Zelensky, presidente da Ucrânia, condenou na sexta‑feira (9) o novo acordo entre Washington e Moscou que prevê a exportação de diesel russo para os Estados Unidos e mercados globais. O líder ucraniano afirmou que a medida ajuda a financiar a agressão russa e classifica‑a como um investimento direto na guerra. A declaração foi feita poucas horas após o anúncio oficial do pacto, que visa aliviar a alta dos combustíveis nos EUA antes das eleições de meio de mandato.
Reação de Zelensky ao acordo
Em entrevista ao portal Axios, o presidente ucraniano descreveu o acordo como “injusto e desonesto” e ressaltou que a flexibilização das sanções energéticas beneficia diretamente Moscou. Zelensky destacou que a Rússia já havia agradecido a retirada de sanções com um ataque aéreo que causou vítimas civis em Zaporizhzhia, reforçando a percepção de que o pacto serve como recompensa por atos de agressão.
O líder de Kiev também alertou que qualquer alívio nas restrições ao petróleo russo pode ser interpretado como sinal de fraqueza dos EUA. Segundo ele, a isenção temporária das sanções, válida até 2027, pode reduzir a credibilidade de Washington perante Moscou e reduzir a pressão econômica sobre o Kremlin.
Detalhes do pacto e impactos econômicos
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a Rússia entregará diesel em três lotes principais: 300 mil toneladas imediatamente, 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas em seguida. O acordo ainda prevê a possibilidade de mais 3 milhões de toneladas em curto prazo, dependendo da capacidade das refinarias russas.
- 300 mil toneladas – entrega imediata
- 500 mil toneladas – prevista para novembro
- 1 milhão de toneladas – entrega subsequente
- Até 3 milhões de toneladas adicionais – conforme capacidade operacional
O Departamento do Tesouro dos EUA concedeu uma isenção temporária que permite a venda, o fornecimento, o descarregamento e a importação de diesel russo até 7 de abril de 2027. Essa medida rompe com a política adotada desde o início da invasão russa, que proibia a importação de petróleo e derivados russos.
O preço do diesel tem batido recordes nos Estados Unidos e na Europa, pressionando a inflação de bens de consumo e encarecendo o transporte de mercadorias. Empresas de logística e e‑commerce já repassam parte desses custos aos consumidores, gerando aumento nas tarifas de entrega e nos preços finais dos produtos.
Implicações políticas e perspectivas futuras
O acordo surge em um momento crítico para o Partido Republicano, que enfrenta insatisfação popular com os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato. Trump defendeu a medida como necessária para garantir o abastecimento global de energia, mas críticos apontam que a decisão pode comprometer a estratégia de sanções contra a Rússia.
Zelensky propôs uma troca de concessões: a Ucrânia interromperia ataques a refinarias russas se Moscou cessasse os bombardeios a instalações de energia ucranianas. O presidente ucraniano afirma que a força militar dos EUA seria suficiente para garantir o cumprimento de tal acordo, mas ressalta que a proposta ainda não recebeu resposta oficial de Washington.
Analistas internacionais alertam que a flexibilização das sanções pode criar um precedente perigoso, encorajando outros países sancionados a buscar acordos semelhantes. Ao mesmo tempo, o aumento dos preços dos combustíveis pressiona governos a encontrar soluções de curto prazo para proteger consumidores e empresas.
Enquanto isso, a comunidade ucraniana no exterior tem intensificado campanhas de pressão sobre os legisladores americanos, pedindo que o apoio à Ucrânia seja mantido sem concessões que beneficiem o Kremlin. A disputa entre os interesses econômicos imediatos e a estratégia de longo prazo contra a agressão russa permanece no centro do debate político nos EUA.








