Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita de Ribeira (SP), morreu em um acidente na manhã de sábado, 26 de abril de 2024, segundo comunicado oficial da prefeitura. O fato ocorreu na rodovia que liga o centro da cidade ao bairro de São José, e a notícia rapidamente se espalhou pelos meios de comunicação locais.
Acidente fatal e reação da prefeitura
A administração municipal lamentou a morte da vice-prefeita, destacando a perda de uma gestora que dedicou parte de sua vida ao serviço público. No comunicado, a prefeitura não detalhou as circunstâncias do acidente, apenas expressou pesar e solidariedade à família.
Segundo o discurso do prefeito, Juliana deixava dois filhos pequenos, além de uma rede de amigos e colaboradores que a consideravam uma pessoa acessível e comprometida. A mensagem oficial ressaltou que a cidade ficará “órfã” de sua presença, de seu sorriso e de sua energia.
Em redes sociais, o perfil oficial da prefeitura compartilhou um texto de despedida que enfatizou o legado de projetos concluídos e a dedicação à comunidade ribeirense. A publicação recebeu centenas de curtidas e comentários de cidadãos que recordaram momentos marcantes ao lado da vice-prefeita.
Investigações sobre desvio de recursos
Juliana já havia sido alvo de investigação do Ministério Público desde 2021, quando o órgão recebeu denúncias de irregularidades em licitações da saúde municipal. O MP apontou que um esquema de fraude teria desviado R$ 41,2 mil dos cofres públicos.
O esquema utilizava contratos de pregão com a empresa W.F., empresa que foi suspensa pela Justiça após suspeita de fraude. De acordo com a denúncia, o dinheiro desviado seria destinado a um serviço de amarração amorosa solicitado pela própria vice-prefeita.
O Ministério Público informou que a investigação ainda está em curso e que outras pessoas podem ser responsabilizadas, inclusive membros da suposta associação criminosa que atuou entre 2021 e 2024.
Detalhes do suposto pagamento para amarração amorosa
Conforme documentos apresentados ao MP, Juliana teria contratado uma mãe de santo para realizar um ritual que prometia afastar um homem chamado Lauro de sua esposa. O valor total do serviço foi estimado em R$ 380 mil, quantia que, supostamente, seria paga em parcelas.
Uma das parcelas foi transferida por meio do contrato de pregão com a empresa W.F., o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos. A denúncia indica que o pagamento teria sido disfarçado como prestação de serviços de saúde, dificultando a detecção pelos órgãos de controle.
Especialistas em direito público ressaltam que o uso de recursos públicos para fins pessoais configura crime de peculato e pode acarretar penas de prisão, além da devolução dos valores indevidamente empregados.
Legado e reações da comunidade
Apesar das controvérsias que cercaram a sua gestão, a população de Ribeira tem lembrado Juliana como uma pessoa que se aproximava dos cidadãos, ouvindo demandas e participando de eventos locais. Muitos relatos destacam sua presença em escolas, festas religiosas e projetos sociais.
Organizações da sociedade civil pedem que as investigações sigam seu curso sem interferências e que a memória da vice-prefeita seja avaliada de forma equilibrada, reconhecendo tanto suas contribuições quanto os indícios de irregularidades.
Em entrevista coletiva, o secretário de comunicação da prefeitura afirmou que a administração continuará a prestar contas à população e que os projetos iniciados por Juliana permanecerão em andamento, como forma de honrar seu trabalho.
Para a família, a perda é descrita como “uma dor impossível de mensurar”, enquanto os colegas de governo enfatizam a necessidade de apoio mútuo neste momento de luto. A comunidade ribeirense, por sua vez, segue acompanhando o desenrolar das investigações, aguardando respostas que possam esclarecer os fatos.
- Acidente ocorreu em 26/04/2024;
- Vice-prefeita tinha 40 anos;
- Desvio suspeito de R$ 41,2 mil;
- Serviço de amarração avaliado em R$ 380 mil;
- Empresa W.F. suspensa pela Justiça.
O caso ilustra como questões de gestão pública, ética e crenças pessoais podem se entrelaçar, gerando debates intensos sobre a transparência na administração municipal. Enquanto as investigações avançam, a cidade de Ribeira segue em luto, mas também atenta às lições que o episódio pode trazer para o futuro da política local.








