Na noite de segunda‑feira, 28 de agosto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) esteve ao vivo em um podcast católico transmitido de São Paulo. O candidato à Presidência da República utilizou o programa para reafirmar a importância de Nossa Senhora Aparecida e para reiterar a acusação de que o PT teria criado uma fake news contra a padroeira do Brasil. A entrevista ocorreu logo após uma caminhada política ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em que a imagem da santa foi erguida diante de apoiadores.
O podcast católico e a defesa da padroeira
No início da transmissão, Flávio Bolsonaro explicou que a participação no programa fazia parte da estratégia de campanha em Minas Gerais, onde o senador estava realizando visitas a comunidades e jogando futebol com simpatizantes. Ele afirmou que, ao receber a imagem de Nossa Senhora Aparecida de um voluntário, sentiu a necessidade de demonstrar publicamente seu respeito pela fé católica, que representa a maioria dos eleitores brasileiros.
Durante a conversa, o senador destacou que a padroeira do Brasil tem um papel simbólico importante na identidade nacional e que qualquer tentativa de deslegitimá‑la seria “uma afronta à história e à cultura do país”. Ele ressaltou que a imagem foi erguida ao lado de Tarcísio de Freitas como sinal de união entre a família política e a tradição religiosa.
O apresentador do podcast, conhecido por abordar temas de espiritualidade e política, questionou Flávio sobre a origem da suposta fake news. O senador respondeu que viu a informação circulando nas redes sociais enquanto jogava futebol e que, imediatamente, percebeu a incoerência dos argumentos. “Como é que isso se espalhou tão rápido? Não tem pé nem cabeça”, disse ele, reforçando a ideia de que a notícia era fabricada.
Acusações contra o PT e a reação da CNBB
Flávio Bolsonaro não poupou críticas ao Partido dos Trabalhadores, alegando que a bancada do PT teria colaborado com membros da própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para gerar a falsa narrativa de que a Igreja planejava retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Segundo o senador, a estratégia teria sido usada para desestabilizar a campanha de direita e criar um clima de desconfiança entre eleitores católicos.
Ele afirmou que não há nenhum projeto de lei em tramitação no Congresso que vise mudar o status da santa, nem mobilização organizada de evangélicos ou outros grupos religiosos para esse fim. “É pura invenção, é a maior fake news desta campanha”, declarou, citando a nota oficial da CNBB que condenou a prática de combater notícias falsas com outras notícias falsas.
A CNBB, por sua vez, publicou uma resposta oficial em que enfatizou que a instituição não tem qualquer envolvimento na suposta disseminação de informações falsas. A nota destacou que “notícias falsas não se combatem com notícias falsas” e pediu que o debate fosse conduzido com base em fatos verificáveis.
- Flávio Bolsonaro acusa o PT de usar a CNBB como ferramenta de propaganda.
- A CNBB nega qualquer participação em campanhas políticas.
- Não há projeto legislativo que altere o título de padroeira.
- A controvérsia chegou ao TSE e ao STF, mas sem decisões conclusivas.
Mesmo após a publicação da nota da CNBB, o senador agradeceu publicamente à entidade, alegando que a resposta “confirma” a falsidade da história divulgada pelos adversários políticos. Ele reiterou que a imagem da santa permanece como símbolo de união e que a tentativa de deslegitimá‑la seria “um ataque à fé de milhões de brasileiros”.
Impacto político e repercussões na campanha
As declarações de Flávio Bolsonaro ocorrem em um momento crítico da corrida presidencial, com pesquisas de segundo turno indicando empate técnico entre o candidato do PT e o próprio Flávio, ambos com 42% de intenção de voto. A estratégia de associar o PT a notícias falsas pode ser vista como tentativa de mobilizar eleitores religiosos, um segmento que historicamente tem grande peso nas urnas.
Analistas políticos apontam que o uso de temas religiosos na campanha pode gerar tanto apoio quanto resistência. Enquanto parte do eleitorado católico pode se identificar com a defesa da padroeira, outros críticos alertam que a politização da fé pode aprofundar a polarização e afastar eleitores moderados.
Além disso, a disputa judicial envolvendo a questão da padroeira chegou ao Supremo Tribunal Federal, mas até o momento não há decisão que altere o status da santa. O fato de a polêmica ter sido levada ao STF demonstra a seriedade com que os atores políticos tratam o tema, ainda que a maioria dos especialistas concorde que não há fundamento legal para a mudança proposta.
Por fim, a presença de Flávio Bolsonaro em um podcast católico evidencia a crescente importância dos meios digitais e das plataformas de áudio na estratégia de campanha. Ao combinar presença física em eventos religiosos com conteúdo online, o candidato busca ampliar seu alcance entre eleitores que consomem informação em formatos mais informais e personalizados.







