray, recomendou a adoção de aulas remotas em colégios que apresentem risco de novos confrontos.

O governo enfatizou que a violência não impedirá o direito fundamental à educação, destacando que as aulas presenciais serão retomadas assim que a segurança for garantida. Contudo, a situação permanece tensa, sobretudo com a proximidade da eleição presidencial prevista para abril e maio de 2027.

Até o momento, as autoridades registraram mais de 440 detenções, a maioria de menores de idade, e estimam que cerca de 200 mil pessoas participaram de mais de 170 manifestações em todo o país. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) chegou a contabilizar mais de 300 mil participantes.

Enquanto isso, a extrema‑direita francesa ganha espaço no Senado, obtendo recorde de cadeiras, o que pode influenciar ainda mais o debate sobre as políticas de austeridade e os direitos trabalhistas.

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