Na terça‑feira, 22 de outubro, celebra‑se o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, uma data que destaca a importância de um gesto voluntário capaz de salvar vidas. O evento ocorre em todo o Brasil, mobilizando instituições de saúde, voluntários e a sociedade civil para ampliar o número de doadores registrados.
Por que a medula óssea é essencial?
A medula óssea é um tecido gelatinoso localizado no interior dos ossos e funciona como a principal fábrica de sangue do organismo. Ela abriga as células‑tronco hematopoéticas, responsáveis pela produção de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.
Quando o tecido apresenta falhas – por exemplo, em casos de leucemia, linfoma ou anemia aplástica – ele gera células defeituosas ou deixa de produzir elementos vitais para a defesa, oxigenação e coagulação sanguínea. O transplante de medula surge como solução para restaurar a produção saudável de sangue.
Tipos de transplante: autólogo e alogênico
No transplante autólogo, as próprias células‑tronco do paciente são coletadas, tratadas e reinfundidas após a quimioterapia intensiva. Essa modalidade reduz o risco de rejeição, mas nem sempre é indicada.
O transplante alogênico depende da doação de outra pessoa e é a escolha preferencial em situações mais graves, como leucemias agudas e anemia aplástica severa. A compatibilidade genética entre doador e receptor é o fator determinante para o sucesso do procedimento.
Como funciona a busca por doadores?
A primeira etapa da busca concentra‑se nos familiares de primeiro grau do paciente, pois compartilham metade do material genético dos pais. Irmãos, por exemplo, têm aproximadamente 25% de chance de apresentar o mesmo perfil de compatibilidade.
Quando não há um parente adequado, o próximo passo é recorrer ao Redome – Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea. O banco de dados cruza o perfil genético do paciente com o de milhares de voluntários cadastrados em todo o país.
Estima‑se que a probabilidade de encontrar um doador compatível no Redome seja de 1 em 100 mil pessoas, o que reforça a necessidade de ampliar o número de registros.
Quem pode se cadastrar?
O registro é aberto a pessoas entre 18 e 35 anos que estejam em bom estado de saúde. O processo de cadastro pode ser realizado em hemocentros e hemonúcleos credenciados, cujos endereços estão disponíveis no site oficial do Redome.
Algumas condições de saúde são impeditivas para a doação, como:
- HIV, hepatite B ou C, e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
- Câncer ativo ou histórico recente de câncer;
- Doenças autoimunes graves, epilepsia não controlada e esquizofrenia;
- Diabetes não controlada, asma grave, hipotireoidismo ou hipertireoidismo descompensados;
- Tuberculose ativa e uso de drogas ilícitas.
Essas restrições são detalhadas na seção “Condições Impeditivas do Cadastro e da Doação” do site do Redome.
Etapas do cadastro e da coleta
Para se tornar um doador, o interessado deve apresentar um documento com foto, preencher a ficha cadastral, assinar um termo de consentimento e doar uma amostra de 5 mL de sangue.
A amostra é analisada para determinar o HLA – Antígeno Leucocitário Humano – que funciona como a identidade imunológica do indivíduo. O resultado fica armazenado no banco de dados até que o doador complete 60 anos.
Se, em algum momento, houver um paciente compatível, o Redome entra em contato para confirmar a disponibilidade do voluntário. Novos exames de HLA são realizados, além de uma avaliação clínica para garantir que o doador esteja apto a doar.
Manter telefone, e‑mail e endereço atualizados no aplicativo ou site do Redome é fundamental. Segundo o hematologista Vanderson Rocha, cerca de 30 % dos voluntários chamados não são localizados quando o paciente precisa da doação.
Procedimentos de coleta: aférese e punção medular
Existem duas técnicas principais para a coleta de células‑tronoc, escolhidas de acordo com a condição do paciente e a avaliação médica.
A aférese é um método não cirúrgico. Nos dias que antecedem a coleta, o doador recebe uma medicação que estimula a liberação de células‑troncoc no sangue. Durante o procedimento, o sangue sai por uma veia do braço, passa por uma máquina que separa as células‑troncoc e retorna ao corpo pelo outro braço. A sessão costuma durar de duas a quatro horas e pode provocar dores musculares, sensação de gripe e fadiga.
A punção medular, por sua vez, envolve a coleta direta da medula óssea da bacia, por meio de agulhas especiais. O procedimento é realizado em centro cirúrgico, sob anestesia local ou geral, e dura aproximadamente uma hora e meia, exigindo internação curta para observação.
Ambas as técnicas são seguras quando realizadas por equipes especializadas e seguem protocolos rigorosos de controle de infecção.
Impacto da doação e como ajudar
Doar medula óssea pode significar a diferença entre a vida e a morte para pacientes com doenças hematológicas graves. Cada doador registrado aumenta as chances de encontrar uma compatibilidade, reduzindo o tempo de espera por um transplante.
Além de se cadastrar, a população pode contribuir divulgando a campanha nas redes sociais, participando de eventos de conscientização e incentivando amigos e familiares a se tornarem voluntários.
O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea serve como um lembrete de que o gesto de doar é simples, mas tem um impacto profundo e duradouro na vida de quem luta contra o câncer e outras enfermidades sanguíneas.








