Na próxima quinta‑feira, 1º de outubro, o Teatro Padre Bento, localizado na Rua Francisco Foot, 3, no Jardim Tranquilidade, em Guarulhos, abre suas portas para o monólogo gratuito “Myrna Sou Eu”. O espetáculo, que tem início às 20h, apresenta o ator Nilton Bicudo interpretando a icônica Myrna, personagem criada por Nelson Rodrigues para sua coluna de conselhos sentimentais.
Um espetáculo que resgata a voz de Myrna
Durante décadas, Nelson Rodrigues escreveu como Myrna, oferecendo respostas diretas e bem‑humoradas às dúvidas amorosas de suas leitoras. O monólogo traz esses textos ao palco, permitindo que o público experimente, ao vivo, a mistura de humor e melancolia que caracterizava a coluna original. Cada cena recria um momento de rádio, onde Myrna responde a perguntas enviadas por ouvintes fictícios.
Ao transformar a escrita em performance, a produção destaca um lado menos conhecido do autor, que costuma ser lembrado apenas por suas peças dramáticas intensas. O público tem a oportunidade de perceber como a linguagem coloquial de Myrna ainda ressoa nos dilemas contemporâneos de relacionamentos. A proposta é, portanto, um convite à reflexão sobre o amor e a solidão em uma era cada vez mais digital.
Nilton Bicudo, ao assumir o papel de Myrna, adota uma postura que combina empatia e ironia. Ele explora as nuances de uma mulher que tenta compreender os homens e, ao mesmo tempo, desmistifica os próprios medos das mulheres que lhe escrevem. O resultado é uma interpretação que alterna momentos de riso fácil com instantes de profunda sensibilidade.
O público-alvo inclui tanto admiradores de Nelson Rodrigues quanto novos espectadores interessados em teatro experimental. A classificação etária de 12 anos garante que adolescentes e adultos possam desfrutar da peça sem restrições. A entrada gratuita reforça o compromisso da cultura pública em tornar a arte acessível a todos.
A montagem e os profissionais por trás
A direção, iluminação e cenário foram concebidos por Elias Andreato, que trouxe sua visão contemporânea ao texto clássico. O figurino, assinado por Fábio Namatame, aposta em roupas que evocam a década de 1960, período em que a coluna de Myrna ganhou destaque. A trilha sonora, composta por Jonatan Harold, mistura acordes de bossa nova com sons eletrônicos sutis, criando um ambiente sonoro híbrido.
O trabalho de equipe se destaca pela sinergia entre os diferentes departamentos. Cada elemento – luz, som, vestuário – foi pensado para reforçar a atmosfera intimista de um programa de rádio. A produção busca, assim, envolver o espectador em uma experiência sensorial completa.
- Direção, iluminação e cenário: Elias Andreato
- Figurino: Fábio Namatame
- Trilha sonora: Jonatan Harold
- Atuação principal: Nilton Bicudo
Além dos profissionais citados, a equipe de produção contou com assistentes de palco, técnicos de som e coordenadores de logística. Todos trabalharam em estreita colaboração para garantir que a estreia acontecesse sem contratempos. O resultado é um espetáculo que combina rigor técnico e criatividade artística.
O apoio institucional veio da Secretaria de Cultura e Turismo de Guarulhos, em parceria com a Associação de Produtores de Artes e Audiovisual (APAA). Essa colaboração demonstra o comprometimento da administração municipal com a difusão cultural. O evento reforça a agenda de valorização das artes na cidade.
Programação e público‑alvo
O monólogo será apresentado apenas uma vez, na data anunciada, com início previsto para as 20h. O Teatro Padre Bento, conhecido por sua acústica acolhedora, oferece assentos confortáveis que facilitam a imersão do público. A entrada é gratuita, mas recomenda‑se a chegada antecipada devido à capacidade limitada do espaço.
Para quem deseja obter mais informações, a secretaria disponibiliza o telefone (11) 2229‑5043 e o e‑mail agendaespacos@guarulhos.sp.gov.br. O contato serve tanto para esclarecimentos quanto para possíveis solicitações de acessibilidade. A iniciativa busca garantir que todos os interessados possam participar sem barreiras.
O evento tem classificação etária mínima de 12 anos, o que permite a presença de adolescentes acompanhados. Essa faixa etária foi escolhida para que jovens possam refletir sobre temas de amor e identidade, ainda que ainda estejam formando suas próprias visões sobre relacionamentos. A peça, portanto, funciona como ferramenta educativa e de entretenimento simultaneamente.
Além da apresentação principal, a programação inclui um breve bate‑papo com o ator Nilton Bicudo ao final da peça. Essa sessão de perguntas e respostas oferece ao público a chance de aprofundar a compreensão dos processos criativos envolvidos. O momento também serve para estreitar o vínculo entre artistas e comunidade.
Os organizadores esperam receber um público diversificado, incluindo moradores do Jardim Tranquilidade, estudantes de artes e turistas culturais. A localização central do teatro facilita o acesso por transporte público, contribuindo para a participação de diferentes camadas sociais. A iniciativa, assim, reforça o papel do teatro como ponto de convergência comunitária.
Impacto cultural e perspectivas futuras
Ao levar ao palco as crônicas de Myrna, o espetáculo abre espaço para discussões sobre a representação feminina na literatura brasileira. Nelson Rodrigues, embora reconhecido por seu talento dramático, raramente teve sua faceta de conselheiro sentimental destacada. O monólogo, portanto, contribui para uma reavaliação crítica da obra do autor.
Especialistas apontam que a adaptação pode inspirar outras cidades a revisitar obras clássicas sob novas perspectivas. A iniciativa de Guarulhos demonstra que o teatro público pode ser um laboratório de experimentação artística. Projetos semelhantes podem surgir em outras regiões, ampliando o alcance de narrativas históricas.
O sucesso da apresentação também pode abrir portas para novas temporadas ou reprises. Caso a demanda supere a capacidade do teatro, os organizadores consideram a possibilidade de levar o espetáculo a outros espaços culturais da cidade. Essa expansão reforçaria a missão de democratizar o acesso à cultura.
Além disso, a parceria entre a Secretaria de Cultura e a APAA pode servir de modelo para futuras colaborações entre poder público e associações privadas. A combinação de recursos financeiros, expertise artística e apoio logístico cria um ecossistema favorável à produção cultural de qualidade. Essa sinergia pode gerar um ciclo virtuoso de investimentos em arte.
Em suma, “Myrna Sou Eu” representa mais do que um evento teatral; é um ponto de encontro entre passado e presente, entre literatura e performance, entre público e artista. A proposta de reviver as palavras de Myrna em um cenário contemporâneo evidencia o poder da arte de dialogar com diferentes gerações. O convite está feito: compareça, ouça, reflita e, quem sabe, escreva sua própria crônica de amor.








