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Criminosos utilizam TikTok para canalizar vendas de material de abuso sexual infantil no Telegram

Criminosos estão usando o TikTok como porta de entrada para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil, direcionando interessados ao Telegram, segundo investigação do g1 realizada nas últimas semanas. A prática ocorre em comentários de vídeos aparentemente inocentes e tem sido monitorada desde o início de 2024. O foco da denúncia está nas redes sociais, onde códigos ocultos facilitam o contato entre compradores e fornecedores.

Como funciona a divulgação no TikTok

Nos comentários das publicações, os autores inserem sequências de números, letras ou símbolos que funcionam como códigos para evitar a detecção automática da plataforma. Esses códigos são compartilhados entre grupos fechados e servem para encaminhar os curiosos a links que apontam para canais no Telegram.

Os vídeos que hospedam esses códigos nem sempre têm relação direta com o material ilícito; alguns mostram apenas animais de estimação ou desafios de dança. Em outros casos, há referências mais explícitas, como imagens de crianças ou reproduções geradas por inteligência artificial que citam nomes de criminosos famosos.

A cadeia de comercialização no Telegram

Ao acessar o Telegram, os interessados encontram canais que anunciam pacotes contendo fotos, vídeos e até mesmo gravações de violência sexual contra menores. Os anúncios são organizados em categorias que incluem

  • Fotos
  • Vídeos
  • Cenas de estupro

e são acompanhados por descrições detalhadas para atrair compradores.

Os pagamentos são realizados principalmente via

  • Criptomoedas
  • PIX

, com valores que podem iniciar em R$ 10. A competição entre vendedores reduz os preços, gerando uma disputa que beneficia a expansão do mercado ilícito.

Antes de concluir a transação, os vendedores costumam oferecer amostras gratuitas para ganhar a confiança do comprador e comprovar a autenticidade do material anunciado. Essa estratégia aumenta a taxa de conversão e incentiva a fidelização de novos clientes.

As vendas ocorrem de três maneiras distintas:

  • Envio direto de arquivos por meio de mensagens privadas.
  • Disponibilização de links de download em grupos públicos.
  • Utilização de mini‑aplicativos integrados ao Telegram que facilitam a compra automática.

Reação das plataformas e medidas legais

O Telegram afirma que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas em 2024, removeu mais de 300 mil grupos e canais relacionados ao crime. A empresa destaca que utiliza algoritmos de detecção e equipes de moderação para identificar e eliminar material ilícito.

O TikTok, por sua vez, garante que remove rapidamente as postagens que violam suas políticas e bane as contas envolvidas. A rede social afirma empregar tecnologia avançada e sistemas robustos para monitorar e bloquear conteúdo que explore ou cause dano a menores.

Especialistas em direito digital ressaltam que tanto os responsáveis pela produção e distribuição quanto as plataformas podem ser responsabilizados judicialmente. O artigo 227 da Constituição Federal, aliado ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) revisado em 2008, estabelece penas severas para quem produz, divulga ou comercializa material de abuso sexual infantil.

Organizações não‑governamentais, como o Instituto Alana, reforçam a necessidade de cooperação entre autoridades, empresas de tecnologia e a sociedade civil para combater esse crime. Elas recomendam a denúncia imediata de qualquer conteúdo suspeito por meio dos canais oficiais das plataformas e das delegacias especializadas.

Para denunciar, a vítima ou qualquer pessoa que tenha identificado material ilícito pode utilizar o serviço de denúncia do Ministério da Justiça, o número 181 ou os formulários disponíveis nos sites do TikTok e do Telegram. A colaboração cidadã é essencial para interromper a cadeia de exploração.

Em síntese, a combinação de códigos ocultos no TikTok e a facilidade de transação no Telegram cria um ecossistema perigoso que coloca crianças e adolescentes em risco. A vigilância contínua, aliada a respostas rápidas das plataformas e à aplicação rigorosa da lei, é fundamental para desmantelar essas redes criminosas.

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