Em 2022, o primeiro‑ministro sueco Ulf Kristersson anunciou um plano agressivo para combater a criminalidade que afligia o país, especialmente nas grandes cidades. As medidas foram implementadas ao longo de 2023 e 2024, com foco nas áreas de Estocolmo, Malmö e Gotemburgo. O objetivo era reduzir tiroteios, tráfico de drogas e a influência de gangues organizadas.
Medidas de endurecimento da lei
Kristersson reduziu a maioridade penal para 14 anos, permitindo que menores fossem processados como adultos quando envolvidos em crimes graves. A legislação também criou penas mais severas para quem recrutasse jovens nas gangues, incluindo multas e prisão prolongada. Além disso, foram ampliados os poderes de busca e apreensão da polícia, facilitando a interceptação de armas e drogas.
O governo aumentou o orçamento da polícia em 25%, destinando recursos para tecnologia de vigilância, drones e softwares de análise de dados. Essas ferramentas permitiram rastrear comunicações em aplicativos como Snapchat e TikTok, onde recrutadores costumavam atrair adolescentes. A presença de unidades táticas nas áreas de maior conflito também foi reforçada.
Para garantir a eficácia das novas leis, foi criado um registro nacional de infratores menores de 18 anos, que acompanha o histórico de cada jovem. O registro serve como base para decisões judiciais mais rápidas e para programas de reabilitação direcionados. O Ministério da Justiça ainda estabeleceu protocolos claros para o tratamento de menores em processos criminais, evitando abusos e garantindo direitos fundamentais.
Programas sociais e prevenção
Paralelamente ao endurecimento penal, o governo lançou iniciativas de inserção social voltadas a jovens em risco. Centros comunitários foram equipados com atividades esportivas, cursos de tecnologia e apoio psicossocial. Cada centro oferece bolsas de estudo e estágios em empresas locais, criando alternativas ao crime.
Um programa nacional de mentoria conecta estudantes do ensino médio com profissionais experientes, sobretudo nas áreas de TI e engenharia. Os mentores acompanham os jovens por até dois anos, ajudando na escolha de carreira e na inserção no mercado de trabalho. Essa estratégia tem como meta reduzir a atratividade das gangues ao oferecer perspectivas de futuro.
O Estado também reforçou o apoio às famílias, oferecendo subsídios de moradia e auxílio‑creche para famílias de baixa renda. Essas medidas visam estabilizar o ambiente doméstico, fator crítico na prevenção da delinquência juvenil. Em conjunto, as políticas sociais e de segurança formam um plano integrado de combate à criminalidade.
Impacto na imigração e na sociedade
Desde a adoção das medidas, a Suécia endureceu os critérios de concessão de asilo, reduzindo o número de pedidos de 160 mil em 2015 para cerca de 4,2 mil em 2024. As novas regras exigem comprovação de risco direto e priorizam candidatos com habilidades profissionais demandadas pelo mercado.
O governo também implementou programas de integração mais rigorosos, incluindo cursos obrigatórios de língua sueca e avaliações de empregabilidade antes da concessão de residência permanente. Essas mudanças foram acompanhadas por campanhas de conscientização sobre os valores do Estado de bem‑estar.
Apesar das restrições, a maioria dos imigrantes continua bem inserida na sociedade, contribuindo para a economia e a cultura sueca. Comunidades de iranianos, sírios e etíopes, por exemplo, têm taxas de emprego acima da média nacional. No entanto, a presença de gangues ligadas a grupos étnicos específicos ainda gera debates sobre a eficácia das políticas de integração.
Resultados e perspectivas futuras
Os números divulgados pelo Ministério da Justiça mostram uma queda de 80% nos tiroteios entre gangues desde 2022, passando de 68 incidentes para apenas 12. O total de homicídios relacionados ao tráfico diminuiu de 391 para 48, sendo considerado um caso raro na Europa por veículos como o Financial Times.
Analistas apontam que a combinação de penas mais duras, tecnologia avançada de monitoramento e programas sociais foi decisiva para esse resultado. Contudo, especialistas alertam que a manutenção desses ganhos depende de investimentos contínuos e de políticas de inclusão que evitem a marginalização de grupos vulneráveis.
O próximo desafio será consolidar a confiança da população nas instituições, especialmente nas áreas mais afetadas, como Malmö. O governo já anunciou planos para ampliar a presença de assistentes sociais nas escolas e criar um fundo de inovação para projetos de segurança comunitária. Se bem‑executadas, essas ações podem transformar a Suécia em um modelo de combate à criminalidade para outros países europeus.








