O advogado Willer Tomaz declarou neste sábado, 24 de outubro, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) jamais foi cadastrado como usuário master de conta bancária da empresa Alcazar Holdings no Santander. A afirmação foi feita após a divulgação de uma carta da instituição financeira, datada de 23 de outubro, que supostamente comprova que Tomaz é o único titular desse perfil desde a abertura da conta, em 16 de maio de 2025.
Declaração de Tomaz e a carta do Santander
Em postagem nas redes sociais, Tomaz ressaltou que a conta foi aberta em 16 de maio de 2025 e que, desde então, ele é o único autorizado a operar com o perfil master. “Flávio nunca foi usuário dessa conta”, escreveu o advogado, anexando um vídeo que mostrava a lista de pessoas com acesso ao cadastro.
O profissional classificou as reportagens que apontam o senador como usuário master de “falsas” e negou qualquer vínculo societário com Flávio. “Nossa relação é de amizade, e amizade não é crime”, acrescentou.
Contexto da investigação da Polícia Federal
A controvérsia surgiu depois que a Polícia Federal (PF) divulgou documentos obtidos em uma investigação de suspeita de lavagem de dinheiro. Em outubro, reportagens apontaram trocas de e‑mails entre uma funcionária de Tomaz e representantes do Santander, relacionados à conta da Alcazar Holdings.
Um dos e‑mails, enviado em 22 de maio de 2025, solicitava a desvinculação de contas associadas ao perfil master, incluindo uma suposta conta de Flávio Bolsonaro. O banco respondeu que as contas foram excluídas conforme o pedido.
A PF interpretou o cadastro como possível indício de acesso operacional do senador à conta e levantou a hipótese de participação econômica ou societária na empresa. Tanto Flávio quanto Tomaz negam ter compartilhado contas ou mantido sociedade.
Outros desdobramentos da investigação
A Alcazar Holdings também foi citada nas investigações por sua ligação com a estrutura empresarial que possuía um avião executivo usado em viagens do advogado e do senador.
Em paralelo, Tomaz criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), que determinou a quebra de sigilos bancário e fiscal, o cancelamento de passaportes e o bloqueio de bens até o limite de 6 bilhões de reais. O advogado alegou que o valor não corresponde ao seu patrimônio e que a medida foi divulgada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
Tomaz acusou os investigadores de conduzir uma “pescaria probatória” para uso em campanha, embora não tenha apresentado provas que sustentem a acusação.
Repercussões e próximos passos
O limite de 6 bilhões de reais estabelecido pela decisão judicial não implica que Tomaz possua tal quantia nem que todo o montante tenha sido efetivamente bloqueado. O advogado afirmou que apresentará documentos à Justiça para contestar as suspeitas e cobrou dos veículos de comunicação a publicação de correções, caso necessário.
Até o momento, permanecem versões conflitantes sobre o cadastro bancário, sendo esse um dos pontos centrais da investigação. O desfecho dependerá de novas provas e da avaliação judicial sobre a legitimidade das medidas adotadas.
- Tomaz nega que Flávio Bolsonaro tenha sido usuário master da conta no Santander.
- Cartas do banco indicam que Tomaz é o único titular desde maio de 2025.
- PF investigou possíveis indícios de lavagem de dinheiro e uso de avião executivo.
- Decisão do STF impôs bloqueio de bens até 6 bilhões de reais.
- Tomaz promete contestar judicialmente as acusações e solicitar correções à imprensa.








