Na manhã da última segunda‑feira (19), o aplicativo de compra e venda de roupas de segunda mão reforçou a fiscalização de anúncios suspeitos, removendo publicações que podem ter origem em saques ocorridos durante os protestos na França. O movimento, que se espalhou por várias cidades do país no fim de semana passado, resultou em confrontos violentos, depredações e roubo de mercadorias de marcas de luxo.
Contexto dos protestos e o impacto nas plataformas digitais
Os protestos começaram no sábado (17) como manifestações contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Em poucas horas, grupos violentos invadiram lojas, quebraram vitrines e saquearam estabelecimentos de alto padrão, como boutiques da Louis Vuitton e lojas da Sephora.
As imagens de vitrines destruídas e produtos espalhados nas ruas rapidamente apareceram nas redes sociais, incentivando vendedores informais a anunciar itens roubados em plataformas de comércio eletrônico. A situação gerou preocupação entre autoridades e operadores de marketplaces, que temiam a circulação de mercadorias ilícitas.
Medidas adotadas pelo Vinted para coibir anúncios ilícitos
Em resposta ao cenário, a empresa implementou um conjunto de ações imediatas, entre elas:
- Monitoramento intensivo de anúncios publicados entre sábado (17) e segunda‑feira (19).
- Uso de algoritmos de detecção de padrões suspeitos, como fotos de produtos semelhantes a imagens de mídia.
- Criação de um canal de denúncia exclusivo para lojistas e usuários que identificarem anúncios de origem duvidosa.
- Bloqueio permanente de contas que violarem as políticas de venda de itens roubados.
Além disso, a plataforma reforçou a colaboração com as forças de segurança francesas, compartilhando informações sobre contas e anúncios identificados como potencialmente ilícitos.
Reação do governo e das demais plataformas
O ministro das Pequenas Empresas, Serge Papin, utilizou a rede social X para anunciar que representantes do governo se reuniriam na segunda‑feira (19) com executivos de grandes marketplaces, incluindo Vinted, Amazon, eBay e TikTok. O objetivo da reunião foi discutir mecanismos de prevenção e garantir que produtos provenientes de saques não fossem comercializados online.
Autoridades francesas destacaram que a cooperação entre o setor privado e o poder público é essencial para proteger consumidores e marcas, bem como para evitar a perpetuação de um mercado negro alimentado por episódios de violência.
Impacto nos principais mercados da Vinted
França, Reino Unido e Itália são os três maiores mercados da plataforma. Enquanto na França a empresa já divulgou números de anúncios removidos, ainda não há informações concretas sobre um aumento similar na Itália, onde manifestações também resultaram em saques a lojas de luxo.
O Vinted reforçou que sua política proíbe a comercialização de produtos roubados e que continua aprimorando seus mecanismos de fiscalização, combinando denúncias de usuários, análises automatizadas e auditorias manuais.
Fundada na Lituânia em 2008, a startup alcançou a avaliação de € 8 bilhões após uma rodada de investimento liderada pela EQT Growth em abril deste ano, consolidando sua posição como uma das maiores plataformas de moda circular da Europa.
Com a intensificação das medidas de controle, a empresa espera restaurar a confiança dos usuários e impedir que a violência nas ruas se traduza em comércio ilícito na internet.








