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Hospitais de referência em oncologia reforçam acompanhamento pós-alta

Os hospitais que lideram a pesquisa Datafolha sobre oncologia demonstram, em 2024, um foco ampliado no cuidado após a alta hospitalar. Em São Paulo, instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e o A.C.Camargo Cancer Center implementam programas de sobrevivência que vão além do tratamento curativo.

Programas de sobrevivência no Hospital Israelita Albert Einstein

O Einstein, apontado por 23% dos médicos como o melhor hospital privado em oncologia, oferece um programa de medicina integrativa que acompanha o paciente durante e depois do tratamento. O serviço, chamado de survivorship, combina suporte físico, emocional e social para garantir qualidade de vida contínua.

O caso de Kleber Dias, diagnosticado com sarcoma de retroperitônio em janeiro de 2020, ilustra a eficácia desse modelo. Após a alta, ele passou a praticar pilates, ioga, acupuntura, fisioterapia, além de receber acompanhamento nutricional e psicológico.

O programa avalia quatro pilares essenciais:

  • Alimentação adequada e necessidades nutricionais;
  • Atividade física e manutenção de rotinas de bem‑estar;
  • Saúde emocional e apoio psicológico;
  • Rede de apoio familiar e social.

Essas avaliações são feitas por uma equipe multidisciplinar que inclui oncologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. O objetivo é detectar precocemente sinais de recidiva e ajustar intervenções antes que a doença retorne.

Nam Jin Kim, diretor médico de oncologia e hematologia do Einstein, destaca que a estratégia transforma a percepção do paciente sobre a doença. “Trabalhamos para que o paciente viva bem, com qualidade, e, se possível, seja curado”, afirma.

Abordagem especializada no Hospital Sírio‑Libanês

Com 11% de preferência na pesquisa Datafolha, o Sírio‑Libanês foca em um cuidado altamente especializado, segmentado por sub‑especialidades oncológicas. Cada oncologista concentra sua prática em um nicho específico, permitindo um acompanhamento mais aprofundado.

A publicitária Fernanda Natel, diagnosticada aos 24 anos com sarcoma de Ewing, relata que o hospital considerou seu desejo de maternidade durante o planejamento terapêutico. O oncologista sugeriu o congelamento de óvulos, mesmo que a paciente não tenha precisado utilizá‑los posteriormente.

O tratamento de Fernanda incluiu:

  • Cirurgia oncológica;
  • 51 sessões de quimioterapia;
  • 26 sessões de radioterapia;
  • Suporte psicológico contínuo.

Ela permaneceu em acompanhamento por dois anos e meio e, atualmente, realiza uma consulta anual para monitoramento de longo prazo. “Os remédios curaram o tumor, mas o carinho e a atenção especializada fizeram a diferença”, enfatiza.

O modelo de sub‑especialização permite que o hospital incorpore rapidamente os avanços científicos em protocolos de tratamento, garantindo que cada paciente receba a terapia mais atualizada para seu tipo de câncer.

Tradição e inovação no A.C.Camargo Cancer Center

Fundado há mais de sete décadas, o A.C.Camargo celebra, em 2025, seus 72 anos como o oncológico mais antigo do país. Com sete unidades — cinco assistenciais —, o centro atendeu cerca de 20 mil novos pacientes no último ano.

Antonio Antonietto, diretor médico do A.C.Camargo, ressalta que a instituição acompanha a jornada completa do paciente, da prevenção ao seguimento pós‑tratamento. “Tudo que fazemos aqui é em função do atendimento ao câncer”, declara.

Além do cuidado clínico, o centro investe intensamente em ensino e pesquisa. Entre os projetos em destaque está o desenvolvimento de terapias com células CAR‑T, que prometem tratamentos personalizados para doenças hematológicas.

O acompanhamento pós‑alta no A.C.Camargo inclui:

  • Reavaliações periódicas de exames de imagem;
  • Programas de reabilitação física;
  • Consultas de suporte psicossocial;
  • Orientação nutricional baseada em evidências.

Essas ações são coordenadas por equipes multidisciplinares que mantêm contato próximo com o paciente, mesmo após a alta. O objetivo é reduzir a taxa de recidiva e melhorar a qualidade de vida a longo prazo.

Os três hospitais demonstram, em conjunto, que o futuro da oncologia no Brasil está ligado a um modelo de cuidado integral, onde a sobrevivência não se mede apenas pela remissão, mas pelo bem‑estar contínuo do paciente.

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