Na manhã da segunda‑feira, 28 de agosto de 2024, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) participou de um ato de campanha na capital paulista e ergueu uma representação de Nossa Senhora Aparecida. O gesto foi uma resposta direta a uma notícia falsa que alegava que o candidato pretendia retirar a santa como padroeira do Brasil.
O contexto da campanha em São Paulo
Flávio Bolsonaro chegou ao centro de São Paulo acompanhado de figuras importantes do cenário político regional. Entre os presentes estavam o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP). Todos eles também são candidatos ao Senado e aproveitaram o evento para reforçar suas bases eleitorais.
A presença de líderes de diferentes partidos destacou a estratégia de união de forças conservadoras em um momento de intensificação da disputa presidencial. Cada um deles aproveitou a oportunidade para fazer declarações curtas, mas carregadas de simbolismo, visando atrair eleitores que valorizam a tradição religiosa e a defesa da família.
- Flávio Bolsonaro – senador e candidato à Presidência;
- Tarcísio Gomes de Freitas – governador de São Paulo;
- Ricardo Nunes – prefeito de São Paulo;
- André do Prado – presidente da Alesp;
- Guilherme Derrite – deputado federal.
O ato ocorreu em uma rua movimentada do centro da cidade, com apoio de milhares de simpatizantes que carregavam bandeiras, faixas e cartazes. A escolha do local visava garantir ampla cobertura da mídia e reforçar a mensagem de que a campanha está presente nos principais centros urbanos.
A reação ao boato sobre a padroeira do Brasil
Durante o percurso, Flávio e Tarcísio ergueram simultaneamente um boneco de crochê representando Nossa Senhora Aparecida, símbolo máximo da fé católica no país. O momento foi capturado por câmeras de imprensa e rapidamente viralizou nas redes sociais.
Em entrevista coletiva ao final do ato, o senador explicou que aguardava a nota oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), publicada no domingo anterior. Ele descreveu a informação de que a santa deixaria de ser a padroeira como “a maior fake news dessa campanha” e ressaltou que a nota da CNBB desmentiu categoricamente a alegação.
Flávio Bolsonaro também acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de ser responsável pela difusão da notícia falsa. Segundo ele, a ex‑ministra Simone Tebet compartilhou a informação em sua conta, e a publicação foi removida por ordem da Justiça Eleitoral, mas depois restabelecida por Flávio Dino.
Ele enfatizou que, embora seja evangélico, tem respeito por todas as crenças e que a desinformação não deve ser combatida com mais mentiras. A mensagem central foi de que a verdade deve prevalecer, independentemente das disputas partidárias.
Implicações políticas e religiosas
A CNBB, ao ser citada nas acusações, respondeu com uma nota oficial que condenou o uso indevido de seu nome. O comunicado destacou que atribuir à instituição participação na produção ou disseminação de desinformação, sem provas, é injusto e prejudica a serenidade do processo eleitoral.
Além de defender a própria imagem, a CNBB reforçou que a mentira não se combate com outra mentira, chamando a atenção para a necessidade de responsabilidade na comunicação política. Essa postura buscou afastar o debate religioso das estratégias eleitorais agressivas.
Para o eleitorado, o episódio trouxe à tona a importância das crenças na formação da opinião política. Muitos eleitores católicos viram o gesto de Flávio como uma demonstração de respeito à sua fé, enquanto críticos apontaram que a estratégia poderia ser vista como instrumentalização da religião para ganho eleitoral.
Analistas de comunicação apontam que a utilização de símbolos religiosos em campanhas eleitorais pode gerar tanto engajamento quanto polarização. No caso específico, a ação de Flávio Bolsonaro parece ter conseguido mobilizar sua base, ao mesmo tempo em que gerou críticas de setores que defendem a laicidade do Estado.
O incidente também reacendeu o debate sobre a eficácia das plataformas digitais no combate às fake news. A rapidez com que a informação foi desmentida pela CNBB e a subsequente repercussão nas redes sociais demonstram a necessidade de mecanismos ágeis de verificação.
Em resumo, o ato de campanha em São Paulo serviu como palco para uma disputa que vai além das urnas, envolvendo religião, mídia e estratégias de desinformação. O desfecho ainda está em construção, mas o episódio já deixou marcas importantes no cenário político nacional.








