O XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia (NEURO 2026) reúne especialistas, pacientes e celebridades para discutir as mais recentes descobertas em neurologia. O evento ocorre entre 7 e 10 de outubro de 2026, na cidade do Rio de Janeiro. A programação inclui painéis sobre neurogenética, neuroimunologia, prevenção e epigenética, além de relatos pessoais de quem convive com doenças autoimunes.
Doenças autoimunes em foco
O dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus compartilha sua experiência com a polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica, uma condição rara que ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos. Essa agressão impede a transmissão correta dos impulsos elétricos do cérebro para os músculos, causando fraqueza e perda de coordenação. O jornalista esportivo Alex Escobar, por sua vez, relata sua luta contra a miastenia gravis, outra doença autoimune que interfere nos receptores musculares responsáveis por receber os sinais nervosos.
Ambos os convidados reforçam a importância de dar visibilidade a essas enfermidades, que ainda são pouco compreendidas pelo grande público. A presença de figuras públicas no congresso ajuda a desmistificar os sintomas e a promover a adesão ao tratamento. Além disso, eles destacam como a ciência tem avançado nos últimos anos, oferecendo novas opções terapêuticas que melhoram a qualidade de vida dos pacientes.
- Polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica: ataque à mielina.
- Miastenia gravis: comprometimento dos receptores musculares.
- Impacto na mobilidade, respiração e expressão facial.
Avanços em neurogenética e epigenética
A neurogenética investiga como mutações e variações no DNA influenciam o desenvolvimento e o funcionamento do sistema nervoso. No NEURO 2026, especialistas apresentam estudos que identificam marcadores genéticos associados a Alzheimer, Parkinson e outras neurodegenerações. Esses marcadores permitem diagnósticos mais precoces e a personalização de tratamentos.
Paralelamente, a epigenética revela como fatores ambientais – como dieta, estresse e poluição – podem modificar a expressão genética sem alterar a sequência de DNA. Essa camada regulatória explica por que indivíduos com predisposição genética podem ou não desenvolver a doença, dependendo das exposições ao longo da vida.
Os pesquisadores apontam que a combinação de neurogenética e epigenética abre caminho para intervenções preventivas mais eficazes. Estratégias como mudanças de estilo de vida, suplementos nutricionais e terapias dirigidas podem reverter alterações epigenéticas nocivas antes que se consolidem em danos irreversíveis.
- Identificação de variantes genéticas de risco.
- Mapeamento de modificações epigenéticas.
- Desenvolvimento de terapias de edição gênica.
- Implementação de protocolos de prevenção personalizados.
Neuroimunologia: a ponte entre cérebro e defesa
Até poucos anos atrás, neurologia e imunologia eram áreas consideradas independentes. A neuroimunologia demonstra, porém, que o cérebro e o sistema imunológico mantêm comunicação constante, influenciando mutuamente sua saúde.
No congresso, foram apresentados casos em que inflamações crônicas desencadeiam degeneração neuronal, como na esclerose múltipla e na doença de Alzheimer. Por outro lado, respostas imunológicas bem reguladas podem proteger o tecido cerebral contra agentes patogênicos.
Os debates ressaltam a necessidade de abordagens terapêuticas que modulem o sistema imunológico sem comprometer a defesa contra infecções. Medicamentos imunomoduladores, vacinas neuroprotetoras e técnicas de tolerância imunológica estão entre as estratégias emergentes.
- Microglia: células de defesa do cérebro.
- Citoquinas: mensageiros que podem ser benéficos ou prejudiciais.
- Barreira hematoencefálica: reguladora de entrada de células imunes.
Prevenção e diagnóstico precoce: o caminho futuro
O presidente do congresso, Osvaldo Nascimento, enfatiza que a prevenção deve ser prioridade nas políticas de saúde pública. Ele destaca que o diagnóstico precoce de Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas pode reduzir drasticamente o impacto socioeconômico.
Ferramentas de imagem avançada, biomarcadores sanguíneos e testes genéticos estão sendo incorporados à prática clínica. Essas tecnologias permitem identificar alterações sutis antes que os sintomas se tornem incapacitantes.
Além da tecnologia, a educação da população é fundamental. Campanhas de conscientização sobre hábitos saudáveis – como prática regular de exercícios, alimentação balanceada e controle do estresse – são recomendadas para reduzir o risco de desenvolvimento de doenças neurológicas.
O NEURO 2026 encerra com a promessa de que a integração entre neurogenética, neuroimunologia e epigenética criará um novo paradigma de cuidado, onde a prevenção será tão valorizada quanto o tratamento.








