Entre janeiro de 2021 e março de 2026, a administração de Eduardo Paes nomeou quase 9 mil servidores para cargos comissionados na Prefeitura do Rio de Janeiro. Esses postos, que dispensam concurso público, concentram funções de direção, chefia e assessoramento. O gasto total com os contracheques desses funcionários chegou a R$ 404 milhões, segundo levantamento dos dados oficiais.
Volume de nomeações e custos para o município
Durante os cinco anos de gestão, 8.903 pessoas foram indicadas para cargos de confiança. Dessas, 1.763 tinham filiação partidária declarada, e 543 já haviam disputado eleições em algum momento da carreira. O número expressivo de nomeações evidencia a estratégia de consolidar alianças políticas por meio da distribuição de cargos.
Os salários brutos desses servidores variaram amplamente, mas alguns ultrapassaram o vencimento do próprio prefeito, que chega a R$ 35 mil antes dos descontos. Mesmo assim, os valores que excedem o teto constitucional são retidos pela prefeitura, evitando que o gasto ultrapasse o limite legal.
Perfil político dos comissionados
Embora a maioria dos indicados pertença ao partido do ex-prefeito, a coligação de Paes também inclui representantes do Centrão e da esquerda. Essa diversidade reflete a amplitude da aliança que o candidato pretende manter na disputa pelo próximo governo da cidade.
Entre os nomes mais relevantes, destaca‑se Dalila de Brito Ferreira, filiada ao União Brasil, que atuou como secretária de Fazenda e Planejamento. Sua remuneração bruta média foi de R$ 52 mil, reduzindo para cerca de R$ 26 mil líquidos após descontos e retenções.
Elias Jabbour, candidato a deputado federal pelo PCdoB, foi presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. Seu salário bruto médio alcançou R$ 51 mil, enquanto o líquido ficou próximo de R$ 39 mil, graças a jetons que não entram no cálculo do teto constitucional.
O ex‑vereador Carlos Eduardo Petra Lopes, conhecido como Duda Petra, filiado ao Podemos, recebeu em média R$ 50,8 mil como subsecretário de Legado. Após as deduções, o valor líquido em março de 2026 foi de R$ 32 mil.
Rodrigo Carvalho Ribeiro Dantas, ex‑deputado do União, ocupou a pasta de Subsecretário Executivo de Fazenda, com remuneração bruta média de R$ 35 mil e líquida de aproximadamente R$ 26 mil.
Encerrando o top‑5, Eduardo Corrêa Lima Furtado, do PSB, foi subsecretário de Operações da Secretaria Municipal de Transportes e coordenador‑geral na Comlurb. Seu salário bruto médio foi de R$ 35 mil, caindo para R$ 24 mil líquidos no último mês da gestão.
Os salários mais altos e suas particularidades
Os valores acima do teto constitucional são mantidos na conta da prefeitura, mas não são pagos ao servidor. Essa prática visa cumprir a legislação, embora a percepção pública seja de que os gastos são excessivos.
Além dos salários, muitos desses cargos incluem benefícios como auxílio‑transporte, auxílio‑moradia e bônus de desempenho, que podem elevar ainda mais a remuneração total. Em alguns casos, os jetons – pagamentos extras por resultados – são contabilizados fora do teto, aumentando a diferença entre o bruto e o líquido.
Para facilitar a visualização, segue a lista dos cinco servidores com maior remuneração bruta média:
- Dalila de Brito Ferreira – R$ 52 mil (Secretaria de Fazenda e Planejamento)
- Elias Jabbour – R$ 51 mil (Instituto Municipal de Urbanismo)
- Carlos Eduardo Petra Lopes – R$ 50,8 mil (Subsecretaria de Legado)
- Rodrigo Carvalho Ribeiro Dantas – R$ 35 mil (Subsecretaria Executiva de Fazenda)
- Eduardo Corrêa Lima Furtado – R$ 35 mil (Subsecretaria de Operações e Comlurb)
Impactos e críticas à gestão
O gasto de R$ 404 milhões com cargos comissionados gerou forte debate na sociedade civil e entre opositores políticos. Críticos argumentam que a prática compromete a eficiência da máquina pública e favorece a manutenção de redes de apoio político.
Defensores, por outro lado, afirmam que a nomeação de aliados garante alinhamento de agenda e facilita a implementação de políticas públicas. Eles ressaltam que a retenção dos valores acima do teto demonstra respeito à legislação vigente.
Independentemente da posição adotada, os números revelam a magnitude dos recursos alocados a servidores sem concurso, reforçando a necessidade de maior transparência e controle social sobre essas nomeações.








