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Dólar inicia sessão em alta com atenção na ata do Copom e discurso de Lula na ONU

Na manhã desta terça‑feira, o dólar abriu em alta na Bolsa de Valores de São Paulo, avançando 0,22% e sendo cotado a R$ 5,1195. O movimento foi registrado por volta das 9h10, antes da abertura oficial do Ibovespa às 10h. Investidores acompanham de perto a ata do último Copom, o discurso do presidente Lula na ONU e a volatilidade dos preços do petróleo.

Ata do Copom: o que mudou e quais são as expectativas para a Selic

A ata da reunião de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) foi o principal assunto da manhã. O Banco Central reconheceu desaceleração da atividade econômica, redução do crédito e contenção da inflação, mas ressaltou riscos fiscais e incertezas externas.

Analistas destacam que a projeção do Focus aponta a taxa Selic terminando 2026 em 13,5% ao ano, o que pode manter o dólar sob pressão de alta caso o BC sinalize manutenção ou aumento da taxa.

  • Desaceleração do crédito: menos recursos circulando reduzem demanda por moeda estrangeira.
  • Riscos fiscais: aumento da dívida pública pode gerar aversão ao risco.
  • Incerteza internacional: tensões geopolíticas afetam fluxos de capitais.

Com esses fatores, o mercado ainda espera por sinais claros de política monetária antes de ajustar posições.

Discurso de Lula na ONU e o impasse nas relações comerciais com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula, em visita à Assembleia Geral das Nações Unidas, fez declarações que reverberaram nos mercados. Em meio a negociações estagnadas sobre tarifas americanas sobre produtos brasileiros, Lula afirmou que a Lei da Reciprocidade não será aplicada enquanto as tratativas estiverem em curso.

Essa postura reforça a estratégia de defesa dos interesses nacionais, mas gera preocupação entre exportadores que dependem do acesso ao mercado dos Estados Unidos.

Os principais pontos abordados por Lula incluíram:

  1. Defesa da soberania econômica.
  2. Chamado à cooperação multilateral para enfrentar a crise climática.
  3. Compromisso com a agenda de desenvolvimento sustentável.

Investidores avaliam que a retórica pode influenciar a percepção de risco‑país, impactando o fluxo de capitais e, consequentemente, o câmbio.

Cenário internacional: petróleo, Oriente Médio e a cúpula Trump‑Xi

Os preços do petróleo recuaram no fim de semana, após a China atender a um pedido da Arábia Saudita para que o Irã limitasse ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera saudita. Essa ação ajudou a reduzir temores de escassez de oferta.

Entretanto, as tensões entre Estados Unidos e Irã permanecem altas. O presidente Donald Trump declarou à Fox News que está avaliando “explodir o Irã inteiro ou não”, alimentando temores de retaliações que poderiam afetar novamente a rota do Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita, por sua vez, anunciou a possibilidade de aumentar entregas por rotas alternativas e de restaurar parte da capacidade do oleoduto Leste‑Oeste, o que trouxe alívio ao mercado.

Além disso, a comunidade financeira aguarda a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para quinta‑feira. Os líderes deverão discutir a prorrogação da trégua comercial estabelecida no ano passado e abordar questões estratégicas como inteligência artificial e regulação de semicondutores.

Os principais temas esperados na reunião são:

  • Extensão do acordo comercial que evitou choque econômico global.
  • Cooperação em pesquisa e desenvolvimento de IA.
  • Restrição de acesso a chips avançados e proteção de propriedade intelectual.

Qualquer mudança nesses pontos pode reverberar nos mercados emergentes, inclusive no Brasil, influenciando o fluxo de capitais e o preço do dólar.

Impactos combinados no mercado cambial brasileiro

Com a soma dos fatores internos – como a ata do Copom e a política externa de Lula – e externos – como a volatilidade do petróleo e a expectativa da cúpula EUA‑China – o dólar permanece vulnerável a oscilações.

Analistas recomendam atenção a indicadores como o spread de juros entre Brasil e Estados Unidos, a balança comercial e os níveis de reservas internacionais, que podem atuar como amortecedores ou amplificadores das variações cambiais.

Em resumo, a sessão de hoje demonstra que o mercado está em modo de espera, avaliando cada sinal antes de tomar decisões de compra ou venda de dólares.

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