O partido Agir confirmou, nesta sexta-feira, que passará a apoiar a candidatura de reeleição do governador Tarcísio de Freitas, após a retirada da policial Edjane da disputa pelo governo de São Paulo. A decisão foi anunciada logo depois da decisão do Tribunal Regional Eleitoral que indeferiu a candidatura de Edjane, em 18 de setembro de 2026, e ocorreu em São Paulo, capital.
Contexto da retirada de Edjane
A desistência de Edjane foi motivada por questões financeiras e processuais. O Agir alegou não ter recebido repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o que impediu a manutenção da campanha. Além disso, o TRE considerou insuficiente a documentação que comprovaria a desincompatibilização da candidata da Polícia Militar e a regularidade da certidão criminal.
Sem recursos, a vice‑candidata, professora Nayr Duarte, tentou mudar de cargo, pedindo renúncia ao cargo de candidata a governador para concorrer a deputada estadual. O pedido foi aceito, mas a candidatura da chapa foi indeferida, encerrando oficialmente a participação do Agir no pleito executivo.
Impacto do apoio ao governador Tarcísio
Com a saída da única concorrente de direita, a probabilidade de Tarcísio alcançar a maioria absoluta no primeiro turno aumentou consideravelmente. Nas pesquisas Datafolha (11/09) e Quaest (08/09), o governador já figurava à frente dos demais candidatos, com percentuais superiores à soma dos demais concorrentes, excluindo brancos, nulos e indecisos.
O apoio do Agir deve gerar uma transferência de votos que potencialize ainda mais esse cenário. Em setembro, Edjane figurava com 3% das intenções de voto na Datafolha e 1% na Quaest, números que podem ser absorvidos pelos eleitores que ainda não definiram sua escolha.
- Vantagem estratégica: aumento da base de apoio em regiões onde Edjane tinha presença.
- Consolidação da coalizão: fortalecimento da imagem de unidade entre os partidos de direita.
- Ampliação de recursos de campanha: acesso a mais tempo de rádio e TV graças à soma dos partidos aliados.
A estrutura da coligação de Tarcísio
A aliança que sustenta a candidatura de Tarcísio reúne dez partidos fundadores, que juntos ocupam 336 cadeiras na Câmara dos Deputados, representando cerca de 65% da bancada federal. Essa força lhe garantiu o dobro de tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão em relação ao principal adversário, Fernando Haddad (PT).
Além dos dez partidos da coligação, Tarcísio conta com o apoio de mais seis siglas, totalizando dezesseis partidos alinhados ao seu projeto. Os partidos que integram a base ampliada são:
- PSDB
- Cidadania
- Novo
- Podemos
- Democratas
- Agir
Essa rede de apoio coloca o governador em posição privilegiada para mobilizar recursos, voluntários e mídia em todo o estado.
Reação de Edjane e do Agir
Em nota oficial, Edjane afirmou que a retirada de sua candidatura ocorreu sem seu consentimento e que continuará acompanhando a disputa, ainda que ainda não tenha declarado apoio a nenhum dos concorrentes remanescentes. O partido Agir, por sua vez, acusou a ex‑candidata de praticar estelionato ao solicitar doações em redes sociais, alegando que a campanha está oficialmente indeferida.
O diretório estadual do Agir reforçou que o apoio a Tarcísio foi decidido de forma independente da ex‑candidata, destacando que a estratégia visa garantir a continuidade das políticas de governo que, segundo o partido, beneficiam a população paulista.
Desdobramentos e perspectivas para a corrida
Com a nova configuração da disputa, o cenário eleitoral de 2026 em São Paulo ganha contornos mais claros. Enquanto o bloco de direita se consolida em torno de Tarcísio, a esquerda permanece fragmentada, com o PT liderando a oposição, porém com apenas sete partidos na coligação e sem apoio externo.
Partidos de esquerda como PCB, PCO, PSTU e UP mantêm candidaturas próprias, o que pode diluir ainda mais o voto progressista. A estratégia de Tarcísio, ao concentrar a maioria dos partidos de centro‑direita e centro‑esquerda moderada, pode ser decisiva para alcançar a maioria absoluta já no primeiro turno.
Analistas apontam que, se Tarcísio ultrapassar 50% dos votos válidos – excluindo brancos, nulos e indecisos – a eleição será encerrada sem necessidade de segundo turno, economizando recursos e evitando disputas prolongadas.
Entretanto, a situação ainda pode mudar caso Edjane decida apoiar algum dos demais candidatos ou se surgirem novas alianças inesperadas. O cenário político paulista permanece dinâmico, e a campanha continuará intensa até a data da votação.
Em resumo, a retirada de Edjane, o apoio do Agir a Tarcísio e a composição da coligação de 16 partidos criam um ambiente favorável ao governador, que agora busca consolidar a liderança nas pesquisas e transformar a vantagem teórica em vitória concreta nas urnas.








