Um estudo apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizada em Milão entre 28 de setembro e 2 de outubro, apontou que combinar uma alimentação com poucos alimentos ultraprocessados e a prática regular de atividade física pode reduzir em até 70% a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2.
Como o estudo foi conduzido
Os pesquisadores analisaram dados de 56.964 adultos, com idade média de 69 anos, extraídos do UK Biobank, o maior repositório de informações de saúde e genética do Reino Unido. Cada participante respondeu a questionários detalhados sobre hábitos alimentares e utilizou dispositivos de monitoramento para registrar níveis de atividade física.
Para classificar os alimentos, o estudo adotou o sistema NOVA, criado pelo epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro, que diferencia alimentos em quatro grupos, destacando os ultraprocessados como aqueles que contêm aditivos, corantes e conservantes em alta concentração.
Impacto da dieta baixa em ultraprocessados
Os resultados mostraram que o consumo de alimentos ultraprocessados está diretamente relacionado ao aumento do risco de diabetes tipo 2. Cada incremento de 10% no peso da dieta proveniente desses alimentos eleva a probabilidade de desenvolver a doença em cerca de 7%.
Quando os participantes mantiveram a ingestão de ultraprocessados em 11% ou menos do total da dieta, observaram uma queda de 35% no risco de diabetes, independentemente de outros fatores.
Benefícios da atividade física moderada a vigorosa
A prática de exercícios que elevam a frequência cardíaca, como ciclismo, caminhada rápida, jardinagem e até atividades domésticas intensas, mostrou-se um forte protetor contra a doença. Comparando indivíduos que cumpriram a recomendação da OMS de 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa com aqueles que se exercitaram menos, o risco diminuiu em 39%.
Para pessoas com alta predisposição genética, o exercício reduziu o risco em 33%, evidenciando que o esforço físico pode compensar parte da vulnerabilidade herdada.
Combinação dos dois hábitos: efeito sinérgico
Quando a alimentação saudável foi associada à prática regular de exercícios, os benefícios foram ainda maiores. Entre os participantes com predisposição genética alta, o risco de diabetes caiu 49%; entre os de predisposição média, a redução chegou a 70%; e nos de baixa predisposição, a diminuição foi de 59%.
“Nossos genes não determinam nosso destino”, afirmou a pesquisadora Wenxin Xu, da City University of Hong Kong, ressaltando que intervenções de estilo de vida são poderosas ferramentas de prevenção.
O que fazer na prática?
Para quem deseja adotar os hábitos apontados pelo estudo, seguem algumas recomendações simples:
- Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, grãos integrais, carnes magras e laticínios sem adição de conservantes.
- Reduzir ao máximo o consumo de produtos industrializados, como salgadinhos, refrigerantes, refeições prontas e doces com alto teor de açúcar e sódio.
- Realizar, no mínimo, 150 minutos de atividade física moderada por semana – caminhadas rápidas, pedaladas, dança ou trabalhos domésticos que exijam esforço contínuo.
- Incluir sessões de exercícios mais intensos, como corrida ou treino intervalado, ao menos duas vezes por semana, para aumentar a frequência cardíaca de forma significativa.
- Monitorar o progresso usando aplicativos ou dispositivos vestíveis que registrem passos, frequência cardíaca e tempo de atividade.
Essas medidas não apenas diminuem o risco de diabetes tipo 2, mas também contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares, obesidade e outras condições crônicas.
Considerações finais
Embora o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito definitiva, ele reforça a importância de escolhas alimentares conscientes e da prática regular de exercícios como estratégias eficazes para mitigar o risco de diabetes, mesmo em indivíduos com forte carga genética. A mensagem central é clara: mudar o que está ao nosso alcance – dieta e atividade física – pode transformar a saúde a longo prazo.








