Uma avalanche devastadora atingiu o acampamento-base da montanha Himlung, no Nepal, na manhã de domingo, 27 de setembro, causando quatro óbitos confirmados e deixando 14 pessoas desaparecidas.
Detalhes da tragédia
O deslizamento de neve ocorreu enquanto trabalhadores locais se organizavam para receber grupos de montanhistas estrangeiros que planejavam escalar o Himlung durante a temporada de outono.
Com mais de 7.100 metros de altitude, a montanha está situada no centro‑norte do Nepal, próxima à fronteira com o Tibete, região autônoma da China.
As fortes chuvas que assolavam o distrito de Manang naquele fim de semana criaram condições de instabilidade no gelo, favorecendo o colapso repentino.
Autoridades nepalesas haviam emitido alertas de clima severo para diversas áreas do país, mas a magnitude da avalanche ainda surpreendeu os socorristas.
Operações de busca e resgate
Uma equipe de oito guias experientes, liderada por Tul Sing Gurung, presidente da Associação Nacional de Guias de Montanha do Nepal, foi mobilizada imediatamente para as buscas.
Até o momento, dez pessoas foram encontradas vivas e evacuadas para áreas seguras com o apoio de helicópteros militares e civis.
O mau tempo impediu a chegada das equipes ao local até a noite de domingo, atrasando as intervenções de emergência.
Mingma G Sherpa, responsável pelas operações de busca, relatou nas redes sociais que o clima adverso dificultou o acesso e comprometeu a rapidez do socorro.
Helicópteros foram empregados para retirar os sobreviventes da altitude, enquanto os corpos das primeiras vítimas foram transportados por via aérea ao aeroporto de Katmandu e encaminhados ao Hospital Universitário Tribhuvan.
Impacto das enchentes anteriores e vínculo climático
O desastre se soma a um mês de calamidades que já afetou o Nepal, após as enchentes catastróficas de agosto, provocadas pelo colapso de uma geleira no Himalaia.
Aquele evento deixou, no mínimo, 1.446 mortos e mais de 6.000 desaparecidos nos dois países, gerando uma crise humanitária sem precedentes.
Entre os desaparecidos estavam centenas de turistas estrangeiros que praticavam trekking nas trilhas himalaias e peregrinos hindus a caminho do monte sagrado Kailash, no Tibete.
Estudos recentes indicam que o fim de agosto registrou temperaturas recordes na região, sugerindo um forte aquecimento que pode ter acelerado o derretimento das geleiras.
Especialistas apontam que o aumento de calor extremo pode estar ligado às mudanças climáticas globais, intensificando a frequência e a gravidade de deslizamentos de gelo e inundações repentinas.
Repercussões econômicas e planos de reconstrução
O Ministério das Relações Exteriores do Nepal, por meio do porta‑voz Lok Bahadur Chhetri, estimou que os custos de reconstrução do país ultrapassarão US$ 4,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 24,4 bilhões.
O governo já iniciou a mobilização de fundos de emergência e solicitou apoio internacional para atender às necessidades de vítimas, famílias enlutadas e infraestrutura danificada.
Organizações não‑governamentais e agências de ajuda humanitária também se posicionaram, oferecendo recursos logísticos, alimentos e abrigos temporários.
Para minimizar riscos futuros, as autoridades estão considerando a implementação de medidas preventivas, como monitoramento contínuo de geleiras, sistemas de alerta precoce e restrição temporária de atividades de trekking em áreas de alto risco.
- Instalação de sensores de movimento e temperatura nas principais rotas de montanha;
- Criação de zonas de exclusão durante períodos de forte precipitação;
- Capacitação de guias locais em protocolos de evacuação emergencial;
- Fortalecimento da comunicação entre agências meteorológicas e equipes de resgate.
Enquanto as buscas continuam, a população local mantém a esperança de encontrar os desaparecidos, ao mesmo tempo em que se prepara para enfrentar os desafios de uma temporada de outono marcada por condições climáticas imprevisíveis.








