Uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada na quinta‑feira, 17 de setembro, traz um panorama da corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O levantamento, realizado entre 15 e 17 de setembro, entrevistou 2.002 eleitores em todo o Brasil. Os resultados mostram diferenças marcantes entre as regiões, mas um quadro nacional praticamente empatado.
Visão geral da pesquisa e margem de erro
O estudo apresenta uma margem de erro nacional de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95 %. Isso significa que os números podem variar em até dois pontos para mais ou para menos, sem alterar a interpretação geral. No cenário nacional, Lula registra 39 % das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36 %, diferença que está dentro da margem de erro e, portanto, caracteriza um empate técnico.
Além do resultado nacional, a pesquisa segmenta o país em quatro recortes regionais: Nordeste, Sul, Sudeste e um agrupamento Centro‑Oeste/Norte. Cada recorte tem sua própria margem de erro, variando de quatro a seis pontos percentuais, o que influencia a leitura da vantagem ou desvantagem de cada candidato em cada região.
Desempenho por regiões
No Nordeste, Lula tem a maior vantagem, com 56 % das intenções de voto contra 26 % de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 30 pontos percentuais. Essa vantagem supera a margem de erro de quatro pontos, confirmando a liderança clara do presidente na região.
- Lula: 56 %
- Flávio Bolsonaro: 26 %
- Augusto Cury: 5 %
- Ronaldo Caiado: 2 %
- Renan Santos: 2 %
No Sul, o cenário se inverte. Flávio Bolsonaro lidera com 45 % das intenções de voto, enquanto Lula registra 27 %, diferença de 18 pontos percentuais. A margem de erro regional é de seis pontos, o que ainda garante a vantagem do senador, embora a amplitude da diferença seja menor que a observada no Nordeste.
- Flávio Bolsonaro: 45 %
- Lula: 27 %
- Ronaldo Caiado: 7 %
- Augusto Cury: 6 %
No Sudeste, a disputa é mais apertada. Flávio Bolsonaro aparece à frente com 37 % das intenções de voto, enquanto Lula tem 34 %. A diferença de três pontos está exatamente dentro da margem de erro de três pontos, configurando um empate técnico na região que concentra a maior parcela do eleitorado brasileiro.
- Flávio Bolsonaro: 37 %
- Lula: 34 %
O agrupamento Centro‑Oeste/Norte também apresenta um cenário de empate técnico. Flávio Bolsonaro registra 41 % das intenções de voto, contra 35 % de Lula, diferença de seis pontos, que coincide com a margem de erro regional de seis pontos. Nesse recorte, os demais candidatos ainda aparecem com votação reduzida.
- Flávio Bolsonaro: 41 %
- Lula: 35 %
- Ronaldo Caiado: 9 %
- Augusto Cury: 4 %
- Renan Santos: 3 %
Implicações para o segundo turno e cenário nacional
Ao analisar os quatro recortes, percebe‑se que Lula está à frente apenas no Nordeste, enquanto Flávio lidera no Sul e mantém vantagem numérica no Sudeste e no Centro‑Oeste/Norte, embora dentro da margem de erro. Essa disparidade regional explica por que, apesar da liderança do senador em três áreas, o resultado nacional ainda mostra Lula ligeiramente à frente.
No segundo turno, a pesquisa indica que Lula ficaria com 46 % das intenções de voto contra 44 % de Flávio Bolsonaro, novamente dentro da margem de erro de dois pontos. O cenário sugere que a corrida permanecerá competitiva, exigindo estratégias diferenciadas para conquistar eleitores nas regiões onde cada candidato tem desvantagem.
Para o candidato do PT, a prioridade será consolidar a base no Nordeste e avançar no Sudeste, onde o empate técnico indica espaço para ganhos. Já o senador deve reforçar sua presença no Sul e buscar ampliar sua margem no Centro‑Oeste/Norte, onde ainda há apoio significativo, mas também a presença de candidatos menores que podem fragmentar o eleitorado.
Os analistas ressaltam que a margem de erro regional pode ocultar variações locais importantes, como diferenças entre estados dentro de uma mesma macro‑região. Portanto, campanhas devem adaptar mensagens e propostas a realidades específicas, considerando fatores econômicos, sociais e culturais de cada localidade.
Em síntese, a pesquisa do Datafolha evidencia um Brasil politicamente dividido, com cada candidato dominando áreas distintas. O resultado nacional, porém, permanece incerto, pois ambas as lideranças operam dentro de margens de erro que podem inverter a vantagem a qualquer momento.








