Um levantamento recente da consultoria Michael Page mostrou que apenas 15% das organizações tratam o conhecimento em inteligência artificial como requisito obrigatório ao contratar novos talentos. O dado foi coletado em 2024, envolvendo milhares de profissionais e empresas de diversos setores em todo o Brasil.
O panorama atual das exigências de IA
O Guia Salarial 2027 da Michael Page entrevistou 5.762 profissionais e 1.955 empresas, analisando mais de 400 cargos em 15 segmentos econômicos. Os resultados indicam que, embora a maioria das companhias reconheça a importância da IA, poucos a consideram indispensável.
Para 36% das organizações, a habilidade em IA acrescenta pontos na avaliação dos candidatos, mas não é mandatória. Já 20% consideram essa competência apenas para posições específicas, como analistas de dados ou desenvolvedores de software.
Somando esses dois grupos, pouco mais da metade das empresas valorizam candidatos que sabem usar ferramentas de IA, porém apenas uma pequena parcela impõe esse requisito como condição de contratação.
Em contraste, 30% das empresas afirmam que a inteligência artificial não influencia de forma alguma a decisão de contratação, mantendo os critérios tradicionais de experiência e formação acadêmica.
- 15% exigem IA como requisito obrigatório;
- 36% dão pontos extras, mas não exigem;
- 20% consideram IA apenas em cargos específicos;
- 30% não dão peso à IA na seleção;
- 99% reconhecem algum benefício no uso de IA.
Esses números revelam um cenário ainda fragmentado, onde a adoção da IA ainda não se consolidou como padrão nas políticas de recrutamento.
Estudos contrastantes sobre a valorização da IA
Enquanto o Guia Salarial aponta para uma adoção cautelosa, outra pesquisa traz um panorama diferente. O estudo “Habilidades em Alta 2025”, realizado pelo LinkedIn, analisou dados da própria plataforma e destacou a inteligência artificial como a competência mais demandada no Brasil.
O ranking do LinkedIn mostrou que profissionais que dominam IA têm maior visibilidade nas buscas de recrutadores, o que pode gerar mais oportunidades de entrevista e processos seletivos.
Essa divergência entre os estudos não indica erro, mas sim diferentes focos de análise: um aborda a perspectiva das empresas, enquanto o outro reflete a demanda percebida pelos profissionais nas redes de emprego.
Além disso, o Guia Salarial revelou que 92% dos participantes reconhecem benefícios claros no uso da IA no dia a dia de trabalho, sendo o aumento de produtividade citado por 47% como a principal vantagem.
Lucas Oggiam, diretor‑executivo da Michael Page Brasil, explicou que as organizações ainda estão identificando quais funções realmente se beneficiam da IA para justificar a inclusão desse critério nas contratações.
Ele afirmou: “Se duas pessoas têm acesso à mesma ferramenta, mas uma consegue economizar tempo, melhorar decisões ou evitar erros relevantes, essa diferença começa a entrar na conversa sobre contratação, carreira e remuneração.”
Impactos na remuneração e perspectivas futuras
Quando o assunto se volta para salários, a distância entre expectativas de empregados e políticas empresariais permanece grande. Apenas 23% das empresas já consideram a competência em IA como fator de diferenciação salarial.
Outra 37% avalia a possibilidade de adotar esse critério no futuro, enquanto 32% ainda acreditam que o domínio da tecnologia não deve alterar a remuneração.
Do lado dos profissionais, a percepção é oposta: 57% acreditam que quem domina ferramentas de IA deveria receber um salário maior, refletindo o valor agregado ao negócio.
Entretanto, Oggiam alerta que a simples familiaridade com chatbots e assistentes virtuais pode deixar de ser um diferencial competitivo à medida que essas ferramentas se popularizam.
Ele destaca que a valorização futura dependerá da capacidade do profissional de transformar o uso da IA em ganhos reais para a empresa, como redução de custos, aumento de receita ou melhoria de processos.
Em síntese, a tendência aponta para uma evolução gradual: inicialmente, o conhecimento básico em IA será esperado como requisito mínimo; depois, competências avançadas e resultados mensuráveis serão os verdadeiros motores de diferenciação salarial.
Para os candidatos que desejam se destacar, a recomendação é investir em certificações específicas, projetos práticos que demonstrem impacto real e manter-se atualizado sobre as ferramentas emergentes no mercado.
Ao alinhar habilidades técnicas com resultados concretos, os profissionais aumentam suas chances de transformar o domínio da IA em um argumento sólido durante negociações de salário e promoções.








