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Incidência de Doenças Inflamatórias Intestinais cresce mais de cinco vezes no Brasil

Um estudo recente revelou que as doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentaram mais de cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025, conforme dados apresentados no congresso da Sociedade Brasileira de Coloproctologia em Balneário Camboriú, SC. A pesquisa analisou mais de 337 mil prontuários do SUS, trazendo à tona a magnitude da mudança epidemiológica.

Crescimento alarmante dos casos

De acordo com a análise, a prevalência das DII saltou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes. Esse salto representa um crescimento de 426 % em pouco mais de uma década, colocando o Brasil em patamares comparáveis aos de países desenvolvidos.

Os autores do estudo, liderados pelos médicos Abel Quaresma e Paulo Kotze, alertam que a tendência ainda é ascendente. Projeções indicam que, se o ritmo atual persistir, o número de pacientes pode ultrapassar a taxa observada em nações europeias.

Distribuição regional e fatores de subnotificação

Os dados apontam que as regiões Sudeste e Sul concentram os maiores índices de prevalência. São Paulo lidera com 278 casos por 100 mil habitantes, seguido por Paraná (251) e Santa Catarina (204). Essas cifras, porém, podem estar subestimadas em outras áreas.

Os pesquisadores ressaltam que a subnotificação é um problema estrutural. Falta de acesso a diagnóstico especializado e a inexistência de registros sistematizados em algumas unidades de saúde dificultam a captura completa dos casos.

Além disso, a disparidade econômica entre estados influencia a capacidade de realização de exames avançados, como colonoscopias e biópsias, que são essenciais para confirmar o diagnóstico.

Diferenças entre Crohn e retocolite ulcerativa

Um dos achados mais relevantes foi a velocidade distinta de crescimento entre as duas principais formas de DII. A retocolite ulcerativa apresentou um aumento mais acelerado que a doença de Crohn.

Esse padrão difere da maioria dos países latino‑americanos, onde a doença de Crohn costuma ter prevalência maior. A razão desse comportamento ainda não está clara e exige investigação aprofundada.

Os autores sugerem que fatores genéticos, ambientais e dietéticos podem interagir de maneira única no contexto brasileiro, modulando a expressão de cada doença.

Impactos no sistema de saúde e perspectivas de tratamento

O aumento dos casos tem implicações diretas no SUS e na rede privada. Pacientes costumam ser diagnosticados ainda jovens e necessitam de acompanhamento ao longo de décadas, gerando demanda contínua por consultas, exames e terapias avançadas.

As DII não têm cura, mas o manejo clínico evoluiu nos últimos anos. Medicações biológicas, imunossupressores e estratégias de modulação da microbiota são opções disponíveis, embora seu custo ainda represente um desafio para o sistema público.

Especialistas enfatizam a importância de intervenções precoces. O diagnóstico tardio pode levar a complicações graves, como fístulas, estenoses e necessidade de cirurgia.

Para melhorar a situação, os autores recomendam:

  • Ampliação de programas de rastreamento em unidades básicas de saúde;
  • Capacitação de profissionais de atenção primária para reconhecer sinais de alerta;
  • Investimento em laboratórios regionais capazes de realizar exames de imagem e histopatológicos;
  • Políticas públicas que garantam acesso a medicamentos biológicos de forma sustentável.

Além das intervenções clínicas, mudanças no estilo de vida são apontadas como fatores mitigadores. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, aumentar a ingestão de fibras e praticar atividade física regular podem influenciar positivamente a microbiota intestinal.

Estudos internacionais sugerem que a dieta ocidental, rica em gorduras saturadas e açúcares, está associada ao aumento da inflamação intestinal. No Brasil, a urbanização acelerada tem favorecido a adoção desses padrões alimentares.

Portanto, a resposta ao aumento das DII deve ser multifacetada, envolvendo políticas de saúde, educação nutricional e pesquisa científica.

Em síntese, a nova evidência coloca as doenças inflamatórias intestinais como um dos principais desafios emergentes da saúde pública brasileira. A combinação de dados robustos, alerta dos especialistas e estratégias integradas pode mudar o rumo dessa tendência preocupante.

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