Uma pesquisa realizada pela Quaest revelou que 56% dos eleitores brasileiros não assistem ao horário eleitoral gratuito. Os dados foram divulgados na segunda‑feira, 22 de setembro, e referem‑se ao período de transmissão que começou em 28 de agosto. O estudo investigou o comportamento do público nas TVs e rádios durante os blocos de 13h, 20h30, 7h e 12h.
Perfil do desinteresse
Entre os entrevistados, 24% afirmaram que nem ligam a televisão durante o horário eleitoral, enquanto 20% desligam o aparelho ao perceber a programação. Outros 12% preferem buscar conteúdo alternativo, como redes sociais ou streaming.
Somente 25% dos eleitores relataram assistir ao programa com atenção plena. Um número ainda significativo, 18%, manteve o aparelho ligado, mas sem prestar atenção ao que era exibido. Esses indicadores sugerem um distanciamento crescente do público em relação ao conteúdo político transmitido gratuitamente.
Os motivos apontados pelos participantes incluem cansaço com a repetição de mensagens, falta de interesse nas propostas dos candidatos e a percepção de que o horário eleitoral não oferece informações relevantes ou diferenciadas das já conhecidas.
Como funciona o horário eleitoral gratuito
O horário eleitoral gratuito foi instituído para garantir que todos os candidatos tenham acesso a meios de comunicação de massa sem custo direto. Cada candidato pode veicular inserções de até um minuto ao longo do dia, além de um programa de 25 minutos dividido em dois blocos de 12 minutos e 30 segundos.
Na televisão, os blocos são transmitidos às 13h e às 20h30; no rádio, os horários são 7h e 12h. Essa estrutura permite que o eleitor tenha contato com as propostas em diferentes momentos do dia, aumentando a possibilidade de alcance.
Entretanto, o benefício não é gratuito para as emissoras. Elas recebem compensações fiscais calculadas com base na verba que deixariam de arrecadar em publicidade comercial durante esses períodos. Segundo estimativas da Receita Federal, o governo deixa de receber cerca de 996,1 milhões de reais por causa da utilização do espaço para o horário eleitoral.
O número de candidatos que efetivamente utilizam o programa também tem diminuído. Neste ciclo eleitoral, apenas quatro candidatos ao Planalto tiveram acesso ao horário, o menor número desde 2006. São eles:
- Lula (PT)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Augusto Cury (Avante)
Essa redução pode estar relacionada ao custo de produção de conteúdo, à estratégia de campanha digital e ao próprio desinteresse do eleitorado pelo formato tradicional de TV e rádio.
Impactos e perspectivas para a campanha
O alto índice de desinteresse tem implicações diretas na eficácia da comunicação política. Quando a maioria do público não presta atenção ao horário eleitoral, a mensagem dos candidatos perde parte de seu alcance potencial, reduzindo o retorno sobre o investimento de tempo e recursos.
Além disso, a falta de atenção pode favorecer a disseminação de notícias falsas ou de conteúdo alternativo nas redes sociais, que muitas vezes preenchem o vazio deixado pela ausência de consumo de mídia tradicional.
Especialistas apontam que os candidatos precisam adaptar suas estratégias, combinando o horário eleitoral gratuito com campanhas digitais mais segmentadas. O uso de micro‑segmentação, anúncios em plataformas online e produção de conteúdo em formatos curtos (como stories e reels) pode complementar a exposição que não está sendo captada na TV ou no rádio.
Outra consequência importante refere‑se ao financiamento público. Como o governo abre mão de quase um bilhão de reais em arrecadação, há pressão para que o modelo seja revisto, buscando equilibrar a necessidade de garantir igualdade de acesso com a sustentabilidade fiscal.
Em síntese, a pesquisa da Quaest evidencia um cenário de crescente indiferença do eleitorado perante o horário eleitoral gratuito. Enquanto isso, candidatos e partidos precisam repensar suas abordagens de comunicação, integrando mídias tradicionais e digitais para alcançar um público cada vez mais fragmentado.








