Lula da Silva (PT) aparece à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em três das cinco pesquisas mais recentes que medem a intenção de voto para um eventual segundo turno, segundo dados divulgados entre 9 e 21 de setembro de 2026 em todo o Brasil. Os levantamentos foram realizados por institutos como BTG/Nexus, Datafolha, CNT/MDA, Quaest e AtlasIntel, todos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Apesar da vantagem numérica em alguns casos, a diferença entre os candidatos costuma ficar dentro da margem de erro, indicando um cenário de empate técnico.
Panorama das últimas pesquisas
O BTG/Nexus, divulgado em 21 de setembro, mostrou Lula com 46% das intenções de voto contra 45% de Flávio, uma vantagem de 1 ponto percentual que está dentro da margem de erro de 2 pontos. Já o Datafolha, publicado pouco antes, apontou 46% para o petista e 44% para o senador, diferença também coberta pela margem de erro de 2 pontos.
Por outro lado, a pesquisa CNT/MDA revelou a maior distância favorável a Lula: 47,3% contra 40% de Flávio, diferença de 7,3 pontos, superior à margem de erro de 2,2 pontos. As duas pesquisas restantes, Quaest e AtlasIntel, apresentaram Flávio à frente, mas ainda com empates técnicos.
Na Quaest, Flávio registrou 42% e Lula 40%, diferença de 2 pontos dentro da margem de erro de 2 pontos. O AtlasIntel, com a menor diferença entre os candidatos, mostrou Flávio com 47,2% e Lula com 46,8%, diferença de apenas 0,4 ponto, abaixo da margem de erro de 1 ponto.
Análise das margens de erro e empates técnicos
Em quatro dos cinco levantamentos, a diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro, o que significa que estatisticamente não há vencedor claro. Esse fato reforça a ideia de que a corrida está extremamente equilibrada e que pequenos deslocamentos de opinião podem mudar o resultado final.
A única exceção, a CNT/MDA, indica uma vantagem mais robusta para Lula, mas ainda assim representa apenas um dos cinco cenários analisados. Quando se considera a média ponderada dos cinco institutos, a vantagem de Lula se reduz a cerca de 1 ponto percentual, o que, novamente, está dentro da margem de erro padrão de 2 pontos.
Esses empates técnicos exigem cautela na interpretação dos números, pois variações de amostragem, método de coleta e período de campo podem influenciar os resultados. Por isso, analistas políticos recomendam observar a tendência ao longo do tempo, em vez de focar em um único levantamento.
Metodologias e amostras dos institutos
Os cinco institutos adotaram abordagens semelhantes, mas com diferenças que podem impactar a precisão dos resultados. Abaixo, segue um resumo das principais características de cada pesquisa:
- BTG/Nexus: 2.006 entrevistas por telefone entre 18 e 20 de setembro; margem de erro de 2 pontos percentuais; registro BR-00485/2026.
- Datafolha: 2.002 entrevistas presenciais entre 15 e 17 de setembro; margem de erro de 2 pontos; nível de confiança de 95%; registro BR-04029/2026.
- CNT/MDA: 2.002 entrevistas entre 9 e 13 de setembro; margem de erro de 2,2 pontos; nível de confiança de 95%; registro BR-06902/2026.
- Quaest: 2.004 entrevistas entre 10 e 13 de setembro; margem de erro de 2 pontos; nível de confiança de 95%; registro BR-03607/2026.
- AtlasIntel: 5.018 entrevistas entre 11 e 16 de setembro; margem de erro de 1 ponto; nível de confiança de 95%; registro BR-06221/2026.
Os métodos variam entre entrevistas telefônicas, presenciais e online, o que pode gerar diferenças nas respostas. Além disso, o tamanho da amostra influencia a margem de erro: a AtlasIntel, com mais de 5 mil entrevistados, apresenta a menor margem de erro (1 ponto), enquanto as demais mantêm 2 pontos.
Implicações para a campanha de segundo turno
Com a corrida tão apertada, tanto o governo Lula quanto a campanha de Flávio Bolsonaro precisam ajustar suas estratégias. Para o presidente, a prioridade será consolidar a base e atrair eleitores indecisos, especialmente em estados-chave como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Ceará.
Flávio, por sua vez, tem buscado ampliar a presença nas mídias digitais e reforçar alianças regionais, visando reduzir a vantagem do petista em pesquisas como a CNT/MDA. A disputa de mensagens, a mobilização de lideranças locais e o investimento em propaganda nas rádios e TVs regionais são táticas recorrentes.
Especialistas alertam que, em um cenário de empate técnico, eventos inesperados – como debates, escândalos ou decisões judiciais – podem ter impacto desproporcional nos índices de intenção de voto. Portanto, a campanha de ambos os candidatos deve permanecer vigilante e pronta para reagir rapidamente.
Em síntese, embora Lula esteja à frente em três das cinco pesquisas, a diferença costuma ser mínima e dentro da margem de erro, indicando que o segundo turno ainda pode ser decidido nos últimos dias de campanha. O eleitor brasileiro permanece dividido, e o resultado final dependerá da capacidade de cada candidato em convencer o eleitor indeciso e mobilizar sua base até o dia da votação.








