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Irã propõe reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias caso EUA suspendam bloqueio

O Irã anunciou que pode reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, desde que os Estados Unidos suspendam o bloqueio militar aos portos iranianos. A declaração foi feita nesta terça‑feira, 22 de maio, por um alto funcionário do governo iraniano à Reuters. O pedido surge em meio a intensas trocas de acusações e ameaças entre Washington e Teerã.

Contexto da tensão no Estreito

O Estreito de Ormuz, passagem estratégica que concentra quase um terço do consumo mundial de petróleo, tem sido palco de confrontos indiretos entre as duas potências desde o início da crise diplomática de 2023. O bloqueio imposto pelos EUA ao porto de Bandar Abbas limitou a exportação de petróleo iraniano e elevou o preço do combustível nos mercados internacionais.

Em resposta, o Irã intensificou a patrulha naval na região e lançou advertências de retaliação caso os ataques a petroleiros continuassem. No domingo, 20 de maio, o comando militar central iraniano informou que recebeu sinais de que Washington planejava retomar bombardeios contra alvos estratégicos no país.

Essas informações foram acompanhadas por declarações do presidente Donald Trump, que afirmou estar avaliando “se explode o Irã inteiro ou não”, gerando ainda mais incerteza entre os analistas de segurança.

Propostas diplomáticas e condições iranianas

A delegação iraniana que participou da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, recebeu plena autoridade para negociar a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos. Segundo a fonte anônima citada pela Reuters, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian viajou à capital americana para buscar um acordo que ponha fim ao bloqueio.

Durante a visita, o Irã entregou aos EUA, por meio de mediadores, uma nova proposta que inclui exigências claras para a desescalada militar. Entre os pontos principais, destacam‑se:

  • Suspensão imediata do bloqueio naval ao Estreito de Ormuz;
  • Levantamento das sanções econômicas que afetam o setor de energia iraniano;
  • Retirada de todas as forças militares americanas das bases instaladas no Golfo Pérsico;
  • Compromisso de não conduzir mais ataques aéreos ou navais contra território iraniano;
  • Abertura de canais de comunicação direta entre os altos comandos militares de ambos os países.

O Irã enfatizou que o cumprimento integral dessas condições permitiria a reabertura do estreito em até sete dias, restaurando a livre circulação de navios civis e mercantis. A proposta também inclui a criação de uma zona desmilitarizada ao longo da passagem, supervisionada por observadores internacionais.

Perspectivas e riscos de escalada

Especialistas apontam que, embora a oferta iraniana pareça um gesto de boa vontade, a confiança entre Washington e Teerã está profundamente abalada. A falta de um encontro direto entre o presidente iraniano e Donald Trump, que não ocorreu durante a visita, sinaliza que ainda há grande distância política a ser percorrida.

Além disso, o Irã avisou que, caso os EUA retomem os bombardeios, responderá “sem qualquer limitação” contra alvos norte‑americanos no Oriente Médio. Essa ameaça inclui possíveis ataques a bases militares, instalações de energia e até mesmo a navios de guerra dos EUA que operam na região.

Outros países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, foram citados como possíveis “sinais verdes” para uma nova ofensiva americana, o que poderia ampliar o conflito a uma guerra regional. O Irã declarou que esses estados seriam considerados partes do conflito e não receberiam proteção das Forças Armadas iranianas.

O cenário de incerteza tem provocado reações nos mercados financeiros, com o preço do barril de petróleo subindo mais de 5% após as declarações de Trump. Investidores temem que uma interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz possa gerar escassez e pressões inflacionárias globais.

Organizações internacionais, como a ONU e a OTAN, pedem moderação e o retorno ao diálogo. O secretário‑geral da ONU destacou que a manutenção da liberdade de navegação no estreito é essencial para a estabilidade econômica mundial.

Enquanto isso, a população iraniana acompanha com ansiedade as negociações, temendo que um novo ciclo de sanções agrave ainda mais a já delicada situação econômica do país. Protestos recentes nas principais cidades de Teerã demonstram a insatisfação popular com a falta de progresso nas conversações.

Em suma, a proposta iraniana de reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias representa uma oportunidade diplomática que, se aceita, pode reduzir significativamente a tensão no Golfo Pérsico. Contudo, a decisão dos Estados Unidos de suspender ou não o bloqueio será determinante para o futuro imediato da região.

O mundo observa atentamente, pois a resposta americana poderá definir se a crise evoluirá para um confronto aberto ou será contida por meio de acordos multilaterais.

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