Em junho de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao medicamento Etcamah, destinado ao tratamento de mulheres adultas com câncer de mama localmente avançado ou metastático. A aprovação ocorreu no Brasil, após a validação de estudos internacionais que comprovaram a eficácia e a segurança do fármaco. Essa decisão traz uma nova opção terapêutica para pacientes que ainda não apresentam progressão radiológica, mas que carregam mutações no gene ESR1.
A aprovação da Anvisa e seu impacto
A Anvisa analisou o dossiê apresentado pela AstraZeneca, empresa responsável pela fabricação do Etcamah, e considerou os dados clínicos robustos obtidos em ensaios de fase 3. A aprovação segue o mesmo caminho já trilhado pela FDA, dos Estados Unidos, e pela EMA, da União Europeia, que haviam autorizado o medicamento anteriormente.
Com a liberação no território nacional, o Etcamah passa a integrar o arsenal terapêutico disponível nos hospitais públicos e privados. Isso significa que oncologistas poderão prescrever o fármaco antes que a doença evolua para estágios mais críticos, potencializando a qualidade de vida das pacientes.
Além disso, a decisão da Anvisa reforça a importância da cooperação internacional em pesquisas oncológicas, permitindo que descobertas científicas globais cheguem mais rapidamente ao Brasil.
Como funciona o Etcamah no combate ao tumor
Etcamah é classificado como um degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD) e antagonista completo desse receptor. Em termos simples, o medicamento bloqueia a ação do hormônio estrogênio nas células cancerígenas e promove a degradação do próprio receptor, interrompendo o sinal de crescimento tumoral.
Essa ação é particularmente relevante em tumores que apresentam a mutação ESR1, a qual costuma gerar resistência às terapias endócrinas de primeira linha, como os inibidores de CDK4/6.
Quando o receptor de estrogênio é degradado, as células que dependem desse hormônio para proliferar perdem a capacidade de se multiplicar, o que reduz significativamente o risco de progressão da doença.
- Bloqueio total do receptor de estrogênio;
- Degradação do receptor nas células tumorais;
- Redução da resistência aos inibidores de CDK4/6.
Evidências clínicas: estudo SERENA-6
O estudo SERENA-6, de fase 3, duplo‑cego e randomizado, foi o principal referencial para a aprovação do Etcamah. Foram recrutados 315 pacientes adultos com câncer de mama avançado, HR‑positivo e HER2‑negativo, em diversos centros ao redor do mundo.
Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu Etcamah em combinação com um inibidor de CDK4/6, enquanto o outro recebeu um inibidor de aromatase associado ao mesmo inibidor de CDK4/6. O objetivo foi comparar a eficácia de ambas as estratégias.
Os resultados mostraram uma redução de 56% no risco de progressão da doença ou morte para o grupo que utilizou Etcamah, em relação ao tratamento padrão. Essa diferença foi estatisticamente significativa e sustentada ao longo de um acompanhamento de 24 meses.
Além da eficácia, o perfil de segurança do Etcamah foi considerado favorável. Os eventos adversos mais comuns foram leves a moderados, incluindo fadiga, náuseas e alterações nas enzimas hepáticas, e foram gerenciáveis com medidas de suporte.
Perspectivas para pacientes brasileiras
No Brasil, o câncer de mama continua sendo o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, representando cerca de 30% dos casos oncológicos. Entre 2023 e 2025, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) registrou 73.610 novos diagnósticos.
Com a introdução do Etcamah, oncologistas ganham uma ferramenta capaz de intervir antes que a doença se torne refratária aos tratamentos convencionais. Isso pode traduzir-se em maior sobrevida global e, sobretudo, em uma melhor qualidade de vida para as pacientes.
É importante que as mulheres com diagnóstico recente de câncer de mama, especialmente aquelas que apresentam mutação ESR1, conversem com seus médicos sobre a possibilidade de incluir o Etcamah em seu plano terapêutico. A decisão deve considerar o histórico clínico, a resposta a tratamentos anteriores e a disponibilidade do medicamento nas unidades de saúde.
Em suma, a aprovação do Etcamah pela Anvisa representa um avanço significativo na luta contra o câncer de mama no Brasil, alinhando o país às melhores práticas internacionais e oferecendo esperança a milhares de mulheres que enfrentam essa doença.








