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Voluntários brasileiros realizam cirurgias em crianças queimadas em Angola e treinam profissionais locais

Um grupo de médicos, enfermeiros e dentistas brasileiros chegou a Angola em setembro de 2026 para operar crianças gravemente queimadas e capacitar profissionais de saúde locais. A missão, coordenada pela ONG Kids Salvation, tem como objetivo reduzir sequelas e melhorar o atendimento imediato após acidentes domésticos. O trabalho ocorre em hospitais da capital e de regiões periféricas onde o risco de queimaduras infantis é alarmante.

Desafios das queimaduras infantis em Angola

Em muitas comunidades angolanas, as casas são constituídas por um único cômodo e não dispõem de fogões ou energia elétrica. As famílias utilizam fogareiros improvisados no chão ou acendem fogo dentro das residências para cozinhar e se aquecer, expondo as crianças a chamas próximas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 180 mil mortes por queimaduras são registradas anualmente no mundo, e a maior parte ocorre em países de baixa e média renda. Entre as crianças, as queimaduras são a quinta causa mais comum de lesões não fatais, com taxa de mortalidade infantil mais de sete vezes maior nesses países em comparação aos de alta renda.

Na região africana da OMS, que reúne 47 países, a incidência de mortes por queimaduras em menores de cinco anos é duas vezes superior à média mundial. Essa vulnerabilidade está diretamente ligada às condições precárias de moradia, ao uso de velas e ao preparo de alimentos em fogueiras dentro das casas.

  • Falta de fogão e energia elétrica;
  • Uso de fogareiros no chão;
  • Fogueiras internas para aquecimento;
  • Velas como fonte de luz noturna.

Um estudo publicado em 2025, realizado no Hospital Especializado Neves Bendinha, revelou que 64% das queimaduras atendidas eram de crianças até cinco anos, sendo 26% de crianças de um ano de idade. A maioria dos casos eram queimaduras térmicas de segundo grau, mas casos de terceiro grau, com risco de sequelas graves, também foram registrados.

Ação dos voluntários brasileiros

Os profissionais brasileiros chegam ao país com experiência em cirurgia reconstrutiva, anestesia e cuidados intensivos. O cirurgião plástico Leandro Gontijo, juntamente com sua esposa, a enfermeira Pollyana Gontijo, lideram as intervenções cirúrgicas e o treinamento de equipes locais.

Além de operar casos complexos, a equipe ministra workshops práticos sobre primeiros socorros, curativos de queimaduras e manejo de enxertos de pele. O objetivo é que, após a partida dos voluntários, os profissionais angolanos estejam aptos a atender emergências com rapidez e segurança.

Um exemplo marcante foi o caso de uma menina de três anos que sofreu queimadura de terceiro grau em todo o rosto após se aproximar do fogo deixado pela mãe. A cirurgia, que durou 11 horas, incluiu enxertos de pele, mais de 200 pontos e reconstrução parcial do nariz e das pálpebras.

  1. Triagem e estabilização da vítima;
  2. Remoção de tecido necrosado;
  3. Aplicação de enxertos de pele;
  4. Fixação com suturas finas;
  5. Cuidados pós‑operatórios e reabilitação.

Durante a missão, foram realizadas mais de 30 cirurgias em crianças, muitas delas com sequelas que poderiam ter sido evitadas com atendimento precoce. O trabalho também incluiu a distribuição de kits de curativos e a instalação de pequenos centros de emergência em áreas rurais.

Impacto e perspectivas futuras

O impacto imediato das intervenções brasileiras pode ser medido pela redução do tempo de internação e pela diminuição das complicações pós‑cirúrgicas. Crianças que antes enfrentariam anos de tratamento agora têm a chance de retomar atividades escolares e sociais.

O treinamento de profissionais locais cria um efeito multiplicador: cada enfermeiro ou médico capacitado pode atender dezenas de novos casos ao longo dos anos, ampliando a cobertura do sistema de saúde. A ONG Kids Salvation planeja expandir a missão para outras províncias, focando em regiões onde o uso de fogareiros é mais intenso.

Para combater as causas estruturais, a equipe de voluntários também colabora com organizações que promovem a distribuição de fogões a gás e a instalação de fontes de energia solar. Essas iniciativas visam substituir o fogo aberto por alternativas mais seguras, reduzindo drasticamente o risco de acidentes domésticos.

Em síntese, a combinação de cirurgia de alta complexidade, capacitação de profissionais angolanos e projetos de prevenção demonstra que a ação conjunta pode transformar a realidade de milhares de crianças vulneráveis. O compromisso dos voluntários brasileiros reforça a importância da solidariedade internacional na luta contra as queimaduras infantis.

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